










A Fria (The Fury)
Lisa Jane Smith

Para minha tia Margie, e em memoria da minha tia Agnes e tia Eleanore, por alimentar a criatividade.


Um Tringulo Amoroso de Horror Insondvel...

Stefan
Atormentado aps perder Elena, ele est determinado a terminar a disputa com seu irmo, Damon - custe o que custar.

Damon
Zombando de Stefan e Elena, ele ri na cara do perigo.

Elena
Selvagem com seu desejo por sangue, ela confronta o mal mais terrvel.

A terrvel histrias de dois irmos vampiros e da linda garota dividida entre eles.




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Captulo Um


Elena entrou no claro.
Abaixo de seus ps, pedaos de folhas outonais se congelavam na neve lamacenta. Havia escurecido, e ainda que o temporal comeava a diminuir, o bosque ficava cada 
vez mais frio. Elena no sentia o frio.
Tampouco lhe importava a escurido. Suas pupilas se abriram completamente, recolhendo partculas diminutas de luz que haviam sido impossveis para um ser humano. 
Distinguiu com toda clareza as duas figuras que foravam um grande golpe.
Um tinha uma espessa cabeleira escura que o vento havia revirado e se tornado um bagunado mar de ondas. Era ligeiramente mais alto do que a outra pessoa, e ainda 
que no pudesse ver seu rosto, de um certo modo soube que seus olhos eram verdes.
O outro tambm tinha uma mata de cabelos escuros, mas os seus eram mais finos e lisos, quase como a pelagem de um animal. Seus lbios estavam tensionados para trs, 
mostrando os dentes com fria, e a graa preguiosa do seu corpo estava posicionada como uma pantera. Seus olhos eram negros.
Elena os observou por vrios minutos sem se mover. Havia se esquecido porque estava ali, por que a haviam arrastado at ali, nos ecos da briga em sua mente. H to 
pouca distancia o clamor de sua raiva, seu dio e sua dor eram quase ensurdecedor, como gritos silenciosos surgindo dos adversrios. Estavam enlaados em um combate 
de morte.
"Me pergunto qual deles vencer", pensou. Os dois estavam feridos e sangravam, e o brao esquerdo do mais alto balanava de uma forma sobrenatural. Contudo, acabava 
de empurrar o outro contra o tronco retorcido de um carvalho, e sua fria era to forte que Elena podia senti-la e saborea-la, assim como ouvi-la, e sabia que lhe 
estava proporcionando uma fora incrvel.
E ento Elena se lembrou por que havia ido ali. Como podia ter esquecido? Ele estava ferido. Sua mente a havia chamado ali, a inundando com ondas de raiva e dor. 
Ela estava ali para ajuda-lo, porque ela lhe pertencia.
As duas figuras estavam cadas no solo gelado agora, brigando como lobos, grunhindo. Veloz e silenciosa, Elena foi at eles. O de cabelos ondulados e olhos verdes 
- Stefan, sussurrou uma voz em sua cabea - estava em cima, com os dedos procurando desesperadamente a garganta do outro. A clera inundou Elena, a clera e uma 
atitude protetora. Ps o brao entre os dois para segurar aquela mo que tentava estrangular, para tira-la at acima dos dedos.
Nem lhe ocorreu que no seria forte o bastante para faze-lo. Era bastante forte, isso era tudo. Atirou seu peso para um lado, arrancando-o de seu oponente. Por acaso, 
fez presso sobre o brao ferido, derrubando o atacante de cara contra a neve lamacenta coberta de folhas. Ento comeou a asfixia-lo por trs.
Seu ataque lhe havia pego de surpresa, mas no estava nem de longe vencido. Devolveu o golpe, a mo sana buscando astuciosamente a garganta da garota. O polegar 
se afundou em sua traquia.
Elena se encontrou abraando a mo, a tendo mordendo com seus dentes. Sua mente no compreendia, mas o corpo sabia o que fazer. Seus dentes eram uma arma e desgarraram 
a carne, fazendo correr o sangue.
Mas ele era mais forte que ela. Com uma violenta sacudida de ombros se liberou e a retorceu entre suas mos, a jogando no cho. E ento foi ele que esteve em cima 
dela, com o rosto contorcido por uma fria animal. Ela chiou, e ps seus olhos como unhas, mas ele se afastou da mo com um golpe.
Ia mata-la. Mesmo ferido, era muito mais forte que ela. Seus lbios tinham se afastado para trs para mostrar os dentes machados de vermelho. Como uma cobra estava 
pronto para atacar.
Ento se deteve, dicernindo-a, enquanto sua expresso mudava.
Elena viu que os olhos verdes se arregalaram As pupilas que haviam estado contradas em pequenos pontos se ampliaram em um golpe. A olhava fixamente, como se realmente 
a visse pela primeira vez.
Por que a olhava daquele modo? Por que no se limitava a acabar? A mo frrea sobre seu ombro estava se soltando. O grunhido animal havia desaparecido, sendo agora 
uma expresso de perplexidade e assombro. Se sentou para trs e ajudou-a a sentar, sem deixar de olhar seu rosto nem por um instante.
Elena - murmurou a voz quebrando-se - Elena,  voc.
" essa quem sou?", pensou ela. "Elena?".
Na realidade, no importava. Dirigiu uma veloz olhada na direo do velho carvalho. Ele ainda estava ali, de p entre as razes que sobressaiam da terra, ofegando, 
apoiando-se na arvore com uma mo. Ele a olhava com seus olhos infinitamente negros e as sobrancelhas contradas em uma expresso irritada.
"No se preocupe - pensou ela. - Eu posso me ocupar deste. Ele  estpido." Logo voltou a se jogar no jovem de olhos verdes.
-Elena! - guinchou ele enquanto ela o derrubava de costas.
A mo s empurrou seu ombro, sustentando-a no alto.
-Elena, sou eu, Stefan! Elena, me olhe!
Ela olhava e tudo que via era o pedao da pele descoberta de seu pescoo. Voltou a chiar, o lbio superior retrocedendo para mostrar-lhe os dentes.
Ele ficou paralisado.
Sentiu como a comoo reverberava por todo o corpo do jovem, viu que sua olhada se quebrava. O rosto adquiriu a mesma palidez como se algum o tivesse golpeado no 
estomago. Sacudiu a cabea ligeiramente sobre o cho lamacento.
No - sussurrou. - Oh, no...
Parecia estar dizendo para si mesmo, como se no esperasse que ela o estivesse ouvindo. Estendeu uma mo at sua bochecha e ela tentou morde-la.
-Ah, Elena... - murmurou ele.
Os ltimos restos de fria, de desejo animal de matar, haviam desaparecido de seu rosto. Tinha os olhos atordoados, afligidos e entristecidos.
E era vulnervel. Elena aproveitou o momento para lanar-se sobre a carne descoberta de seu pescoo. Ele alou o brao para det-la, para afasta-la, mas logo voltou 
a deixa-lo cair.
A olhou fixamente por um momento, com a dor de seus olhos alcanando o pice e logo, simplesmente, se abandonou. Deixou de lutar totalmente.
Ela sentia como acontecia, sentiu como a resistncia abandonava seu corpo. Ficou estendido sobre o cho gelado com restos de folhas de carvalho no cabelo, olhando 
mais alm dela, o cu negro e coberto de nuvens.
"Acabe com ele", disse uma voz cansada em sua mente.
Elena vacilou por um instante. Havia algo naqueles olhos que evocava recordaes em seu interior. Estar de p embaixo da luz da lua, sentada em um quarto de um sto... 
Mas as recordaes eram muito vagas. No conseguia lembra-los, e o esforo a atordoava e a enjoava.
E este tinha que morrer, este de olhos verdes chamado Stefan. Porque havia machucado a ele, ao outro, a ele que era a razo de sua existncia. Ningum podia machuca-lo 
e continuar vivo.
Cerrou os dentes sobre sua garganta e mordeu profundamente.
Notou no momento que no fazia como se devia. No havia alcanado uma artria ou uma veia. Atacou a garganta, furiosa ante a prpria inexperincia. Era satisfatrio 
morder algo, mas no saia muito sangue. Contrariada, levantou a cabea e voltou a morder, sentindo que o corpo dele dava uma sacudida de dor.
Muito melhor. Havia encontrado uma veia dessa vez, mas no havia desgarrado o suficiente. Um pequeno arranhado como aquele no serviria de nada. O que precisava 
era desgarra-la por completo, para deixar que o suculento sangue quente sasse a pores.
Sua vtima se estremeceu enquanto ela trabalhava, os dentes arranhando e roendo. Comeava a sentir como a carne cedia quando umas mos a tiraram de l, alando-a 
para trs.
Elena grunhiu sem soltar a garganta. Mas as mos eram insistentes. Um brao rodeou sua cintura, uns dedos se enroscaram em seus cabelos. Forou a ficar, aferrando-se 
com unhas e dentes a sua presa.
-Solte-o! Deixe-o!
A voz era seca e autoritria, como uma lufada de vento frio. Elena a reconheceu e parou de se esforar contra as mos que a afastavam. Quando a colocaram no cho 
e ela levantou os olhos para v-lo, um nome veio a sua mente. Damon. Seu nome era Damon. Lhe olhou fixamente com expresso enfurecida, ressentida por ter sido arrancada 
se sua presa, mas obediente.
Stefan estava saindo do cho, com o pescoo vermelho de sangue que tambm corria por sua camisa. Elena lambeu os lbios, sentindo uma pulsada parecida com uma retoro 
de fome mas que parecia provir de cada fibra de seu ser. Voltou a ficar enjoada.
-Eu acho - disse Damom - que voc disse que ela estava morta.
Olhava Stefan, que estava ainda mais plido que antes, se  que isso era possvel. Aquele rosto branco estava cheio de infinito desespero.
-Olhe-a - foi tudo que ele disse.
Uma mo sujeitou o queixo de Elena, levantando seu rosto para cima. Ela devolveu diretamente a olhada dos olhos escuros entrecerrados de Damon. Logo, largos e finos 
dedos tocaram seus lbios, sondando entre eles. Instintivamente, Elena tentou morder, mas no muito forte. O dedo de Damom localizou a afiada curva de uma presa 
e Elena a mordeu, dando um mordisco parecido com o de um gatinho.
O rosto de Damom era inexpressivo, a olhada dura.
-Sabe onde est? - perguntou.
Elena olhou ao seu redor. rvores.
-No bosque - disse com desconsiderao, voltando a olha-lo.
-E quem  esse?
Ela seguiu a direo que indicava seu dedo.
-Stefan - respondeu com indiferena. - Seu irmo.
-E quem sou eu? Sabe quem eu sou?
Ela sorriu, mostrando seus dentes afiados.
-Claro que sei. Voc  Damon, e eu ti amo.














Capitulo 2


A voz de Stefan era tranqilamente selvagem.
-Era isso que queria, no era, Damon? E agora o tem. Tinha que transforma-la em uma de ns, como voc. No foi suficiente s mata-la.
Damon no afastou a vista dele. Estava olhando Elena intensamente atravs dos olhos encobertos, ainda de joelhos segurando seu queixo.
- a terceira vez que diz isso e estou comeando a me cansar disso - comentou levemente. Despenteado, com pouco flego, ainda assim se encontrava consciente, sob 
controle. - Elena, por acaso eu matei voc?
- claro que no - disse Elena, entrelaando seus dedos na mo livre. Estava comeando a ficar impaciente. De todo modo, do que estavam falando? Ningum havia sido 
assassinado.
-Nunca pensei que fosse um mentiroso - disse Stefan a Damon, a amargura de sua voz no mudou. - Pensei em quase todas as outras coisas, mas no isso. Nunca escutei 
antes voc mesmo se encobrir.
-Em um minuto mais - disse Damon - vou perder meu temperamento.
"Que mais pode me fazer?" disse Stefan em resposta. "Me matar seria uma misericrdia".
-Minha misericrdia acabou h um sculo - disse Damon em voz alta. Finalmente soltou o queixo de Elena. - O que se lembra de hoje? - perguntou a ela.
Elena falou cansadamente, como uma criana recitando a lio to odiada.
-Hoje foi do Dia do Fundador. 
Flexionou seus dedos nele, ela olhou Damon. Era o mximo que podia recordar por si mesma, mas no era o suficiente. Com esforo, tratou de se lembrar de algo mais.
-Havia algum no refeitrio... Caroline - ela lhe ofereceu o nome, satisfeita. - Ela ia ler meu dirio na frente de todos, e isso era ruim porque... - Elena se fundiu 
com suas memrias e se perdeu. - No lembro porque, mas ns a enganamos - ela sorriu para ele cautelosamente, conspiratoriamente.
-Oh, o "fizemos", no  mesmo?
-Sim. E o tomaste dela. Fizeste por mim. - Os dedos de sua mo livre se deslizaram por baixo de sua jaqueta, buscando a dura quina quadrada de seu livro. - Porque 
voc me ama - disse ela, encontrando-o e o arranhando timidamente. - Voc me ama, no  mesmo?
Houve um som tnue no centro da clareira. Elena se virou e viu que Stefan havia virado seu rosto.
-Elena, o que aconteceu depois? - a voz de Damon a trouxe de volta.
-Depois? Depois tia Judith comeou a discutir comigo. - Elena repensou nisso por um momento e finalmente se deu de ombros. - Sobre... algo. Me aborreci. Ela no 
 minha me. Ela no pode me dizer o que fazer.
A voz de Damon era seca.
-No acredito que isso v ser um problema agora. O que mais?
Elena suspirou pesadamente.
-Depois fui para o carro de Matt. - Ela mencionou o nome reflexivamente, passando sua lngua pelo canino. Nos olhos de sua mente, ela viu um rosto atraente, cabelos 
loiros, ombros largos. - Matt.
-E aonde foi no carro de Matt?
-A ponte Wickery - disse Stefan, virando para eles. Seus olhos estavam desolados.
-No, no, a penso - corrigiu Elena irritada. - Ia esperar por... mmm... esqueci. De todos os modos, esperei ali. Ento... ento a tempestade comeou. Vento, chuva, 
tudo isso. Eu no gostava. Entrei no carro. Mas algo vinha atrs de mim.
-Algum vinha atrs de voc - disse Stefan, olhando Damon.
-Algo - insistiu Elena.Ela teve o suficiente de interrupes. - Vamos at o outro lado, s ns - disse a Damon, se ajoelhando de tal maneira que seu rosto estivesse 
perto do dele.
-Em um minuto - disse ele. - Que tipo de coisa foi at voc?
Ela retrocedeu, exasperada.
-No sei que tipo de coisa!  algo que eu nunca tinha visto. No como voc ou Stefan. Era... - as imagens se despedaaram atravs de sua mente. Nvoa fluindo atravs 
do cho. O vento zunindo. Uma forma branca, enorme, observando-a como se fosse feito da neblina. Postando-se sobre ela como uma nuvem dirigida pelo vento.
-Talvez fosse s parte da tempestade - disse ela. - Mas pensei que queria me machucar. Deixei aquele lugar. - Brincando com o zper da jaqueta de couro de Damon, 
ela sorriu secretamente e o olhou atravs de seus clios.
Pela primeira vez, o rosto de Damon demonstrou emoes. Seus lbios se retorceram em uma careta.
-E voc se foi.
-Sim. Lembro que... algum... me disse algo sobre gua corrente. Coisas ruins no podem cruza-la. Ento que dirigi at Drowning Creek, atravs da ponte. E ento... 
- ela duvidou, franzindo o cenho, tratando de encontrar uma slida lembrana na nova confuso. gua, ela lembrava de gua. E algum gritando. Mas nada mais. - Ento 
o cruzei. - Ela concluiu no fim, brilhantemente. - Devo ter feito j que estou aqui. E isso  tudo. Podemos ir agora?
Damon no lhe respondeu.
-O carro ainda est no rio - disse Stefan. Ele e Damon se olharam entre eles como dois adultos tendo uma discusso sobre a cabea de uma criana incomprendida, suas 
hostilidades foram suspensas por um momento. Elena sentiu aumentar sua raiva. Ela abriu a boca, mas Stefan continuou. - Bonnie, Meredith e eu o encontramos. Fui 
para debaixo d'gua e o vi, mas para ento...
-Para ento o que? - Elena continuou.
Os lbios de Damon se curvaram simuladamente.
-E voc se rendeu diante dela? Voc de todas as pessoas, devia ter pensado no que aconteceria. Ou a idia era to repugnante para voc que sequer a considerou? Voc 
preferia que ela estivesse realmente morta?
-No tinha pulso nem respirao! - gritou Stefan. - E ela nunca teve sangue o suficiente para transform-la! - seus olhos se endureceram. - No de mim, pelo menos.
Elena abriu a boca de novo, mas Damon pousou o dedo nela para mant-la calada. E disse sem problemas:
-E esse  o problema agora. Ou  to cego para ver isso agora, tambm? Me disse que veio por ela; olhe voc mesmo para ela agora. Est em choque, irracional. Oh, 
sim, at eu admito - se deteve para mostrar um sorriso cego antes de continuar. -  mais do que a confuso normal depois da transformao. Ela precisa de sangue, 
sangue humano, ou seu corpo no ter fora para terminar a transformao. Ela morrer.
"A quem voc se refere como irracional?" Elena pensou indignada.
-Estou bem - disse ela ao redor dos dedos de Damon. - Estou cansada, isso  tudo. Ia dormir quando ouvi vocs brigando e vim para ajuda-lo. E voc nem sequer me 
deixou mata-lo - ela terminou desgostosa.
-Sim, por que no deixou? - disse Stefan. Estava olhando Damon como se pudesse criar uma sepultura atravs dele com seus olhos. Qualquer rastro de cooperao de 
sua parte havia desvanecido. - Era o mais fcil a se fazer.
Damon se postou atrs dele, de maneira repentina e furiosa, sua prpria animosidade fluindo para se encontrar com a de Stefan. Respirava rpida e ligeiramente.
-Talvez no me agradem as coisas fceis - ele chiou. Ento ele pareceu ganhar controle de si mesmo uma vez mais. Seus lbios se curvaram em irritao, e acrescentou. 
- Coloque desta maneira, meu querido irmo: Se algum ter a satisfao de mata-lo, esse algum ser eu. Ningum mais. Planejo terminar o servio por mim mesmo. 
E  algo em que sou muito bom, acredite.
-J nos mostrou - disse Stefan calidamente, como se cada palavra o adoecesse.
-Mas esta - disse Damon, virando para Elena com os olhos brilhantes - eu no matei. Por que deveria? Podia t-la transforma no momento que eu quisesse.
-Talvez porque ela acabasse de se comprometer em casamento com algum.
Damon levantou a mo de Elena, ainda enrolada com a sua. No terceiro dedo um anel de outro brilhou, com uma profunda pedra azul. Elena o observou, recordando vagamente 
t-lo visto antes. Ento se encolheu de ombros e se inclinou at Damon cansadamente.
-Bueno, agora - disse Damon olhando para baixo dela -, isso no parece ser um problema, no  mesmo? Acho que ela deveria est agradecida de ter esquecido voc - 
ele olhou Stefan com um sorriso desagradvel. - Mas o encontraremos uma vez que ela ganhe conscincia de si mesma. Podemos perguntar qual de ns ela escolher. Ok?
Stefan sacudiu sua cabea.
-Como  possvel que voc sugira isso? Depois do que aconteceu... - sua voz se cortou.
-Com Katherine? Posso dizer se voc no pode. Katherine tomou uma deciso estpida e ela pagou o preo por isso. Elena  diferente, ela conhece sua prpria mente. 
Mas no importa se concorda - acrescentou, ignorando a nova proposta de Stefan. - O fato  que ela est fraca agora e precisa de sangue. Vou fazer que ela o tenha 
e ento procurarei quem fez isso a ela. Pode vir ou no, como preferir. - Se levantou, levantando Elena com ele. - Vamos.
Elena foi voluntariamente, agradecida por poder se mover. Os bosques estavam interessantes esta noite, nunca havia notado antes. As corujas mandavam seus tristes 
e aterradores prantos atravs das rvores e os ratos se escondiam longe de seus ps. O ar estava frio nos remendos, como se congelasse primeiro os vazios e profundos 
do bosque. Notou que era fcil se mover silenciosamente ao lado de Damon atravs da folhas secas, era s questo se ser cuidadoso onde fosse pisar. No olhou para 
trs para saber se Stefan os estava seguindo.
Reconheceu o lugar onde deixaram o bosque. Havia estado nesse lugar mais cedo. Agora, entretanto, havia um tipo de atividade frentica em andamento: luzes vermelhas 
e azuis brilhavam nos carros, projetores iluminavam as sombrias silhuetas escuras das pessoas. Elena os olhou cuidadosamente. Vrios eram familiares. Essa mulher, 
por exemplo, de rosto magro e olhos ansiosos - tia Judith? E o homem alto ao lado dela, o noivo de tia Judith, Robert?
"Deve haver algum mais com eles", pensou Elena. Um garoto de cabelo plido como o de Elena. Mas, por mais que tentou, no pde conjurar nome algum.
As duas garotas abraadas, paradas em um crculo de oficiais, "lembro delas", pensou. A pequena de cabelo ruivo que chorava era Bonnie. A alta com cabelos escuros 
varridos, Meredith.
-Mas ela no est na gua - dizia Bonnie a um homem de uniforme. Sua voz tremia a beira da histeria.- Vimos Stefan sair. J disse a vocs mais de cem vezes.
-E a deixaram a com ele?
-Tivemos que deixa-lo. O temporal estava piorando e algo se aproximava...
-Esquea isso - Meredith a interrompeu. Ela soava ligeiramente mais calma que Bonnie. - Stefan disse que se ele tivesse que deixa-la, a deixaria debaixo dos salgueiros.
-E onde est Stefan agora? - perguntou outro oficial uniformizado.
-No sabemos. Voltamos para ajuda-lo. Provavelmente nos seguiu. Mas sobre o que aconteceu com Elena... - Bonnie se virou e cravou os ombros nos ombros de Meredith.
"Estavam aborrecidas comigo", lembrou Elena. Que estpido de sua parte. Posso deixar isso claro, de qualquer modo. Ela comeou a seguir a luz, mas Damon a impediu 
do regresso. Ela o olhou, ferida.
-No dessa maneira. Escolhe quem quer e o atramos para fora - disse.
-Quem eu queira para que?
-Para se alimentar, Elena.  uma caadora agora. Essas so suas presas.
Elena pressionou sua lngua contra um canino duvidosamente. Nada ali fora luzia como comida para ela. Entretanto, porque Damon disse, se inclinou a lhe dar o beneficio 
da duvida.
-O que voc escolher - disse obrigadamente.
Damon inclinou sua cabea para trs, os olhos se cerraram inspecionando a cena como um expert avaliando uma pintura.
-Bem, o que acha de um par de bons pra-mdicos?
-No - disse uma voz atrs deles.
Damon observou levemente sobre seus ombros Stefan.
-Por que no?
-Porque j teve ataques demais. Talvez precise de sangue humano, mas ela no tem por que caa-los.
O rosto de Stefan era clido e hostil, mas havia um ar de determinao sombria nele.
-H alguma outra maneira? - perguntou Damon ironicamente.
-Voc sabe que sim. Encontrar algum que esteja disposto... algum que possa ser influenciado a estar disposto. Algum que faria por Elena e que seja o suficiente 
forte para manejar isso, mentalmente.
-E suponho que voc saiba onde podemos encontrar tal pessoa de virtudes.
-A leve a escola. Encontrarei vocs l - disse Stefan e desapareceu.
Deixou a atividade ainda em movimento, as luzes iluminando, as pessoas murmurando. Enquanto as deixavam, Elena notou algo estranho. No meio do rio, iluminado por 
refletores, se encontrava um automvel. Estava completamente submergido exceto pela parte dianteira que se encontrava atracado fora da gua.
"Que lugar to bobo para se estacionar um carro", pensou ela, enquanto seguia Damon de volta ao bosque.


Stefan comeava a sentir de novo.
Doa. Pensou que passava de sentir dor, a sentir qualquer coisa. Quando tirou o corpo sem vida de Elena da gua escura, pensou que nada podia machuca-lo de novo 
porque nada podia se igualar aquele momento.
Estava errado.
Se deteve e parou com seu brao bom encostado em um carro, cabisbaixo, respirando profundamente. Quando a neblina vermelha comeou a se dissipar e pde ver de novo, 
seguir adiante, mas a dor da queimadura no peito continuou sem diminuir nem um pouco. "Pare de pensar nela", disse a si mesmo, sabendo que isso no serviria de nada.
Mas no estava realmente morta. Isso no contava para algo? Pensou que nunca voltaria a escutar sua voz de novo, a sentir sua pele...
E agora, quando ela o tocou, queria mata-lo.
Se deteve de novo, enjoando-se, temeroso que fosse adoecer.
V-la dessa forma era uma tortura pior do que v-la jazendo fria e morta. Talvez essa seja a razo porque Damon a deixou viver. Talvez essa fosse a vingana de Damon.
E talvez Stefan s devesse fazer o que havia planejado fazer depois de matar Damon. Esperar at o amanhecer e tirar o anel de prata que os protegia da luz do sol. 
Parado, banhado no duro abrao daqueles raios at queimarem da sua carne at o ossos e acabasse a dor de uma vez por todas.
Mas sabia que no o faria. Enquanto Elena caminhasse pela terra, nunca a deixaria. Mesmo que o odiasse, mesmo se ela amaldioasse seu esprito. Faria qualquer coisa 
que estivesse em suas mos para mant-la a salvo.
Stefan parou na penso. Precisava se limpar antes de deixar que os humanos o vissem. Em seu quarto, limpou o sangue de seu rosto e de seu pescoo e examinou seu 
brao. O processo de cura havia comeado e com concentrao pde acelerar o processo. Estava consumindo sua fora com rapidez; a briga com seu irmo o havia debilitado. 
Mas isso era importante. No devido a dor - notou timidamente - sim porque precisava se adaptar.
Damon e Elena esperavam fora da escola. Pde sentir a impacincia de seu irmo e a nova presena de Elena na escurido.
- melhor que isso funcione - disse Damon.
Stefan no disse nada. O auditrio da escola era outro centro de comoo. As pessoas pareciam ter desfrutado o baile do Dia do Fundador; de fato, aqueles que permaneciam 
atravs da tempestade se encontravam postados nos arredores ou em pequenos grupos conversando. Stefan olhou na porta, buscando com sua mente uma presena em particular.
O havia encontrado. Uma cabea loira estava sentada em uma mesa no canto.
Matt.
Matt continuou de frente e olhou ao redor, confuso. Stefan o convidou a sair. "Precisava de ar fresco", pensou, insinuando a sugesto no subconsciente de Matt. Sente 
a necessidade de sair por um momento.
Para Damon, parado invisvel justamente atrs da luz, ele disse: "leve-a a escola, a sala de fotografia. Ela sabe onde . No se mostrem at que eu os diga". Ento 
retrocedeu e esperou que Matt aparecesse.
Matt saiu, seu rosto desenhado voltado para o cu sem lua. Comeou violentamente quando Stefan comeou a falar.
-Stefan! Est aqui! - desespero, esperana e horror comeava a dominar seu rosto. Correu at Stefan. - Eles a... a trouxeram de volta? H alguma notcia?
-O que ouviu exatamente?
Matt o observou por um momento antes de responder.
-Bonnie e Meredith vinheram dizendo que Elena havia ido a ponte Wickery em meu carro. Disse que ela... - pausou um momento e soltou - Stefan no  verdade, ? - 
seus olhos comeavam a umedecer.
Stefan olhou para o outro lado.
-Oh, Deus - disse Matt com dificuldade. Virou de costas para Stefan, pressionando a palmas de suas mos contra seus olhos. - No posso acreditar. No  verdade. 
No pode ser verdade.
-Matt... - tocou o ombro do garoto.
-Sinto muito - a voz de Matt era spera e rude. - Deve estar atravessando um inferno e aqui estou eu, piorando as coisas.
"Mas do que imagina", pensou Stefan, sua mo se afastou. Veio com a inteno de usar seus poderes para persuadir Matt. Agora isso era impossvel. No podia faze-lo, 
no a seu primeiro e nico amigo humano que havia tido naquele lugar.
Sua outra nica opo era dizer a verdade a Matt. Deixar que Matt tomasse sua prpria deciso, que soubesse tudo a respeito.
-Se houvesse algo que pudesse fazer por Elena neste momento - disse -, voc faria?
Matt estava muito perdido em suas emoes para perguntar que tipo de pergunta estpida era essa.
-Qualquer coisa - disse quase com raiva, cobrindo com sua manga seus olhos. - Faria qualquer coisa por ela.
Olhou para Stefan com algo de desafio. Sua respirao tremia.
"timo!", pensou Stefan, sentindo o repentino profundo abismo em seu estmago. "Ganhou uma viagem para a Zona do Crepsculo".
-Vem comigo - disse. - Tenho uma coisa para ti amostrar.








Capitulo 3


Elena e Damon aguardavam na sala escura. Stefan pde sentir sua presena no pequeno anexo enquanto abria a porta da sala de fotografia que estava aberta e deixava 
Matt entrar.
-Pensei que estas portas devessem estar fechadas - disse Matt enquanto Stefan ligava o interruptor que acendi a luz.
-Estavam - disse Stefan. No sabia o que mais dizer para preparar Matt para o que viria. Nunca antes havia revelado to deliberadamente para um humano.
Se deteve, quieto, at que Matt virou e o olhou. A sala de aula era fria e silenciosa e o ar parecia pesado. Enquanto o momento se aproximava, viu a expresso de 
Matt mudar lentamente de uma expresso desconcertante de dor a uma de molstia.
-No estou entendendo - disse Matt.
-Sei que voc no entende - foi at Matt, tirou de propsito as barreiras que ocultavam seus poderes a percepo humana. Viu a reao no rosto de Matt enquanto a 
molstia se fundia em medo. Matt falava e sacudia a cabea, sua respirao comeava a acelerar.
-Mas o que... - disse, sua voz se agravava.
-Possivelmente h um monte de coisas que deve estar pensando sobre mim - disse Stefan. - O por que uso culos escuros fortes. Porque no como. Por que meus reflexos 
so to rpidos.
Matt tinha suas costas contra o quadro negro agora. Sua garganta se fechou como se estivesse tragando. Stefan, com seus sentidos de predador, pde escutar o corao 
de Matt palpitar deliberadamente. 
-No - disse Matt.
-Devia ter adivinhado, devia ter perguntado a voc mesmo o que me fazia to diferente de todos os outros.
-No. Quero dizer... No importa. Me mantenho fora das coisas que no so da minha importncia.
Matt se dirigia a porta, seus olhos se cravaram nela em um movimento vagamente perceptvel.
-No faa isso, Matt. No quero machucar voc, mas no pode ir agora.
Ele pde sentir vagamente a necessidade de liberar a emanao de Elena s escondidas. "Espera", disse a ela.
Matt se manteve quieto, renunciando qualquer tentativa de se afastar.
-Se quer me assustar, j conseguiu - disse em voz baixa. - O que voc quer mais?
"Agora", Stefan disse a Elena. Disse a Matt:
-Vire.
Matt virou. E sufocou um grito.
Elena se manteve ali, mas no a Elena da tarde, quando Matt a viu pela ltima vez. Agora seus ps estavam descalos debaixo da bainha de seu longo vestido. As finas 
pregas do vestido branco que ela carregava se endureceram como cristais de gelo que brilhavam na luz. Sua pele, sempre linda, aparentava um brilho invernal e seu 
cabelo dourado plido parecia sobreposto por um brilho prateado. Mas a verdadeira diferena estava em seu rosto. Esses olhos de cor azul profundo estavam fechados 
profundamente, praticamente com um aspecto dorminhoco e mesmo assim pareciam despertos de maneira pouco natural. E uma olhada de pretenso sensual e ansiedade se 
fez ao redor de seus lbios. Ela estava mais linda do que nunca havia sido em sua vida, mas era uma beleza aterradora.
Enquanto Matt olhava, paralizado, a rosada lngua de Elena lambeu os lbios.
-Matt - disse, persistindo sobre a primeira consoante do nome. Logo sorriu.
Stefan ouviu a respirao interna incrdula de Matt e o soluo prximo quando finalmente se afastou dele.
"Est bem", disse, enviando um pensamento a Matt em um aumento de Poder. Enquanto Matt se aproximava bobamente dele, com os olho abertos em choque, acrescentou:
-Ento agora voc sabe.
A expresso de Matt dizia que ele no queria saber, e Stefan pde ver a reao em seu rosto. Damon deu um passo para fora junto a Elena e se moveram um pouco para 
a direita, acrescentando sua presena a carregada atmosfera da sala.
Matt estava rodeado. Os trs se fecharam ao redor dele, inumanamente bonitos, inatamente ameaadores.
Stefan pde cheirar o medo de Matt. Era o medo desamparado de um coelho para a raposa, de um rato para a coruja. E Matt estava certo de ter medo. Eles eram os caadores 
e ele era a presa. Seu trabalho na vida era mata-lo.
E justamente agora os instintos estavam saindo do controle. Os instintos de Matt he diziam para se assustar e correr, e eram reflexos disparados na mente de Stefan. 
Quando a presa corre, o predador o caa, simples assim. Os trs predadores foram apresentados, um segundo, e Stefan sentiu que no poderia ser responsvel das conseqncias 
se Matt corresse desesperadamente.
"No queremos machuca-lo", disse a Matt. " Elena quem precisa de voc, e o que precisa no o deixar permanentemente prejudicado. Nem sequer ter que o machucar, 
Matt". Mas os msculos de Matt permaneciam tensos como se fosse escapar e Stefan se deu conta que os trs o estavam acercando, movendo-se cada vez mais perto, prontos 
para impedir qualquer escape.
"Voc disse que faria qualquer coisa por Elena", recordou a Matt desesperadamente e viu que tomou uma deciso.
Matt liberou sua respirao, a tenso se drenou de seu corpo.
-Tem razo, eu disse - sussurrou. Visivelmente se abraou antes de continuar. - Do que precisa?
Elena se inclinou para frente e pousou um dedo no pescoo de Matt, marcando o caminho da artria.
-No essa - disse Stefan rapidamente. - Voc no quer mata-lo. Diga, Damon - acrescentou quando Damon no fez nenhum esforo para impedir. "Diga".
-Tente aqui ou aqui - Damon apontou com clinica eficincia, sustentando o queixo de Matt para cima. Era o suficientemente forte para que Matt no pudesse romper 
o toque e Stefan sentiu ressurgir o pnico.
"Confia em mim, Matt". Se moveu para trs do corpo humano. "Mas tem que ser sua deciso", terminou, lavado repentinamente em compaixo. "Pode mudar de opinio".
Matt duvidou e ento falou entre dentes:
-No. Ainda quero ajuda-la. Quero ajudar voc, Elena.
-Matt - sussurrou, os olhos azuis como um fio de diamante se pousaram sobre ele. Ento mudou a vista para sua garganta at seus lbios parcialmente faminta. No 
havia sinal de incerteza como que ela demonstrou quando Damon lhe sugeriu para se alimentar de pra-mdicos. - Matt - sorriu de novo e ento o golpeou como uma ave 
caadora.
Enquanto Matt trabalhava para relaxar, uma ajuda inesperada veio de Elena, que irradiava pensamentos clidos e felizes de um filhote de lobo sendo alimentado. Obteve 
a tcnica de mordida correta na primeira tentativa e se encheu de orgulho inocente e com crescente satisfao enquanto as pulsadas afiadas de fome cessavam. E com 
apreciao por Matt, Stefan se deu conta, com um repentino choque de cimes. Ela no odiava Matt nem queria mata-lo, porque no aparentava nenhum risco a Damon. 
Era aficionada por Matt.
Stefan a deixou tomar o necessrio enquanto fosse seguro para Matt e ento interveio. " o suficiente, Elena. Voc no quer machuca-lo".Mas teve que tomar os esforos 
dele, Damon, e um tonto Matt para tira-la de sua presa.
-Ela precisa descansar - disse Damon. - A levarei a algum lugar onde fique segura. - No estava perguntando a Stefan, estava anunciando.
Enquanto se afastavam, sua voz mental acrescentou, para os ouvidos de Stefan: "Ainda no me esqueci da maneira em que me atacou, irmo. Falaremos disso depois".
Stefan o olhou. Notou como os olhos de Elena permaneciam sob Damon, como o seguia sem perguntar nada. Mas agora estava fora de perigo; o sangue de Matt havia lhe 
dado a fora que precisava. Isso era tudo do que Stefan tinha que fazer, e disse a si mesmo que era tudo o que importava.
Virou para observar a expresso atordoada de Matt. O garoto humano se afundou em uma das cadeiras de plstico e ficou olhando para frente.
Ento seus olhos alcanaram os de Stefan e se observaram mutuamente de uma maneira lgubre.
-Ento - disse Matt - agora eu sei - sacudiu sua cabea virando-a de maneira discreta. - Mas ainda no posso acreditar - murmurou. Seus dedos pressionaram cautelosamente 
o lado do pescoo e se sacudiu de dor. - Esse cara... Damon. Quem  ele?
-Meu irmo mais velho - disse Stefan sem emoo. - Como sabe o nome dele?
-Estava na casa de Elena semana passada. O gato brigou com ele - Matt se deteve, recordando algo claramente. - E Bonnie teve algum tipo de desajuste psquico.
-Teve uma premonio? O que ela disse?
-Ela disse... ela disse que a morte estava na casa.
Stefan ficou observando a porta por onde Damon e Elena haviam passado.
-Estava certa.
-Stefan, o que est acontecendo? - um tom de apelao entrou na voz de Matt. - Continuo sem entender. O que aconteceu com Elena? Vai ser assim para sempre? No h 
nada que se possa fazer a respeito?
-Ser como? - disse Stefan brutalmente. - Desorientada? Um vampiro?
Matt olhou para um lado.
-Ambos.
-Primeiro, ela ficar mais racional agora que se alimentou.  isso que Damon pensa de qualquer forma. Por outro lado, s h uma coisa que se pode fazer para mudar 
sua condio. - Enquanto os olhos de Matt se abriram com esperana esboada, Stefan continuou. - Pode pegar uma estaca de madeira e crava-la em seu corao. Ento 
ela j no ser uma vampira nunca mais. Simplesmente estar morta.
Matt se levantou e foi para a janela.
-No poder mata-la, entretanto, por que isso j passou. Se afogou no rio, Matt. Mas devido a quantidade de sangue suficiente de mim... - pausou para clarear sua 
voz - e, ainda, por meu irmo, ela se transformou em vez de morrer. Despertou como uma caadora, como ns. Isso ser tudo que ela ser agora.
Ainda de costas, Matt respondeu:
-Sempre soube que havia algo de diferente em voc. Disse a mim mesmo que era simplesmente porque era de outro continente - sacudiu sua cabea de novo em auto-desprezo. 
- Mas, dentro de mim sabia que era algo mais. E algo me dizia para continuar confiando em voc. E foi o que eu fiz.
-Como quando foi comigo para conseguir verbena.
-Sim. Como isso. - Acrescentou. - Pode me dizer agora para que diabos era?
-Para a proteo de Elena. Queria manter Damon longe dela. Mas parece que isso no era o que ela queria - no pde esconder a dor, a crua traio, em sua voz.
Matt virou.
-No a julgue antes de saber tudo o que aconteceu, Stefan.  algo que eu aprendi.
Stefan estava assustado; ento lhe mostrou um pequeno sorriso sem graa. Como o par de Elena, ele e Matt estavam na mesma posio agora. Se perguntou se seria to 
legal quanto Matt tinha sido. Levar sua derrota como um cavalheiro.
No pensou assim.
Fora, um som comeou a soar. Era inaudvel aos ouvidos humanos e Stefan quase o ignorou at que as palavras penetraram em sua conscincia.
Ento lembrou do que havia feito na escola h apenas algumas horas. At agora, havia esquecido tudo sobre Tyler Smallwood e seus rudes amigos.
Agora sua memria voltava; vingana e horror fecharam sua garganta. Havia estado fora de sua mente por causa da dor sobre Elena e sua razo se escapara pela presso. 
Mas essa no era a desculpa para o que havia feito. Estavam todos mortos? Teria ele, quem jurara h muito tempo no voltar a matar ningum, assassinado trs pessoas 
nesse dia?
-Stefan, espera. Aonde vai?
Como no respondeu, Matt o seguiu, quase correndo para alcana-lo, fora do edifcio principal da escola havia o piso escuro. Do outro lado do campo, o sr. Shelby 
estava parado na cabana Quonset.
O rosto do zelador estava cinza e coberta de lneas de horror. Parecia que tentava gritar, mas s um pequeno gemido saiu de sua boca. Usando o cotovelo para abrir 
espao, Stefan olhou a sala e teve um curioso sentimento de deja vu.
Parecia a sala do Carniceiro Louco da Casa Amaldioada. Exceto que isto no era uma montagem feita para os visitantes. Era real.
Os corpos estavam espalhados por todos os lados, em meio a fragmentos de madeira e vidro da janela quebrada. Toda a superfcie visvel estava coberta por sangue 
marrom e sinistro enquanto secava. E uma olhada nos corpos revelava o por que: cada um deles tinha um par de lvidas feridas prpuras em seus pescoos. Exceto por 
Caroline: seu pescoo no tinha marcas, mas seus olhos estavam brancos e observando.
Atrs de Stefan, Matt estava hiperventilando.
-Stefan, Elena no... ela no...
-Silncio - respondeu Stefan bruscamente. Olhou de novo o sr. Shelby, mas o zelador havia tropeado no carrinho de vassouras e panos e estava inclinado sobre ele. 
O vidro grunhia debaixo dos ps de Stefan enquanto cruzava o piso para se inclinar sobre Tyler.
No estava morto. Um sentimento de alivio explodiu em Stefan quando se deu conta. O peito de Tyler se movia debilmente e quando Stefan levantou a cabea do garoto 
seus olhos se abriram um pouco, cristalinos e sem vista.
"Voc no se lembra de nada", disse Stefan mentalmente. Mesmo tendo dito, se perguntou por que se importava. Deveria deixar Fell's Church, corta-lo todo agora e 
nunca mais voltar.
Mas no podia. No enquanto Elena estivesse ali.
Reuniu a mente inconsciente do resto das vitimas dentro da sua mente e os disse o mesmo, alimentando no mais profundo de seus crebros. No recordavam quem os atacou. 
A noite anterior estava completamente em branco.
Enquanto fazia, sentiu seus Poderes mentais tremerem como msculos cansados. Estava perto do esgotamento.
Fora, o sr. Shelby encontrou por fim sua voz e estava gritando. Cansado, Stefan deixou cair a cabea atravs de seus dedos de volta ao piso e virou.
Os lbios de Matt estavam contrados para dentro, seu nariz se queimava, como se tivesse cheirado algo desagradvel. Seus olhos eram os olhos de um estranho.
-Elena no pode - sussurrou. - Voc o fez.
"Silncio", Stefan o empurrou, passando por um lado at o agradvel frio da noite, colocando distncia entre ele e a sala, sentindo o ar frio em sua pele quente. 
Passos correndo pelas redondezas do refeitrio lhe diziam que alguns humanos haviam ouvido por fim os gritos do zelador.
-Voc o fez, no  mesmo? - Matt havia seguido Stefan fora do campo. Sua voz dizia que tentava entende-lo.
Stefan se virou para ele.
-Sim, o fiz - grunhiu. Olhava Matt at embaixo sem ocultar nenhuma de suas ameaas de aborrecimento em seu rosto. - Eu disse a voc, Matt, somos caadores. Assassinos. 
Vocs so as ovelhas, ns somos os lobos. E Tyler estava pedindo por isso cada dia desde que cheguei.
-Pedindo por um soco na cara, sim. Como se no tivesse feito isso antes. Mas... isso? - Matt cessou seu passo, olhando nos olhos de Stefan, sem medo. Tinha coragem 
psquica; tinha que admitir isso. - E nem sequer sente pena? Nem sequer se arrepende disso?
-Por que deveria? - disse Stefan friamente, vagamente. - Voc se arrepende quando como bistecas demais? Sente pena da vaca? - pde observar a olhada de incredibilidade 
doente e o pressionou, levando a dor em seu peito mais profundamente. Era melhor que Matt se mantivesse afastado nesses momentos, muito afastado. Ou Matt poderia 
terminar como aqueles corpos na cabana de Quonset. - Sou o que sou, Matt. E se no pode lidar com isso, deveria se manter fora.
Matt se manteve de frente para ele por um momento, a incredibilidade doente se transformou lentamente em desiluso doente. Os msculos ao redor de sua mandbula 
se destacaram. Ento, sem dizer uma palavra, virou os calcanhares e se afastou caminhando.


Elena estava no cemitrio.
Damon a havia deixado ali, exaltando que ela deveria ficar ali at que ele voltasse. Entretanto, no queria ficar sentada. Se sentia cansada, mas no realmente com 
sono e o novo sangue a afetava como um relmpago de cafena. Queria sair e explorar.
O cemitrio estava cheio de atividade apesar de que no havia humanos a vista. Uma raposa observava sigilosamente pelas sombras atravs do caminho do rio. Pequenos 
roedores caminhavam nos tneis embaixo o longo e frondoso pasto ao redor das lapides, guinchando e correndo. Uma coruja voava quase silenciosamente atravs da velha 
igreja onde cantava em um campanrio um misterioso grito.
Elena se levantou e o seguiu. Isso era muito melhor do que se esconder no pasto como um rato ou um roedor. Olhou ao redor da velha igreja interessada usando seus 
afiados sentidos para examina-la. A maior parte do teto havia se desprendido e s trs muros estavam de p, mas o campanrio se mantinha como um monumento entre 
os escombros.
Em um lado estava a tumba de Thomas e Honoria Fell, como um longo caixo. Elena olhava com seriedade por baixo dentro dos rostos de mrmore da tampa de suas estatuas. 
Permaneciam em tranqilo repouso, seus olhos fechados, suas mos fechadas ao redor de seus peitos. Thomas Fell parecia srio e um pouco inconformado, mas Honoria 
parecia totalmente triste. Elena pensou de maneira perdida em seus prprios pais, repousando lado a lado no moderno cemitrio.
"Irei para casa,  para l onde vou", pensou. Tinha se lembrado do lugar. Podia desenha-lo agora: seu bonito quarto com cortinas azuis e moveis de madeira cor cereja 
e sua pequena lareira. E algo importante debaixo do piso de seu closet.
Encontrou seu caminho na rua Maple pelo instinto que corria profundamente por sua memria, deixando que seus ps a guiassem. Era uma casa velha, muito velha, com 
um grande prtico e grandes janelas na frente. O carro de Robert estava estacionado na entrada.
Elena caminhou at a porta principal e ento se deteve. Havia uma razo pela qual as pessoas no deviam v-la, apesar de que no podia se lembrar qual era o motivo 
no momento. Duvidou e ento subiu agilmente a rvores de galhos at a janela de seu quarto.
Mas no ia ser capaz de entrar sem ser notada. Uma mulher estava sentada na cama com o quimono de seda vermelha de Elena em sua volta, olhando-o. A tia Judith. Robert 
estava parado no vestbulo, falando com ela. Elena notou que podia escutar o murmrio de vozes mesmo atravs do vidro.
-... fora amanh de novo - estava dizendo. - Enquanto no h tempestade. Iro atrs em cada centmetro do bosque e a encontraro, Judith. Voc vai ver. - A tia Judith 
no disse nada e continuava soando cada vez mais desesperada. - No podemos perder as esperanas, no importa o que as garotas digam...
-No adianta, Bob - tia Judith havia levantado sua cabea finalmente e seus olhos estavam vermelhos, mas secos. - No adianta nada.
-Os esforos para o resgate? No quero v-la falando desse jeito - se sentou ao lado dela.
-No, no  s isso... Apesar do que sei, no corao, eu sei que no vamos encontra-la viva. Me refiro... Tudo. Ns. O que aconteceu foi nossa culpa...
-No  verdade. Foi um acidente muito horrvel.
-Sim, mas a deixamos passar. Se no houvssemos sido to duros com ela, nunca teria dirigido s nem tinha ultrapassado a tempestade. No, Bob, no tente me calar; 
quero que me escute. - Tia Judith tomou um profundo suspiro e continuou. - Tampouco foi s hoje. Elena estava tendo problemas j faz muito tempo. Mas por estar preocupada 
comigo mesma - conosco - para lhe dar um pouco de ateno. Posso enxergar isso agora. E agora que Elena... se foi... no quero que acontea o mesmo com Margareth.
-O que est dizendo?
-Estou dizendo que no posso em casar com voc, no agora, como havamos planejado. Talvez nunca - sem voltar a olha-lo, disse suavemente. - Margareth tem perdido 
tanto. No quero que sinta que est me perdendo tambm.
-Ela no perder voc. Ao contrario, ela estar ganhando algum mais, porque estarei aqui. Voc sabe o que sinto por ela.
-Sinto muito, Bob, mas no consigo ver dessa maneira.
-No pode estar falando srio. Depois de todo esse tempo que temos passado aqui... depois de tudo que fizemos...
A voz de tia Judith era drenada e implacvel.
-Estou falando srio.
Empoleirada na janela, Elena olhou Robert curiosamente. Uma veia palpitava em seu rosto e ele estava avermelhado.
-Voc se sentir diferente amanh.
-No. No  assim.
-No estar pensando em...
-Eu estou pensando. No me diga para mudar de idia porque no vou mudar.
Por um instante Robert olhou ao redor com incompreensiva frustrao, ento sua expresso se obscureceu. Quando falou, sua voz era ampla e fria.
-Entendo. Bom, se esta  a resposta final, ento j estou indo.
-Bob - tia Judith virou, assustada, mas j estava fora da porta. Se levantou, vacilante, como se no estivesse segura se deveria ir atrs dele ou no. Seus dedos 
se amassaram no material vermelho que estava segurando.
-Bob! - o chamou de novo, mais urgentemente, e se virou para jogar o quimono na cama de Elena antes de ir atrs dele.
Mas no momento em que se virou, ficou boquiaberta, uma mo voou at sua boca. Seu corpo inteiro ficou rgido. Seus olhos se cravaram em Elena atravs do prateado 
do painel de vidro. Por um longo momento, olharam uma a outra, sem nenhuma das duas se mover. A mo de tia Judith se afastou da boca e comeou a gritar.




































Captulo 4


Algo puxou Elena para longe da rvore e, uivando um protesto, ela caiu e ficou de p como um gato. Seus joelhos atingiram o cho um segundo mais tarde e ficaram 
machucados.
Ela deu r, os dedos fechados em garras para atacar quem quer que tivesse feito isso. Damon deu um tapa em sua mo.
"Por que voc me agarrou?" ela exigiu.
"Por que voc no ficou onde eu te coloquei?" ele retrucou.
Eles olharam um para o outro, igualmente furiosos. Ento Elena se distraiu. A gritaria ainda continuava no andar de cima, aumentada agora pelas pancadas e batidas 
na janela. Damon acotovelou-a contra a casa, onde eles no podiam ser vistos de cima.
"Vamos nos afastas desse barulho," ele disse meticulosamente, olhando para cima. Sem esperar por uma resposta, ele pegou o brao dela. Elena resistiu.
"Eu tenho que entrar l!"
Voc no pode." Ele lhe lanou um sorriso de dentes arreganhados. "Eu quero dizer literalmente. Voc no pode entrar nessa casa. Voc no foi convidada."
Momentariamente confusa, Elena deixou-o reboc-la por alguns passos. Ento ela afundou seus calcanhares novamente.
"Mas eu preciso do meu dirio!"
"O qu?"
"Est no armrio, debaixo do piso de madeira. E eu preciso dele. Eu no posso dormir sem o meu dirio." Elena no sabia porque ela estava fazendo tanto estardalhao, 
mas parecia importante.
Damon pareceu exasperado; ento, seu rosto clareou. "Aqui," ele disse calmamente, seus olhos cintilando. Ele retirou algo de sua jaqueta. "Pegue."
Elena olhou sua oferta com desconfiana.
" o seu dirio, no ?"
"Sim, mas  o meu velho. Eu quero o meu novo."
"Esse vai ter que servir, porque  tudo que voc vai ganhar. Venha antes que eles acordem a vizinhana inteira." Sua voz tinha ficado fria e comandadora novamente.
Elena avaliou o livro que ele segurava. Era pequeno, com uma capa de veludo azul e um cadeado em lato. Talvez no a edio mais nova, mas era familiar a ela. Ela 
decidiu que era aceitvel.
Ela deixou Damon gui-la para a noite.
Ela no perguntou para onde estavam indo. Ela no ligava muito. Mas ela reconheceu a casa na Avenida Magnolia; era onde Alaric Saltzman estava morando.
E foi Alaric que abriu a porta da frente, chamando Elena e Damon para dentro.
O professor de histria parecia estranho, contudo, e no parecia realmente v-los. Seus olhos estavam embaados e moviam como um rob.
Elena lambeu seus lbios.
"No," Damon disse curtamente "No  para morder esse. H algo suspeito nele, mas voc deve ficar segura o bastante na casa. Eu j dormi aqui antes. Aqui em cima." 
Ele a guiou por um lance de escada para um tico com uma pequena janela. Estava lotado com objetos armazenados: trens, esquis, uma rede. Bem no final, um velho 
colcho estava deitado no cho.
"Ele nem saber que voc est aqui de manh. Deite-se." Elene obedeceu, assumindo uma posio que parecia natural para ela. Ela deitou de costas, mos dobrados sobre 
o dirio que ela segurava perto de seu peito.
Damon derrubou uma pea de lanolina em cima dela, cobrindo seus ps nus.
"V dormir, Elena," ele disse.
Ele inclinou-se sobre ela, e por um momento ela achou que ele iria... fazer alguma coisa.
Seus pensamentos estavam desorganizados demais. Mas os noturnos olhos negros dele encheram sua viso. Ento ele se afastou, e ela conseguiu respirar novamente. A 
melancolia do tico assentou sobre ela.
Seus olhos se fecharam e ela dormiu.


Ela acordou lentamente, reunindo informao sobre onde ela estava, pedao por pedao.
O tico de algum, pelo que parecia. O que ela estava fazendo aqui?
Ratos ou camundongos estavam lutando em algum lugar entre as pilhas de objetos colgados por lanolina, mas o som no a incomodava.
O trao mais fraco da luz plida aparecia nas beiradas da janela tapada. Elena empurrou seu cobertor improvisado e levantou-se para investigar.
Era definitivamente o tico de algum, e no o de algum que ela conhecia. Ela sentia como se tivesse estado doente por um longo tempo e tivesse acabado de acordar 
de sua doena. Que dia  hoje? ela se perguntou.
Ela conseguia ouvir vozes abaixo dela. Escada abaixo. Algo disse a ela para ser cuidadosa e silenciosa. Ela ficou com medo de fazer algum tipo de perturbao. Ela 
abriu a porta do tico calmamente sem fazer barulho e cuidadosamente desceu a escada. Olhando para baixo, ela conseguia ver a sala de estar. Ela a reconheceu; ela 
tinha sentado no otomano quando Alaric Saltzman tinha dado uma festa. Ela estava na casa dos Ramsey.
E Alaric Saltzman estava l embaixo; ela conseguia ver o topo da cabea cor de areia dele.
A voz dele a estarreceu. Aps um momento ela percebeu que era porque ele no soava estpido ou idiota ou como Alaric geralmente soava na aula. Ele no estava fluindo 
uma tagarelice psictico, tampouco. Ele estava falando fria e decisivamente com outros dois homens.
"Ela pode estar em qualquer lugar, at mesmo bem debaixo dos nossos narizes. Mais provvel fora da cidade, contudo. Talvez na floresta."
"Por que na floresta?" disse um dos homens. Elena conhecia essa voz, tambm, e aquele careca. Era o Sr. Newcastle, o diretor da escola.
"Lembre-se, as primeiras duas vtimas foram achadas perto da floresta," disse o outro homem.
Era o Dr. Feinberg? Elena pensou. O que ele estava fazendo aqui? O que eu estou fazendo aqui?
"No,  mais do que isso," Alaric dizia. Os outros homens estavam escutando-o com respeito, at mesmo com deferncia. "A floresta est conectada a isso. Eles podem 
ter um esconderijo l, uma toca onde podem entrar se forem descobertos. Se houver um, eu acharei."
"Tem certeza?" disse o Dr. Feinberg.
"Tenho certeza," Alaric disse brevemente.
"E  onde voc acha que Elena est," disse o diretor. "Mas ela ficar l? Ou ela voltar para a cidade?"
"Eu no sei." Alaric marchou alguns passos e pegou um livro de uma mesinha de centro, correndo seu dedo por ele distraidamente.
"Um jeito de descobrir  observar as amigas dela. Bonnie McCullough e aquela garota de cabelos escuros, Meredith. As chances so de que elas sero as primeiras a 
verem-na.  assim que geralmente acontece."
"E uma vez que ns a tenhamos localizado?" Dr. Feinberg perguntou.
"Deixe isso comigo," Alaric disse silenciosa e carrancudamente. Ele fechou o livro e o derrubou na mesinha de centro com um som perturbadoramente conclusivo.
O diretor espiou seu relgio. " melhor eu ir andando; a cerimnia comea as dez. Presumo que ambos estaro l?" Ele parou a caminho da porta e olhou para trs, 
sua postura irresoluta. "Alaric, espero que cuide disso. Quando eu te chamei, as coisas no tinham chegado a esse ponto. Agora eu estou comeando a me perguntar-"
"Eu consigo cuidar disso, Brian. Eu te disse; deixe comigo. Voc prefereria ter a Robert E. Lee em todos os jornais, no apenas como cenrio da tragdia mas tambm 
como 'A Escola Mal-Assombrada do Condado de Boone.'? Um lugar de reunio para demnios? A escola onde os mortos-vivos andam?  esse o tipo de publicidade que voc 
quer?"
O Sr. Newcastle hesitou, mordendo seu lbio, ento acenou, ainda parecendo infeliz. "Tudo bem, Alaric. Mas faa isso rpido e de forma limpa. Te verei na Igreja." 
Ele saiu e o Dr. Feinberg o seguiu.
Alaric ficou de p l por algum tempo, aparentemente encarando o vazio. Por fim ele acenou uma vez e ele prprio saiu pela porta da frente.
Elena lentamente arrastou-se de volta escada acima.
Agora, o que fora tudo isso? Ela se sentia confusa, como se estivesse flutuando livre no tempo e no espao. Ela precisava saber que dia era, por que ela estava aqui, 
e por que ela se sentia to assustada. Por que ela sentia to intensamente que ningum devia v-la ou ouv-la por not-la.
Olhando ao redor do tico, ela no viu nada que lhe daria alguma ajuda. Onde ela estava deitada havia apenas o colcho e a lanolina - e um livrinho azul.
Seu dirio! Avidamente, ela o agarrou e o abriu, pulando as entradas.
Elas paravam no dia 17 de outubro; elas no ajudavam a descobrir a data de hoje. Mas enquanto ela olhava para a escrita, imagens formaram na sua mente, pendurando-se 
como prolas para formar memrias. Fascinada, ela lentamente sentou-se no colcho. Ela folheou de volta para o comeo e comeou a ler sobre a vida de Elena Gilbert.
Quando ela terminou, ela estava fraca com medo e terror. Pontos brilhantes danaram e cintilaram perante seus olhos. Havia tanta dor naquelas pginas. Tantos esquemas, 
tantos segredos, tanta necessidade. Era a histria de uma garota que se sentia perdida em sua prpria cidade natal, em sua prpria famlia. Que estivera procurando 
por... algo, algo que ela nunca conseguia alcanar. Mas no foi isso que causava esse pnico palpitante em seu peito que drenava toda a energia de seu corpo. No 
era por causa disso que ela sentia como se estivesse caindo mesmo estando sentada to retamente quanto conseguia. O que causava o pnico era que ela se lembrava.
Ela se lembrava de tudo.
Da ponte, da gua corrente. Do horror a medida que o ar deixava seus pulmes e no havia nada alm de lquido para respirar. O jeito como tinha machucado. E o instante 
final quando tinha parado de machucar, quando tudo tinha parado. Quando tudo... parara.
Ah, Stefan, eu estava to assustada, ela pensou. E o mesmo medo estava dentro dela agora. Na floresta, como ela pde ter se comportado daquela maneira com Stefan? 
Como ela pde ter se esquecido dele, de tudo que ele significava para ela? O que a tinha feito agir dessa maneira?
Mas ela sabia. No centro de seu consciente, ela sabia. Ningum levantava e andava de um afogamento assim. Ningum levantava e andava viva.
Lentamente, ela levantou e foi olhar pela janela tapada. O painel escurecido de vidro agia como um espelho, jogando reflexos de volta a ela.
No era o reflexo que ela vira em seu sonho, onde ela tinha percorrido um corredor de espelhos que pareciam ter vida prpria. No havia nada dissimulado ou cruel 
nesse rosto. Mesmo assim, estava sutilmente diferente do que ela estava acostumada a ver.
Havia um brilho plido em sua pele e um vazio notvel em seus olhos. Elena tocou com as pontas dos dedos em seu pescoo, de ambos os lados. Foi onde Stefan e Damon 
tinham ambos tomado seu sangue. Tinham realmente sido vezes o bastante, e ela tinha realmente tomado o bastante deles em troca?
Deve ter sido. E agora, pelo resto da sua vida, pelo resto da sua existncia, ela teria que se alimentar como Stefan se alimentava. Ela teria que...
Ela afundou em seus joelhos, pressionando sua testa contra a madeira nua de uma parede. Eu no posso, ela pensou.
Ah, por favor, eu no posso; eu no posso.
Ela nunca havia sido muito religiosa. Mas das profundezas dela, seu horror estava fluindo, e cada partcula de seu ser juntou-se em um grito por ajuda. Ah, por favor, 
ela pensou. Ah, por favor, por favor, me ajude. Ela no pediu por nada especfico; ela no conseguia reunir seus pensamentos tanto assim. S: Ah, por favor me ajude, 
ah por favor, por favor.
Aps um momento ela se levantou novamente.
Seu rosto ainda estava plido mas assustadoramente lindo, como porcelana fina iluminada de dentro. Seus olhos ainda estavam manchados com sombras. Mas havia uma 
resoluo neles.
Ela tinha que encontrar Stefan. Se houvesse alguma esperana para ela, ele saberia. E se no houvesse... bem, ela precisava ainda mais dele. No havia nenhum outro 
lugar que ela queria estar exceto com ele.
Ela fechou a porta do tico cuidadosamente atrs dele enquanto saia. Alaric Saltzman no podia descobrir seu esconderijo. Na parede, ela viu um calendrio com os 
dias at 4 de dezembro riscados. Quatro dias desde a ltima noite de sbado. Ela tinha dormido por quatro dias.
Quando ela alcanou a porta da frente, ela se encolheu da luz do dia do lado de fora. Machucava.
Mesmo o cu estando to nublado que chuva ou a neve pareciam iminentes, machucava os olhos dela. Ela teve que se forar a deixar a segurana da casa, e ento ela 
sentiu uma parania torturante sobre ficar exposta do lado de fora. Ela escapou ao lado de cercas, ficando prxima a rvores, pronta para derreter nas sombras. Ela 
prpria se sentia como uma sombra - ou um fantasma, com o longo vestido branco de Honoria Fell. Ela deixaria qualquer um que a visse de cabelos em p.
Mas toda sua circunspeco pareceu um desperdcio. No havia ningum nas ruas para v-la; a cidade podia ter sido abandonada. Ela passou por casas aparentemente 
desertas, jardins abandonados, lojas fechadas. Logo em seguida ela viu carros estacionados alinhando a rua, mas eles estavam vazios, tambm.
E ento ela viu uma forma contra o cu que a fez parar de andar. Um campanrio, branco contra as pesadas nuvens escuras. As pernas de Elena tremeram enquanto ela 
se forou a deslizar para mais perto do edifcio. Ela conhecera essa Igreja por toda a sua vida; ela tinha visto a cruz gravada naquela parede mil vezes. Mas agora 
que ela se aproximava dela era como se um animal preso fosse se soltar e mord-la. Ela pressionou uma mo na parede de pedra e escorregou-a para cada vez mais perto 
do smbolo entalhado.
Quando seus dedos esticados tocaram o brao da cruz, seus olhos se encheram e sua garganta doeu. Ela deixou sua mo deslizar por ela at que cobriu gentilmente a 
gravao.
Ento ela se inclinou contra a parede e deixou as lgrimas sarem.
Eu no sou malvada, ela pensou. Eu fiz coisas que no devia. Eu pensei muito em mim mesma; eu nunca agradeci Matt e Bonnie e Meredith por tudo que fizeram por mim. 
Eu devia ter brincado mais com Margaret e ter sido mais boazinha com a tia Judith. Mas eu no sou malvada. Eu no sou amaldioada.
Quando ela conseguiu enxergar novamente, ela olhou para cima para o edifcio. O Sr. Newcastle tinha dito algo sobre a Igreja. Era essa a qual ele se referia?
Ela evitou a frente da Igreja e a entrada principal. Havia uma porta lateral que levava ao trifrio, e ela deslizou pelas escadas sem fazer barulho e olhou para 
baixo da galeria.
Ela viu de uma s vez porque as ruas tinham estado to vazias. Parecia que todos em Fell's Church estavam aqui, cada assento em cada banco da igreja preenchido, 
e os fundos da Igreja lotado completamente com pessoas de p. Encarando as fileiras da frente, Elena percebeu que ela reconhecia cada rosto; eles eram membros da 
turma dos veteranos, e os vizinhos, e amigos da tia Judith. Tia Judith estava l, tambm, usando o vestido preto que ela tinha usado no funeral dos pais de Elena.
Ai, meu Deus, Elena pensou. Seus dedos agarraram o corrimo. At agora ela estivera ocupada demais olhando para escutar, mas a monotonia silenciosa da voz do Reverendo 
Bethea solveu-se repentinamente em palavras.
"... partilhas nossas lembranas dessa garota muito especial," ele disse, e moveu-se para o lado.
Elena observou o que aconteceu depois com uma sensao sobrenatural de que ela tinha um assento de camarote na pea. Ela no estava de maneira alguma envolvida nos 
eventos l embaixo no palco; ela era somente uma espectadora, mas era a vida dela que ela estava assistindo.
O Sr. Carson, pai de Sue Carson, subiu e falou sobre ela. Os Carsons a conheciam desde que ela nascera, e ele contava sobre os dias que ela e Sue tinham brincado 
no jardim da frente deles no vero. Ele contava sobre a jovem linda e realizada que ela tinha se tornado. Ele ficou com um caroo em sua garganta e teve que parar 
e tirar seus culos.
Sue Carson subiu. Ela e Elena no eram amigas prximas desde o ensino fundamental, mas elas ainda se davam bem.
Sue tinha sido uma das poucas garotas que ficara do lado de Elena depois que Stefan ficara sob suspeita no assassinato do Sr. Tanner. Mas agora Sue estava chorando 
como se tivesse perdido uma irm.
"Muitas pessoas no foram legais com a Elena depois do Dia das Bruxas," ela disse, limpando seus olhos e continuando. "E eu sei que isso a magoou. Mas Elena era 
forte. Ela nunca mudava s para satisfazer o que as outras pessoas achavam que ela deveria ser. E eu a respeito por isso, tanto..." a voz de Sue hesitou. "Quando 
eu estava concorrendo a Rainha das Boas-Vindas, eu queria ser escolhida, mas eu sabia que no seria e estava tudo bem. Porque se a Robert E. Lee j teve uma rainha, 
foi Elena. E eu acho que ela sempre ser agora, porque  assim que iremos lembrar dela. E eu acho que nos prximos anos as garotas que forem para nossa escola talvez 
se lembraro dela e pensaro sobre como ela manteve-se fiel quilo que achava que era certo..." Dessa vez Sue no conseguiu nivelar sua voz e o reverendo levou-a 
de volta para seu assento.
As garotas na turma dos veteranos, mesmo aqueles que tinham sido as mais indecentes e vingativas, estavam chorando e dando as mos.
Garotas que Elena sabia com certeza que a odiavam estavam fungando. De repente ela era a melhor amiga de todo mundo.
Havia garotos chorando, tambm. Chocada, Elena contraiu-se para mais perto do corrimo. Ela no conseguia parar de assistir, mesmo sendo a coisa mais horrvel que 
ela j tenha visto.
Frances Decatur levantou, seu rosto comum mais comum do que nunca com o luto. "Ela saiu do seu caminho para ser legal comigo," ela disse roucamente. "Ela me deixou 
almoar com ela."
Tolice, Elena pensou. Eu s falei com voc em primeiro lugar porque voc era til em achar informao sobre o Stefan. Mas era o mesmo com cada pessoa que subiu no 
plpito; ningum conseguia achar palavras o suficiente para enaltecer Elena.
"Eu sempre a admirei..."
"Ela era um dolo para mim..."
"Uma das minhas estudantes favoritas..."
Quando Meredith se levantou, o corpo todo de Elena endureceu. Ela no sabia se conseguia lidar com isso. Mas a garota de cabelo escuro era uma das poucas pessoas 
na Igreja que no estava chorando, apesar de seu rosto ter um olhar srio e triste que lembrava Elena de Honoria Fell como ela parecia em sua tumba.
"Quando eu penso na Elena, eu penso nos bons tempos que tivemos juntas," ela disse, falando silenciosamente e com seu costumeiro auto-controle.
"Elena sempre tinha ideias, e ela conseguia transformar o trabalho mais chato em uma diverso. Eu nunca disse isso a ela, e agora eu queria ter dito. Eu queria falar 
com ela mais uma vez, s para que ela soubesse. E se Elena pudesse me ouvir agora"- Meredith olhou ao redor da Igreja e tomou um longo flego, aparentemente para 
se acalmar- "se ela pudesse me ouvir agora, eu diria a ela o quanto esses bons tempos significaram para mim,  e o quanto eu desejo que ainda os pudessemos ter. Como 
as noites de quinta em que costumvamos sentar juntas no quarto dela, praticando pro grupo de debate. Eu queria que pudssemos fazer isso s mais uma vez como costumvamos."
Meredith tomou outro longo flego e balanou sua cabea. "Mas eu no posso, e isso que machuca."
Do que voc est falando? Elena pensou, seu infortnio interrompido pelo estupefamento. Ns costumvamos praticar para o grupo de debate nas noites de quarta, no 
quinta. E no era no meu quarto; era no seu. E no era divertido coisa algum; de fato, ns acabamos desistindo porque ambas odivamos aquilo...
De repente, observando o rosto cuidadosamente composto de Meredith, to calmo do lado de fora para cobrir a tenso dentro, Elena sentiu seu corao comear a golpear.
Meredith estava mandando uma mensagem, uma mensagem que s Elena seria capaz de entender.
O que queria dizer que Meredith esperava que Elena fosse capaz de ouv-la.
Meredith sabia.
Stefan tinha contado a ela? Elena escaneou as fileiras abaixo de pessoas em luto, percebendo pela primeira vez que Stefan no estava entre elas. Nem Matt. No, no 
parecia provvel que Stefan tivesse contado a Meredith, ou que Meredith tivesse escolhido esse jeito de fazer uma mensagem chegar a ela se ele tivesse. Ento Elena 
se lembrou do jeito que Meredith olhara para ela na noite que elas resgataram Stefan do poo, quando Elena pediu para ser deixado sozinha com Stefan.
Ela lembrava-se daqueles afiados olhos escuros estudando seu rosto mais de uma vez nos ltimos meses, e do jeito como Meredith parecia ficar mais silenciosa e pensativa 
cada vez que Elena aparecia com um pedido estranho.
Meredith tinha adivinhado ento. Elena se perguntava quanto da verdade ela tinha juntado.
Bonnie estava subindo agora, chorando sinceramente. Isso era surpreendente; se Meredith sabia, por que ela no tinha contado a Bonnie? Mas talvez Meredith tivesse 
apenas uma suspeita, algo que ela no queria dividir com Bonnie no caso de ser apenas uma esperana falsa.
O discurso de Bonnie foi to emocional quanto o de Meredith tinha sido controlado. Sua voz ficava falhando e ela ficava tendo que afastar as lgrimas de suas bochechas. 
Finalmente o Reverendo Bethea foi at l e deu-lhe algo branco, um leno ou algum lencinho de papel.
"Obrigada," Bonnie disse, limpando seus olhos jorrantes. Ela inclinou sua cabea para trs para olhar para o teto, ou para reganhar seu equilbrio ou para pegar 
inspirao. Quando ela o fez, Elena viu algo que ningum conseguiu ver: ela viu o rosto de Bonnie se esvair de cor e expresso, no como algum prestes a desmaiar, 
mas de um jeito que era familiar demais.
Um arrepio passou pela espinha de Elena. No aqui. Ah, Deus, de todas as horas e lugares, no aqui.
Mas j estava acontecendo. O queixo de Bonnie se abaixou; ela estava olhando para a congregao novamente. Exceto que dessa vez ela no parecia v-los de modo algum, 
e a voz que vinha da garganta de Bonnie no era a voz de Bonnie.
"Ningum  o que aparenta. Lembrem-se disso. Ningum  o que aparenta." Ento ela simplesmente ficou ali, sem se mover, encarando diretamente para frente com olhos 
vazios.
As pessoas comearam a se mover e olharem uma para outra. Houve um murmrio de preocupao.
"Lembrem-se disso - lembrem-se - ningum  o que aparentam..." Bonnie oscilou repentinamente, e o Reverendo Bethea correu para ela enquanto outro homem precipitava-se 
do outro lado.
O segundo homem tinha uma careca que estava agora brilhando de suor - o Sr. Newcastle, Elena percebeu.E l nos fundos da Igreja, caminhando pela nave, estava Alaric 
Saltzman. Ele alcanou Bonnie justo quando ela desmaiou, e Elena ouviu um passo atrs dela na escada.















Capitulo 5


"O doutor Feinberg", pensou Elena frentica, tentando se retorcer para olhar e se afundar simultaneamente nas sombras. Mas no foi o rosto pequeno e o nariz de gavio 
do doutor que apareceu ante seus olhos. O tempo ser suspendeu por um momento e logo depois Elena estava em seus braos.
-Ah, Stefan, Stefan...
Sentiu como o corpo dele ficava rgido pelo sobressalto e como a sujeitava mecanicamente, ligeiramente, como se fosse uma desconhecida que o havia confundido com 
outra pessoa.
-Stefan - repetiu ela desesperada, afundando o rosto em seu ombro enquanto tentava conseguir alguma reao.
No podia suportar que ele a rejeitava; se ele a odiava agora, ela morreria...
Com um gemido, tentou estar ainda mais abraada a ele, desejou fundir-se por completo nele, desaparecer em seu interior. "Ah, por favor", pensou, "ah, por favor, 
ah, por favor...
-Elena, est tudo bem. Estou com voc.
Continuou falando, repetindo bobagens carinhosas pensadas para tranqiliza-la, de vez em quando acariciava seus cabelos. E ela pde perceber a mudana quando os 
braos dele se estreitaram com mais fora. Ele sabia quem abraava naquele momento. Pela primeira vez, desde que acordara nesse dia, Elena se sentia a salvo. No 
obstante, transcorreu um bom tempo antes que pudesse relaxar as mos que o sujeitavam, ainda que s ligeiramente. No chorava; expressava pressa e pnico.
Por fim, sentiu que o mundo comeava a consolidar-se a seu redor. No se soltou, ainda no. Simplesmente permaneceu ali durante um sem-fim de minutos com a cabea 
sobre seu ombro, absorvendo o consolo e a segurana de sua proximidade. 
Logo levantou a cabea para olha-lo nos olhos.
Ao pensar em Stefan nas primeiras horas daquele dia, pensara em como ele podia ajuda-la. Sua inteno fora de lhe perguntar, lhe suplicar que a salvasse daquele 
pesadelo, que fosse com era antes. Mas, naquele momento, enquanto a olhava, sentiu que uma estranha resignao desesperanosa flua por ela.
-No h nada que possa fazer, no ? - inquiriu com a voz muito pausada.
Ele no fingiu ignorar o que queria dizer.
-No - respondeu com a voz igualmente pausada.
Elena sentiu como se tivesse dado um passo definitivo para o outro lado de uma linha invisvel e no tivesse como voltar. Quando pde voltar a falar, disse:
-Lamento o modo como agi com voc no bosque. No sei porque fiz essas coisas. Lembro de t-las feito, mas no consigo lembrar por que.
-Do que voc lamenta? - a voz dele tremia. - Elena, depois de tudo que fiz a voc, de tudo que aconteceu devido a mim... - No pde terminar e abraaram um ao outro.
-Muito comovente - disse uma voz das escadas. - Quer que eu imite um violino?
A calma de Elena se desfez e o medo serpenteou pela sua corrente sangnea. Esquecera a hipntica intensidade de Damon e seus ardentes olhos negros.
-Como chegou aqui? - inquiriu Stefan.
-Do mesmo modo que voc, suponho. Atrado pelo chamativo sinal de aflio de Elena.
Damon estava realmente irritado; Elena se deu conta disso. No simplesmente irritado ou incomodado, mas sim, clera e hostilidade em vermelho vivo.
Mas fora gentil com ela quando se mostrara confusa e irracional. Levara a um lugar onde ficasse; a manteve a salvo. E no a havia beijado enquanto ela se encontrava 
naquele horripilante estado de vulnerabilidade. Fora... amvel com ela.
-Com certeza, algo acontece a embaixo - comentou Damon.
-Eu sei;  Bonnie outra vez - disse Elena, soltando-se de Stefan e retrocedendo.
-No me refiro a isso, e sim, a o que ocorre l fora.
Sobressaltada, Elena o seguiu escada abaixo at o ultimo degrau, onde havia uma janela que dava para o estacionamento. Sentiu Stefan atrs dela enquanto olhava para 
baixo, para a cena que se desenrolava a seus ps.
Um monte de gente sara da igreja e formava uma slida falange no extremo do estacionamento, sem avanar mais. Em frente a eles, no estacionamento mesmo, havia uma 
reunio igualmente grande de cachorros.
Pareciam dois exrcitos cara a cara. No obstante, o que resultava inquietante era que ambos os grupos estavam totalmente imveis. As pessoas pareciam paralisadas 
e os cachorros pareciam aguardar alguma coisa.
Elena viu os cachorros primeiro como diferentes rosnados. Havia cachorros pequenos como corgis de cara afinada, terriers de sedoso pelo castanho e negro e um lhasa 
apso com um longo cabelo dourado. Havia cachorros de tamanho mdio como springer spaniels e aireadles e um lindo samoyedo branco como a neve. E havia cachorros grandes: 
um rottweiler fornido com o pelo cortado, um wolfhound cinza que latia e um schnauzer gigante, totalmente preto. Logo depois comeou a reconhece-los individualmente.
-Aquele  o boxer do sr. Grunbaum e ali est o pastor alemo dos Sullivan. Mas, o que est acontecendo?
As pessoas, a princpio inquietas, pareciam agora assustadas. Se mantinham ombro a ombro, sem que ningum quisesse abandonar a primeira linha e se aproximar mais 
dos animais.
Entretanto, os cachorros na realidade no faziam nada, simplesmente estavam sentados ou de p, alguns com a lngua pendurada em um leve balanceio. "O mais estranho 
era o quo imveis estavam", se disse Elena. Cada menor movimento, com a mais imperceptvel crispao do rabo ou das orelhas, parecia enormemente exagerado. E no 
se viam rabos em movimento nem sinais amistosos. Simplesmente... esperavam.
Robert estava mais ou menos na parte posterior do grupo de pessoas. Elena se surpreendeu em v-lo, mas por um momento no entendeu o motivo. Logo compreendeu que 
era devido a ele no ter estado na igreja. Enquanto ela observava, ele se afastou mais do grupo e desapareceu abaixo do parapeito situado por baixo de onde Elena 
estava.
-Chelsea! Chelsea...
Algum havia abandonado a primeira fila por fim. Era Douglas Carson, notou Elena, o irmo mais velho, casado, de Sue Carson. Havia penetrado na terra de ningum 
situada entre os cachorros e as pessoas, com uma mo ligeiramente extendida...
Um springer spaniel de orelhas longas que pareciam de cetim marrom virou a cabea. O branco toco que era o rabo se estremeceu levemente, inquisitivo, e o toquinho 
castanho e branco se levantou. Mas a cadela no se aproximou do jovem.
Doug Carson deu outro passo.
-Chelsea... boa garota. Vem aqui, Chelsea. Vem! - estalou os dedos.
-Voc entende os cachorros a embaixo? - murmurou Damon.
Stefan moveu negativamente a cabea sem tirar os olhos da janela.
-Nada - disse em tom sucinto.
-Tampouco eu - os olhos de Damon estavam entrecerrados, a cabea ladeada para trs, evasiva, ainda que os dentes levemente descobertos faziam Elena se lembrar dos 
do wolfhound. - Mas poderamos fazer isso, voc sabe. Deveriam ter algumas emoes para captar. Em vez disso, cada vez que tento sonda-los  como se chocar em uma 
parede branca sobre branco.
Elena queria saber do que falavam.
-O que quer dizer com "sonda-los"? - perguntou. - So animais.
-As aparncias enganam - revidou Damon em tom irnico e Elena nos reflexos em forma de arco-ris nas penas do corvo que a havia seguido desde o primeiro dia de escola. 
Se olhasse com ateno, podia ver aqueles mesmos reflexos de arco-ris no sedoso cabelo de Damon. - Mas animais tem emoes, em todo o caso. Se seus poderes so 
o bastante fortes, pode examinar suas mentes.
"E os meus no so", pensou Elena. A sobressaltou a pontada de inveja que a percorreu. Apenas uns poucos minutos antes estava abraada a Stefan, desejando freneticamente 
se desfazer de qualquer tipo de poderes que tivesse, desejando voltar a ser como antes. E agora desejava que fosse mais potente. Damon sempre tinha um efeito sobre 
ela.
-Eu posso no se capaz de sondar Chelsea, mas no acho que Doug deva se aproximar mais - disse em voz alta.
Stefan havia estado olhando fixamente a janela, com o cenho franzido, e agora assentiu levemente, mas com uma repentina sensao de urgncia.
-Eu tambm - disse.
-Vamos, Chelsea, seja uma boa garota. Venha aqui.
Doug Carson alcanara a primeira fila de cachorros. Todos os olhos, humanos e caninos, estavam fixos nele, e inclusive movimentos to pequenos quanto pequenos tremores 
haviam parado. Se Elena no tivesse visto os lados de um ou dois cachorros que se afundavam e inchavam ao respirar, podia ter pensado que todo o grupo era uma exibio 
gigante de um museu.
Doug se deteve. Chelsea o observava de trs do corgi e do samoyedo. Doug estalou a lngua. Esticou a mo, vacilou, e ento a esticou mais.
-No - disse Elena.
A garota contemplava fixamente a silhueta lustrosa do rottweiler. Se afundavam e inchavam, se afundavam e inchavam.
-Stefan, o influencie. Tire-o dali.
-Sim.
Viu como sua olhada se desfocava devido a concentrao. Logo, Stefan sacudiu negativamente a cabea, exalando como algum que tentou levantar algo muito pesado.
-No consigo; estou esgotado. No posso fazer daqui.
Abaixo, os lbios de Chelsea se afastaram para trs para mostrar os dentes. A aireadle vermelha e dourada se ps em p em um movimento de suma elegncia, como se 
fios fossem tirados dela. Os quadris traseiros do rottweiler se contraram.
E ento saltaram. Elena no viu qual dos cachorros foi o primeiro; pareceram se mover juntos como uma enorme onda. Meia dzia deles caram sobre Doug Carson com 
fora o suficiente para derruba-lo de costas, e este desapareceu embaixo dos seus corpos amontoados.
O ar se encheu de um rudo infernal, desde latidos metlicos que pareciam tremer as vigas da igreja e produziram a Elena uma dor de cabea instantnea at os guturais 
grunhidos seguidos que ela sentiu mais do que escutou. Os cachorros arrancavam a roupa, grunhiam, se balanavam, enquanto a multido se empertigava e gritava.
Elena pde ver Alaric Saltzman no extremo do estacionamento, o nico ali que no corria. Estava de p muito rgido e parecia que movia os lbios e as mos.
Em todos os outros lugares era caos. Algum havia conseguido uma mangueira e a dirigia contra o grupo mais macio, mas no causava nenhum efeito. Os cachorros pareciam 
ter enlouquecido. Quando Chelsea levantou o focinho castanho e branco do corpo de seu dono, estava vermelho.
O corao de Elena batia de tal modo que a garota s podia respirar.
-Precisam de ajuda! - gritou justo quando Stefan se afastava violentamente da janela e ia escada abaixo, abaixando-as de duas em duas e trs em trs.
Elena havia descido metade da escada quando ela percebeu duas coisas: Damon no a seguia e ela no podia se deixar ser vista.
A verdade era que no podia. A histeria que provocaria, as perguntas, o medo e o dio uma vez que respondesse as perguntas... Algo que acontecia mais profundamente 
que a compaixo, a lstima ou a necessidade de ajudar a atirou para trs, arrastando-se contra a parede.
No pouco iluminado e fresco interior da igreja distinguiu uma bolsa efervescente de atividade. As pessoas corriam a toda velocidade de um lado para o outro, gritando. 
O dr. Feinberg, o sr. McCullough, o reverendo Bethea. O ponto imvel do grupo era Bonnie, tombada sob um banco e com Meredith, tia Judith e a sra. McCullough inclinadas 
sobre ela. "Algo maligno", gemia, e ento a cabea de tia Judith se levantou, virando em direo a Elena.
Elena escapou escada acima to rpido como pde, rezando para que sua tia a tivesse visto. Damon estava junto a janela.
-No posso descer. Acham que eu estou morta!
-Oh, voc se lembrou disso. Bom para voc.
-Se o dr. Feinberg me examinar, saber que algo no vai bem. Bom, saber? - exigiu com ferocidade.
-Pensar que  um espcime interessante, acredito.
-Ento no posso ir. Mas voc pode. Por que no faz alguma coisa?
Damon seguiu olhando pela janela e suas sobrancelhas levantaram.
-Por que?
-Como por que? - a grande preocupao e a excitao de Elena alcanaram o ponto mximo e quase o esbofeteou. - Porque precisam de ajuda! Porque voc pode ajudar. 
No se importa com ningum alm de si mesmo?
Damon luzia sua mscara mais indestrutvel, a expresso de educada inquisio que havia mostrado quando se convidou para jantar na casa de Elena. Mas ela sabia que 
debaixo daquela mscara estava furioso, furioso por ter encontrado Stefan e ela juntos. A atormentava de propsito e com selvagem divertimento.
E ela no podia evitar reacionar daquele modo, com uma clera frustrada e impotente. Foi at ele, e ele a segurou pelos pulsos e a manteve a distncia, seus olhos 
entediados nela. A sobressaltou ouvir o som que surgiu de seus prprios lbios ento; era um chiado que parecia mais felino que humano. Reparou que tinha os dedos 
curvados como garras.
"O que estou fazendo? Ataca-lo porque no quer defender as pessoas dos cachorros que os esto atacando? Que sentido tem isso?". Respirando com dificuldade, relaxou 
as mos e umedeceu os lbios. Retrocedeu e ela a soltou.
Houve um longo momento enquanto olhavam um para o outro.
-Vou descer - anunciou Elena em voz pausada e se virou.
-No.
-Precisam de ajuda.
-Tudo bem, ento, maldita seja. - Jamais havia ouvido a voz de Damon soar to pausada e furiosa. - Eu... - interrompeu e Elena, virando-se rapidamente, o viu estalar 
um punho contra o parapeito da janela, fazendo o vidro vibrar.
Mas a ateno de Damon estava l fora e sua voz estava perfeitamente serena quando disse em tom seco:
-A ajuda chegou.
Eram os bombeiros. Suas mangueiras eram muito mais potentes que a mangueira do jardim e os jorros de gua, a presso empurrou os cachorros para trs com sua terrvel 
potencia. Elena viu um xerife com uma arma e se mordeu o interior da bochecha quando ela apontou e ajustou a mira. Se escutou um estalido e o schnauzer gigante caiu 
abatido. O xerife voltou a apontar.
Finalizou rapidamente depois disso. Vrios cachorros j corriam, fugindo dos jorros d'gua, e com o segundo estampido da pistola, muitos mais abandonaram o ataque 
e iam at os extremos do estacionamento. Era como se o propsito que os havia guiado os tivesse soltado todos de uma vez. Elena sentiu uma onda de alivio ao ver 
Stefan de p, ileso, no meio da debandada, empurrando um golden retriever de aspecto atordoado longe da figura de Doug Carson. Chelsea deu um passo na ponta das 
patas at a figura de seu dono e olhou o rosto deixando cair a cabea e o rabo.
-Tudo terminou - anunciou Damon.
Soou s levemente interessado, mas Elena o viu com vivacidade. "Tudo bem, ento, maldita seja. Eu... o que?" O que tinha estado a ponto de dizer. Ele no estava 
com humor para dizer, mas ela sim estava com humor para insistir.
-Damon... - pousou uma mo sobre seu brao.
Ele ficou rgido, ento se virou para ela.
-Bem?
Por um momento permaneceram olhando um para o outro e ento escutaram passos na escada. Stefan tinha voltado.
-Stefan... est ferido? - disse ela tagarelando, repetinamente, desorientada.
-Estou perfeito - limpou o sangue da bochecha com uma manga esfarrapada.
-Como est Doug? - perguntou Elena tragando saliva.
-No sei. Est ferido. Tem muita gente ferida. Essa foi a coisa mais estranha que eu j vi.
Elena se afastou de Damon e subiu a escada para entrar na galeria de coro. Sentia que devia pensar, mas sua cabea martelava. A coisa mais estranha que Stefan j 
vira..., isso era dizer muito. Algo estranho ocorria em Fell's Church.
Alcanou a parede atrs da ltima fileira de assentos e pousou a mo sobre ela, se deixando cair at estar sentada no cho. As coisas pareciam cada vez confusas 
e aterradoramente claras. Algo estranho ocorria em Fell's Church. No dia da festa do fundador havia jurado que no se importava nada da cidade ou das pessoas que 
viviam ali. Enquanto abaixava a vista para contemplar o funeral, havia comeado a pensar que talvez se importasse. E logo, quando os cachorros o haviam atacado l 
fora, ela sabia. Se sentia de algum modo responsvel pela cidade, de um modo como nunca se sentira.
Seu anterior sentimento de desconsolo e solido haviam ficado de lado por um tempo. Agora havia algo mais importante que seus prprios problemas. E se agarrou a 
aquilo, porque a verdade era que na realidade era incapaz de lidar com sua prpria situao. No, realmente, realmente no podia...
Ouviu o meio soluo sufocado que emitiu e ao levantar os olhos viu Stefan e Damon na galeria do coro, olhando-a. Sacudiu ligeiramente a cabea, apoiando uma mo 
contra ela, sentindo como se sasse de um sonho.
-Elena...?
Foi Stefan que falou, mas Elena se dirigiu ao outro irmo.
-Damon - disse com a voz insegura -, se perguntasse a voc uma coisa, me diria a verdade? Sei que no foi voc que me perseguiu at a ponte Wickery. Pude perceber 
o que fosse que era, e era diferente. Mas quero perguntar isso: foi voc quem jogou Stefan em um poo de Franchet h um ms?
-Em um poo?
Damon se encostou contra a parede oposta, com os braos cruzados sobre o peito; parecia educadamente incrdulo.
-Na noite do Halloween, na noite que mataram o sr. Tanner. Depois que apareceu pela primeira vez para Stefan no bosque. Me disse que deixou voc na clareira e comeou 
a andar at o carro, mas que algum o atacou antes de que o alcanasse. Quando acordou, estava preso em um poo, e tinha morrido se no fosse Bonnie que nos levasse 
at ele. Sempre assumi que foi voc que o atacou. Ele sempre assumiu que foi voc o fez. Mas, foi voc?
O lbio de Damon se curvou, como se no gostasse da exigente intensidade da pergunta. Passou os olhos dela para Stefan com olhos entrecerrados e brincalhes. O momento 
se prolongou at o ponto que Elena teve que cravar as unhas nas palmas das mos pela tenso. Ento Damon se encolheu levemente de ombros e olhou a um ponto indeterminado 
situado mais alm.
-A verdade  que no - respondeu.
Elena soltou o ar que havia retido.
-No pode acreditar nisso! - estalou Stefan. - No pode acreditar em nada que ele diga.
-Por que teria que mentir? - replicou Damon, desfrutando, ao ver que Stefan perdia o controle. - Admito sem arrependimento ter matado Tanner. Bebi seu sangue at 
que se enrugou como uma uva passa. E no me importaria de fazer o mesmo contigo, irmo. Mas, um poo? No  precisamente meu estilo.
-Acredito em voc - disse Elena.
Sua mente pensava freneticamente. Virou a cabea para Stefan.
-No percebe? H algo mais aqui, em Fell's Church, algo que no podia ser sequer humano... que possa nunca ter sido humano, quero dizer. Algo que me caou, que empurrou 
o carro fora da ponte. Algo que fez que esses cachorros atacassem pessoas. Alguma fora terrvel que h aqui, algo maligno... - sua voz se apagou, e olhou mais alm, 
at o interior da igreja que havia visto Bonnie deitada. - Algo maligno... - repetiu em voz baixa.
Um vento frio pareceu soprar dentro dela e se encolheu contra si mesma, sentindo-se vulnervel e s.
-Se procura maldade - indicou Stefan com a voz dura - no precisa procurar muito longe.
-No seja mais estpido do que no pode evitar ser - disse Damon. - Disse a voc h quatro dias que outra pessoa havia matado Elena. E disse que ia encontra-lo e 
dar conta dele. E vou faze-lo. - Descruzou os braos e se ergueu. - Vocs dois podem continuar a conversa em particular que tinham quando os interrompi.
-Damon, espera.
Elena no pde evitar o calafrio que a percorreu quando ele disse "matado". "No podem ter me matado; ainda estou aqui", pensou, sentindo que o pnico voltava a 
crescer em seu interior. Mas nesse momento afastou o pnico para um lado para falar com Damon.
-O que seja essa coisa,  forte - disse ela. - O senti quando ia atrs de mim e parecia encher todo o cu. No acredito que nenhum de ns tenha a menor possibilidade 
contra ela s.
-E ento?
-E ento... - Elena no teve tempo de ordenar seus pensamentos at aquele ponto; se movia puramente por instinto, por intuio. E a intuio lhe dizia que no deixasse 
Damon ir. - E ento... que acredito que ns trs deveramos permanecer juntos. Acredito que temos maiores probabilidade de encontra-lo e dar conta dela juntos do 
que separados. E talvez possamos det-la antes que machuque... ou mate... algum mais.
-Francamente, minha querida, no me importa nem um pouco as outras pessoas - respondeu Damon em tom encantador; depois lhe dedicou seus glidos sorrisos relmpagos. 
- Mas, est sugerindo que essa  sua escolha? Lembre-se, ns concordamos que quando voc estivesse mais racional voc escolheria um.
Elena o olhou com firmeza. Era claro que essa no era sua escolha, se ele dizia no ponto de vista romntico. Luzia o anel que Stefan lhe dera; ela e Stefan pertenciam 
um ao outro.
Mas ento lembrou de algo mais; foi s algo fugaz: levantar os olhos at Damon no bosque e sentir tal... tal excitao, tal afinidade com ele. Como se ele compreendesse 
a chama que ardia em seu interior como ningum mais. Como se juntos pudessem fazer qualquer coisa que quisessem, conquistar o mundo ou destru-lo; como se fossem 
melhores do que todos que j viveram antes.
"Estava irracional", se disse, mas aquela pequena lembrana fugaz no queria desaparecer.
E depois lembrou de algo mais: o modo como Damon fora mais tarde aquela noite, como a havia mantido a salvo e inclusive tinha sido amvel com ela.
Stefan a olhava e sua expresso mudara de belicosidade para amarga clera e medo. Uma parte dela queria tranqiliza-lo por completo, rode-lo com os braos e dizer 
que era sua e sempre seria e que nada mais importava. Nem a cidade, nem Damon, nem ningum.
Mas no faria. Porque outra parte de seu ser que a cidade importava. E porque outra parte mais estava simplesmente confusa de um modo terrvel, terrvel. To confusa...
Sentiu que um terrvel tremor se iniciava no mais profundo de seu ser e logo descobriu que no podia det-lo. "Uma sobrecarga emocional", se disse, e afundou a cabea 
entre as mos.












Captulo 6


"Ela j fez sua escolha. Voc mesmo viu quando nos 'interrompeu'.
Voc j escolheu, no foi, Elena?" Stefan no disse isso presunosamente, ou demandando, mas com um tipo de bravata desesperada.
"Eu..." Elena olhou para cima. "Stefan, eu te amo. Mas voc no entende, se eu tivesse que escolher nesse instante eu escolheria que todos ns ficssemos juntos. 
S por ora. Voc entende?" Vendo apenas dureza no rosto de Stefan, ela se virou para Damon. "Voc entende?"
"Eu acho que sim." Ele lhe lanou um sorriso secreto e possessivo. "Eu disse a Stefan desde o comeo de que ele era egosta ao no compartilhar voc. Irmos deveriam 
dividir coisas, sabe."
"No foi isso o que eu quis dizer."
"No foi?" Damon sorriu novamente.
"No," Stefan disse. "Eu no entendo, e eu no vejo como voc pode me pedir para trabalhar com ele.
Ele  malvado, Elena. Ele mata por prazer; ele no tem conscincia alguma. Ele no liga para Fell's Church; ele mesmo disse isso. Ele  um monstro-"
"Nesse momento ele est sendo mais cooperativo que voc," Elena disse. Ela esticou a mo para pegar a de Stefan, procurando por algum modo chegar at ele. "Stefan, 
eu preciso de voc. E ambos precisamos dele. No pode tentar aceitar isso?" Quando ele no respondeu ela acrescentou, "Stefan, voc realmente quer ser inimigo mortal 
do seu irmo para sempre?"
"Voc realmente acha que ele quer outra coisa?"
Elena encarou suas mos entrelaadas, olhando para as superfcies e curvas e sombras.
Ela no respondeu por um minuto, e quando o fez foi muito silenciosamente.
"Ele me impediu de te matar," ela disse.
Ela sentiu a exploso da raiva defensiva de Stefan, ento sentiu-a lentamente se dissipar. Algo parecido com derrota arrastou-se sobre ele, e ele curvou sua cabea.
"Isso  verdade," ele disse. "E, de qualquer jeito, quem sou eu para cham-lo de malvado? O que ele fez que eu prprio no fiz?"
Ns precisamos conversar, Elena pensou, odiando essa auto-depreciao dele. Mas esse no  lugar nem a hora.
"Ento voc concorda?" ela disse hesitantemente. "Stefan, me diga o que est pensando."
"Nesse momento estou pensando que voc sempre consegue as coisas da sua maneira. Porque voc sempre consegue, no , Elena?"
Elena olhou em seus olhos, notando como as pupilas estavam dilatadas, aparecendo apenas um anel de ris verde na beirada.
No havia mais raiva ali, mas o cansao e a amargura permaneciam.
Mas eu no estou fazendo isso por mim mesma, ela pensou, enviando de sua mente o surto repentino de insegurana.
Eu te provarei isso, Stefan; voc vai ver. Para variar eu no estou fazendo algo para a minha prpria convenincia.
"Ento voc concorda?" ela disse silenciosamente.
"Sim. Eu... concordo."
"E eu concordo," disse Damon estendendo sua prpria mo com exagerada cortesia.
Ele capturou a de Elena antes que ela pudesse dizer alguma coisa. "De fato, todos parecemos estar em um furror de pura concordncia."
No, Elena pensou, mas no instante, de p no frio crepsculo do trifrio, ela sentiu que era verdade, que todos os trs estavam conectados, e de acordo, e fortes.
Ento Stefan puxou sua mo. No silncio que se seguiu, Elena conseguia ouvir os sons do lado de fora e na Igreja abaixo. Ainda havia choro e gritos ocasionais, mas 
a urgncia geral se fora. Olhando pela janela, ela viu pessoas tomando seus caminhos pelo estacionamento molhado entre os grupinhos que se reuniam ao redor das vtimas 
feridas. dr. Feinberg estava se movendo de ilha para ilha, aparentemente dispensando conselhos mdicos. As vtimas pareciam sobreviventes de um furaco ou um terremoto.
"Ningum  o que aparenta," Elena disse.
"O qu?"
"Foi isso que Bonnie disse durante o funeral. Ela teve outro de seus episdios. Eu acho que pode ser importante." Ela tentou organizar seus pensamentos. "Eu acha 
que h pessoas na cidade que devemos pesquisar sobre. Como Alaric Saltzman." Ela disse a eles, brevemente, o que ela tinha escutado mais cedo naquele dia na casa 
de Alaric. "Ele no  o que aparenta, mas eu no sei exatamente o que ele . Eu acho que devemos vigi-lo. E j que eu obviamente no posso aparecer em pblico, 
vocs dois tero que faz-lo. Mas no podem deix-lo suspeitar que vocs sabem-" Elena parou quando Damon levantou rapidamente uma mo.
Na base da escada, uma voz estava chamando. "Stefan? Voc est a?"
E ento, com outra pessoa, "Eu acho que o vi l em cima."
Soava como o Sr. Carson. "V," Elena sibilou quase inadiuvelmente para Stefan, "Voc tem que agir o mais normal possvel para que possa ficar aqui em Fell's Church. 
Vai ficar tudo bem."
"Mas onde voc vai?"
"Para a casa da Meredith. Eu explico mais tarde. V."
Stefan hesitou, e ento desceu as escadas, gritando, "Estou indo." Ento ele recuou. "Eu no vou te deixar com ele," ele disse categoricamente.
Elena lanou seus braos para cima com exasperao. "Ento saiam ambos. Vocs acabaram de concordar em trabalharem juntos; vo voltar atrs agora?" ela acrescentou 
para Damon, que estava parecendo inflexvel.
Ele deu outra de suas encolhidas de ombro. "Certo. S uma coisa - est com fome?"
"Eu - no." Com o estmago revirando, Elena percebeu o que ele estava perguntando. "No, nem um pouco."
"Isso  bom. Mas mais tarde, voc estar. Lembre-se disso." Ele comprimiu Stefan escada abaixo, ganhando um olhar abrasador.
Mas Elena ouviu a voz de Stefan em sua mente enquanto os dois desapareciam.
Eu irei at voc mais tarde. Espere por mim.
Ela desejou poder responder com seus prprios pensamentos. Ela tambm notou algo. A voz mental de Stefan estava muito mais fraca do que estivera h quatro dias quando 
ele lutara com seu irmo. Pensando nisso, ele no tinha sido capaz de falar de jeito algum com sua mente antes da celebrao do Dia do Fundador. Ela ficara to confusa 
quando acordara perto do rio que no havia pensando nisso, mas agora ela se perguntava. O que aconteceu para torn-lo to forte? E por que sua fora estava se esvaindo 
agora?
Elena teve tempo de pensar nisso enquanto sentava no trifrio deserto, enquanto abaixo as pessoas deixavam a Igreja e do lado de fora o cu nublado lentamente ficava 
mais escuro.
Ela pensou em Stefan, e em Damon, e se perguntou se fizera a escolha certa. Ela jurara nunca deix-los brigar por sua causa, mas esse juramento j estava quebrado. 
Ela estava maluca de tentar faz-los viver numa trgua, mesmo que uma temporria?
Quando o cu estava uniformemente preto, ela aventurou-se escada abaixo. A Igreja estava vazia e ecoando. Ela no tinha pensado em como sairia, mas felizmente a 
porta lateral estava trancada s no interior. Ela escorregou para a noite agradecidamente.
Ela no percebera o quanto era bom estar do lado de fora e no escuro. Estar dentro de prdios a fazia se sentir presa, e a luz do dia machucava seus olhos. Isso 
era melhor, livre e irrestrita - e invisvel. Seus prprios sentidos se regozijavam no mundo exuberante ao redor dela. Com o ar to parado, fragrncias pairavam 
no ar por um tempo, e ela conseguia sentir toda uma pletora de criaturas noturnas. Uma raposa estava catando comida no lixo de algum. Ratos marrons estavam mastigando 
algo nos arbustos. Traas noturnas estavam se chamando pelo odor.
Ela descobriu que no era difcil chegar  casa de Meredith sem ser percebida; as pessoas pareciam estar do lado de dentro. Mas assim que ela chegou l, ela ficou 
olhando para a casa de fazenda graciosa com a varanda telada com desalento. Ela no podia simplesmente andar at a porta da frente e bater. Meredith estava realmente 
esperando-a? Ela no estaria do lado de fora se estivesse?
Meredith estava para tomar um grande choque se no estivesse, Elena refletiu, olhando a distncia do telhado da varanda. A janela do quarto de Meredith estava acima 
dele e bem na esquina. Seria um pouquinho fora de alcance, mas Elena achou que conseguiria.
Subir no telhado era fcil; seus dedos da mo e do p acharam apoio entre os tijolos e a mandaram para cima. Mas inclinar-se na esquina para olhar pela janela de 
Meredith era um esforo. Ela pestanejou contra a luz que fluia.
Meredith estava sentada na beira de sua cama, cotovelos nos joelhos, encarando o nada.
De vez em quando ela passava uma mo por seu cabelo escuro. Um relgio na mesa de cabeceira dizia 6:43.
Elena bateu no vidro da janela com suas unhas.
Meredith pulou e olhou para o lado errado, na direo da porta. Ela se levantou em um agachar defensivo, agarrando um travesseirinho com uma mo. Quando a porta 
no abriu, ela deu um passo ou dois na direo dela, ainda numa postura defensiva. "Quem ?" ela disse.
Elena bateu no vidro novamente.
Meredith girou para encarar a janela, sua respirao rpida.
"Deixe-me entrar," disse Elena. Ela no sabia se Meredith conseguia ouv-la, ento ela expressou claramente.
"Abra a janela."
Meredith, ofegando, olhou ao redor do quarto como se esperasse que algum aparecesse e a ajudasse. Quando ningum apareceu, ela se aproximou da janela como se fosse 
um animal perigoso. Mas ela no a abriu.
"Deixe-me entrar," disse Elena novamente. Ento ela acrescentou impacientemente, "Se voc no queria que eu viesse, por que me chamou?"
Ela viu a mudana quando os ombros de Meredith relaxaram ligeiramente. Lentamente, com dedos que estavam extraordinariamente desajeitados, Meredith abriu a janela 
e recuou.
"Agora me convide a entrar. Caso contrrio eu no posso."
"Pode..." a voz de Meredith falhou e ela teve que tentar novamente. "Pode entrar," ela disse.
Quando Elena, recuando, tinha se empurrado pelo peitoril e estava flexionando seus dedos com cimbras, Meredith acrescentou quase perplexamente, "Tem que ser voc. 
Ningum mais d ordens desse jeito."
"Sou eu," Elena disse. Ela parou de pressionar as cimbras e olhou nos olhos de sua amiga. "Realmente sou eu, Meredith," ela disse.
Meredith concordou e engoliu em seco visivelmente. Naquele momento o que Elena teria mais gostado no mundo era que a outra garota lhe desse um abrao. Mas Meredith 
no era muito do tipo de abraar, e nesse momento ela estava recuando lentamente para sentar na cama novamente.
"Sente-se," ela disse em uma voz artificialmente calma. Elena puxou a cadeira da escrivaninha e sem pensar tomou a mesma posio que Meredith estava antes, cotovelos 
nos joelhos, cabea abaixada. Ento ela olhou para cima. "Como voc sabia?"
"Eu..." Meredith simplesmente encarou-a por um momento, ento se sacudiu. "Bem. Voc - o seu corpo nunca foi encontrado,  claro. Isso foi estranho. E ento aqueles 
ataques ao velho e Vickie e Tanner - e Stefan e coisinhas que eu juntei sobre ele - mas eu no sabia. No com certeza. No at agora." Ela acabou quase em um sussurro.
"Bem, foi um bom chute," Elena disse. Ela estava tentando se comportar normalmente, mas o que era normal nessa situao? Meredith estava agindo como se ela mal aguentasse 
olhar para ela. Fez Elena se sentir mais solitria, mais sozinha, do que ela j conseguiu se lembrar de estar em sua vida.
Uma campainha tocou no andar debaixo. Elena escutou-a, mas ela conseguia afirmar que Meredith no tinha.
"Quem est vindo?" ela disse. "Tem algum na porta."
"Eu pedi a Bonnie para que viesse as sete horas, se a me dela deixasse. Provavelmente  ela. Eu irei ver." Meredith parecia quase indecentemente vida a sair.
"Espera. Ela sabe?"
"No... Ah, voc quer dizer que eu devo dar-lhe as notcias gentilmente." Meredith olhou novamente ao redor do quarto incertamente, e Elena acendou a lampadazinha 
de leitura ao lado da cama.
"Desligue a luz do quarto. Machuca os meus olhos de qualquer jeito," ela disse silenciosamente. Quando Meredith o fez, o quarto ficou turvo o bastante para que ela 
pudesse se esconder nas sombras.
Esperando por Meredith retornar com Bonnie, ela ficou de p em um canto, abraando seus cotovelos com suas mos.
Talvez fosse uma m ideia envolver Meredith e Bonnie. Se a imperturbvel Meredith no conseguia lidar com a situao, o que Bonnie faria?
Meredith anunciou a chegada delas ao murmurar sem parar, "No grite agora; no grite," enquanto Bonnie pela trincheira.
"Qual o seu problema? O que voc est fazendo?" Bonnie estava arfando em resposta.
"Me solta. Voc sabe o que eu tive que fazer para minha me me deixar sair de casa hoje a noite? Ela quer me levar ao hospital em Roanoke."
Meredith fechou a porta com um chute. "Tudo bem," ela disse para Bonnie. "Agora voc vai ver algo que ir... bem, vai ser um choque. Mas voc no pode gritar, entendeu? 
Eu te soltarei se voc prometer."
"Est escuro demais para ver algo, e voc est me assustando. Qual  o seu problema, Meredith? Ah, est bem, eu prometo, mas do que voc est falando-"
"Elena," disse Meredith. Elena tomou isso como um convite e deu um passo a frente. A reao de Bonnie no foi o que ela esperava. Ela franziu a testa e se inclinou 
para frente, espiando na luz turva. Quando ela viu a figura de Elena, ela arfou. Mas ento, enquanto ela encarava o rosto de Elena, ela bateu suas mos com um grito 
de alegria.
"Eu sabia! Eu sabia que eles estavam errados! Toma, Meredith - e voc e Stefan pensavam que sabiam muito sobre afogamento e tudo mais. Mas eu sabia que vocs estavam 
errados! Ah, Elena, senti sua falta! Tudo vai ser to-"
"Fique quieta, Bonnie! Fique quieta!" Meredith disse urgentemente. "Eu disse para voc no gritar. Escute, sua idiota, voc acha que se Elena realmente estivesse 
bem ela estaria aqui no meio da noite sem ningum saber sobre isso?"
"Mas ela est bem; olhe para ela. Ela de p ali.  voc, no , Elena?"
Bonnie comeou a ir na direo dela, mas Meredith a agarrou antes.
"Sim, sou eu." Elena teve o estranho pressentimento de que estava vagando em uma comdia surreal, talvez uma escrita por Kafka, s que ela no sabia suas falas. 
Ela no sabia o que dizer a Bonnie, que parecia entusiasmada.
"Sou eu, mas... eu no estou exatamente bem," ela disse embaraadamente, sentando-se novamente.
Meredith cutucou Bonnie para que se sentasse na cama.
"Por que vocs duas esto agindo to misteriosamente? Ela est aqui, mas ela no est bem. O que isso quer dizer?"
Elena no sabia se ria ou chorava. "Olha, Bonnie... ah, eu no sei como dizer isso. Bonnie, a sua av vidente j te falou sobre vampiros?"
Um silncio caiu, pesado como um machado. Os minutos passaram. Impossivelmente, os olhos de Bonnie se alargaram mais ainda; ento, eles deslizaram na direo de 
Meredith. Houveram muitos mais minutos de silncio, e ento Bonnie inclinou-se em direo a porta.
"Ah, olha, meninas," ela disse suavemente, "isso est ficando realmente estranho. Quero dizer, realmente, realmente, realmente..."
Elena procurou algo em sua mente. "Pode olhar os meus dentes," ela disse. Ela retraiu seu lbio superior, cutucando um canino com seu dedo. Ela sentiu o alargamento 
e a afiadez reflexivos, como a garra de um gato se esticando preguiosamente.
Meredith foi at a frente e olhou e ento desviou o olhar rapidamente. "Eu entendo," ela disse, mas em sua voz no havia nada do antigo prazer irnico com sua prpria 
inteligncia. "Bonnie, olha," ela disse.
Toda a elao, toda a animao tinha sido drenada de Bonnie. Ela parecia como se fosse ficar doente. "No. Eu no quero."
"Voc tem que. Voc tem que acreditar, ou nunca chegaremos a lugar algum." Meredith agarrou uma Bonnie rgida e resistente. "Abra seus olhos, sua bobinha.  voc 
que ama todas essas coisas sobrenaturais." 
"Eu mudei de ideia," Bonnie disse, quase choramingando. Havia histeria genuna em seu tom. "Deixe me em paz, Meredith; eu no quero olhar." Ela se desgarrou com 
violncia.
"Voc no precisa," Elena sussurrou, atordoada. Desalento fluiu para dentro dela, e lgrimas encheram seus olhos. "Essa foi uma m ideia, Meredith. Eu irei embora."
"No. Ah, no v." Bonnie virou-se to rapidamente como tinha girado para longe e se precipitou aos braos de Elena. "Sinto muito, Elena; Sinto muito. Eu no ligo 
para o que voc ; s estou feliz de voc estar de volta. Tem sido horrvel sem voc." Ela estava sinceramente soluando agora.
As lgrimas que no vieram quando Elena estivera com Stefan vieram agora. Ela chorou, segurando Bonnie, sentindo os braos de Meredith ficarem ao redor das duas.
Todas estavam chorando - Meredith silenciosamente, Bonnie audivelmente, e a prpria Elena com apaixonada intensidade. Ela sentia como se estivesse chorando por tudo 
que havia acontecido a ela, por tudo que ela tinha perdido, por toda a solido e o medo e a dor.
Eventualmente, todas acabaram sentando no cho, joelhos encostados nos joelhos, do jeito que elas ficavam quando eram crianas sentadas no cho numa festa do pijama 
tramando planos secretos.
"Voc  to corajosa," Bonnie disse a Elena, soluando. "No entendo como consegue ser to corajosa quanto a isso."
"Voc no sabe como eu estou me sentindo por dentro. Eu no sou corajosa mesmo. Mas eu tenho que lidar com isso de algum jeito, porque eu no sei o que mais fazer."
"Suas mos no esto frias." Meredith apertou os dedos de Elena. "S meio geladinhas. Eu achei que elas seriam mais frias."
"As mos do Stefan no so frias tampouco," Elena disse, e ela estava pronta para continuar, mas Bonnie gritou: "Stefan?"
Meredith e Elena olharam para ela.
"Seja sensata, Bonnie. Voc no vira uma vampira sozinha. Algum tem de transform-la."
"Mas voc quer dizer que Stefan...? Voc quer dizer que ele  um...?" A voz de Bonnie se sufocou.
"Eu acho," disse Meredith, "que talvez essa seja a hora de nos contar a histria toda, Elena. Como todos esses pequenos detalhes que voc deixou de fora da ltima 
vez que te pedimos pela histria toda."
Elena concordou. "Voc tem razo.  difcil de explicar, mas eu vou tentar." Ela tomou um longo flego. "Bonnie, voc se lembra do primeiro dia de aula? Foi a primeira 
vez que eu ouvi voc fazer uma profecia. Voc olhou a minha palma e disse que eu conheceria um garoto, um garoto moreno, um estranho. E que ele no era alto mas 
que ele fora uma vez. Bem" - ela olhou para Bonnie e ento para Meredith - "Stefan no  realmente alto. Mas uma vez ele fora... comparado s outras pessoas do sculo 
quinze."
Meredith concordou, mas Bonnie fez um som fraco e oscilou para trs, parecendo traumatizada. "Voc quer dizer-" 
"Quero dizer que ele vivia na Itlia da Renascena, e as pessoas normais eram mais baixas. Ento Stefan parecia mais alto em comparao. E, espera, antes que voc 
desmaie, tem algo que voc deve saber. Damon  o irmo dele."
Meredith concordou novamente. "Eu achei que fosse algo do tipo. Mas ento por que Damon estava dizendo que ele  um universitrio?"
"Eles no se do muito bem. Por muito tempo, Stefan nem soube que Damon estava em Fell's Church." Elena gaguejou. Ela estava aproximando-se da histria privada de 
Stefan, que ela sempre sentiu que era o segredo que ele deveria contar. Mas Meredith estivera certa; era hora de revelar a histria toda. "Escute, era assim," ela 
disse. "Stefan e Damon estavam apaixonados pela mesma garota l na Itlia da Renascena. Ela era da Alemanha, e seu nome era Katherine. A razo pela qual Stefan 
estava me evitando noncio da escola era porque eu o lembrava dela; ela tinha cabelo loiro e olhos azuis, tambm. Ah, e esse era o anel dela." Elena soltou a mo 
de Meredith e mostrou-lhes o anel dourado complexamente esculpido com uma nica pedra de lapis lazuli.
"E o negcio era que Katherine era uma vampira. Um cara chamando Klaus tinha transformado-na em sua vila na Alemanha para salv-la de morrer de sua doena terminal. 
Stefan e Damon sabiam disso, mas eles no ligavam. Eles pediram-na para ela escolher com quem ela queria casar." Elena parou e deu um sorriso toro, pensando como 
o Sr. Tanner estivera certo; a histria se repetia mesmo. Ela s esperava que sua histria no terminasse como a de Katherine. "Mas ela escolheu ambos. Ela trocou 
sangue com ambos, e ela disse que os trs seriam companheiros pela eternidade."
"Que pervertido," murmurou Bonnie.
"Que idiotice," disse Meredith.
"Adivinhou," Elena disse a ela. "Katherine era um doce mas no muito esperta. Stefan e Damon j no se gostavam. Eles disseram a ela que ela tinha que escolher, 
que eles nunca pensariam em divid-la. E ela saiu correndo chorando. No dia seguinte - bem, eles acharam o corpo dela, ou que sobrara dele. Entenda, um vampiro precisa 
de um talism como esse anel para sair no Sol sem ser morto. E Katherine saiu no Sol e tirou o seu. Ela pensou que se estivesse fora da jogada, Damon e Stefan se 
reconciliariam."
"Ai, meu Deus, que ro-"
"No, no ," Elena cortou Bonnie selvagemente. "No  nem um pouco romntico. Stefan tem vivido com a culpa desde ento, e eu acho que Damon tem, tambm, apesar 
dele nunca admitir. E o resultado imediato foi que eles pegaram duas espadas e mataram um ao outro. Sim, mataram.  por isso que so vampiros agora, e  por isso 
que se odeiam tanto. E  por isso que eu estou provavelmente louca tentando faz-los cooperar agora."







































Capitulo 7


-Ajudar em que? - perguntou Meredith.
-Explicarei para vocs mais tarde. Mas primeiro quero saber o que anda acontecendo na cidade desde que... eu fui.
-Bom, histeria, principalmente - respondeu Meredith levantando uma sobrancelha. - Sua tia Judith tem estado bastante mal. Teve uma alucinao em que a via; s que 
no foi uma alucinao, no ? E ela e Robert podemos dizer que esto mais ou menos separados.
-Eu sei - respondeu Elena em tom sombrio. - Continue.
-Todo mundo na escola est alterado. Quis falar com Stefan, principalmente, quando comecei a suspeitar que voc no estava realmente morta, mas no foi a aula. Matt 
foi, mas algo est acontecendo com ele. Parece um zumbi e no quer falar com ningum. Quis explicar que havia uma possibilidade de que no tivesse ido para sempre, 
pensei que isso o animaria. Mas no quis me escutar. Agia de um modo nada tpico dele e em um certo momento pensei que ia me pegar. No quis ouvir nenhuma palavra.
-Ah, meu Deus... Matt.
Algo terrvel despertava no mais profundo da mente de Elena, uma recordao muito perturbadora para deixa-la solta. No podia enfrentar nada mais naquele momento, 
"no podia", disse a si, e voltou a submergir a lembrana no mais profundo de seu ser.
Meredith continuava falando:
-Est claro, porm, que outras pessoas sentem suspeitas a respeito da sua "morte". Por isso disse o que disse no funeral; temia que se dissesse o autentico dia e 
lugar, Alaric Saltzman acabaria fazendo uma emboscada fora de casa. Tem estado fazendo todos os tipos de perguntas e era bom que Bonnie no soubesse de nada que 
pudesse revelar sem querer.
-Isso no  justo - protestou Bonnie. - Alaric simplesmente est interessado, isso  tudo, e quer nos ajudar a superar o trauma, como antes.  um aquariano...
- um espio - disse Elena -, e talvez mais do que isso. Mas falaremos disso mais tarde. O que aconteceu com Tyler Smallwood? No o vi l. 
Meredith se mostrou perplexa.
-Quer dizer que no sabe?
-No sei de nada; tenho estado dormindo durante quatro dias no sto.
-Bom... - Meredith se interrompeu nervosamente -, Tyler acaba de voltar do hospital. O mesmo com Dick Carter e os outros quatro que o acompanhavam no Dia do Fundador 
. Os atacaram no coberto pr-fabricado naquela tarde e perderam muito sangue.
-Oh.
O mistrio do por que os poderes de Stefan estavam muito mais fortes naquela noite estava explicado. E tambm por que estavam acabando a partir daquele momento. 
Provavelmente no havia se alimentado desde ento.
-Meredith, Stefan  suspeito?
-Bom, o pai de Tyler tentou fazer que fosse, mas a policia no conseguiu que as horas se encaixassem. Sabem aproximadamente a hora que atacaram Tyler, porque tinha 
que se encontrar com o sr. Smallwood e no apareceu. E Bonnie e eu podemos dar cobertura a Stefan para esse tempo j que tnhamos acabado de deixa-lo no rio com 
seu corpo. De modo que no poderia ter regressado ao coberto para atacar Tyler; ao menos um humano normal no poderia. E por enquanto a policia no pensa em nada 
sobrenatural.
-Entendo - Elena se sentiu aliviada, ao menos nesse sentido.
-Tyler e os outros garotos no podem identificar o atacante porque no lembram de absolutamente nada daquela tarde - acrescentou Meredith. - Caroline tambm no.
-Caroline estava l?
-Sim, mas no a morderam. S est em choque. Apesar de tudo que fez quase sinto pena dela. - Meredith se encolheu de ombros e acrescentou: - Tem um aspecto pattico 
esses dias.
-E no acredito que ningum v suspeitar de Stefan depois do que aconteceu com esses cachorros na igreja hoje - interveio Bonnie. - Meu pai disse que um cachorro 
grando pode ter quebrado a janela do coberto e as feridas na garganta de Tyler pareciam feridas feitas por um animal. Creio que muita gente acredita que foi um cachorro 
ou um grupo de cachorro que fizeram.
- uma explicao cmoda - indicou Meredith com um tom seco. - Significa que no tem que continuar pensando nisso.
-Mas isso  ridculo - disse Elena. - Os cachorros normais no agem desse modo. As pessoas no se perguntam por que seus cachorros ficaram loucos de repente e se 
viraram contra eles?
-Uma grande quantidade de pessoas simplesmente est se desfazendo deles. Ah, e ouvi que algum falava sobre testes obrigatrias de raiva - disse Meredith. - Mas 
no  s raiva, no  Elena?
-No, no acredito. E Stefan e Damon tambm no. E  disso que vim falar.
Elena explicou com a maior clareza que pde, sobre o que estava pensando sobre o Outro Poder em Fell's Church. Falou sobre a fora que a havia tirado da ponte e 
da sensao que teve com os cachorros e sobre tudo com Stefan, Damon e ela haviam falado. Finalizou dizendo:
-E Bonnie disse na igreja hoje: Algo maligno. Creio que isso  o que h aqui em Fell's Church, algo cuja existncia ningum conhece, algo totalmente malvado. Suponho 
que voc no saiba o que quer dizer com isso, Bonnie.
Mas a mente de Bonnie corria por outros caminhos.
-J que Damon no  necessariamente quem fez todas aquelas coisas horrveis que voc disse que ele fez - comentou com astcia. - Como matar a Yangtze e fazer aquilo 
com a Vickie e assassinar o sr. Tanner e tudo isso. J disse a voc que ningum to divino podia ser um assassino psicopata.
-Eu acho - disse Meredith, dando uma olhada em Elena - que ser melhor que esquecesse Damon como personagem romntico.
-Sim - indicou Elena, categrica. - Ele matou, sim, o sr. Tanner, Bonnie. E  lgico que levou a cabo os outros ataques tambm; o perguntei sobre isso. E j tenho 
bastante problemas lidando eu mesma com ele. No queira ter nada com ele, Bonnie, acredite.
-Suponho que deva deixar Damon em paz; suponho que deva deixar Alaric em paz... H algum garoto que eu no deva deixar em paz? E no entanto Elena fica com todos. 
Isso no  justo.
-A vida no  justa - lhe disse Meredith, insensvel. - Mas escuta, Elena, se esse outro Poder existe, que tipo de Poder voc acha que ? Como se parece?
-No sei. Algo tremendamente forte... mas poderia est se camuflando de algum modo, de modo que no possamos percebe-lo. Podia parecer uma pessoa normal. E por isso 
vim pedir ajuda de vocs, porque pode ser qualquer pessoa de Fell's Church.  como Bonnie hoje: Ningum  o que parece.
Bonnie adotou uma expresso de desamparo.
-No lembro de ter dito isso.
-Voc disse, tudo bem. "Ningum  o que parece" - voltou a citar Elena em tom grave. - Ningum.
Deu uma rpida olhada para Meredith, mas os olhos escuros abaixo das sobrancelhas elegantemente arqueadas estavam tranqilos e distantes.
-Bom, isso parece que transforma todo mundo em suspeito - disse ela com a voz mais serena. - Certo?
-Certo - disse Elena -, mas ser melhor que pegamos um caderno e um lpis e faamos uma lista dos mais importantes. Damon e Stefan j aceitaram ajudar na investigao 
e se vocs tambm ajudarem teremos uma maior possibilidade de descobri-lo.
Comeava a pegar o ritmo daquilo; sempre foi boa organizando coisas, desde artimanhas para conseguir atrair garotos at funes para arrecadar fundos. Aquilo era 
apenas uma verso mais sria dos velhos plano A e plano B.
Meredith deu o lpis e o papel para Bonnie que os olhou e depois para Meredith e depois para Elena.
-timo - disse -, mas quem est na lista?
-Bom, qualquer que tenhamos motivo para acreditar que seja o Outro Poder. Qualquer que possa ter feito as coisas que sabemos que fez: prender Stefan em um poo, 
me perseguir, jogar esse cachorros contra as pessoas. Qualquer que tenhamos visto que tenha agido de forma estranha.
-Matt - disse Bonnie, escrevendo diligentemente. - E Vickie. E Robert.
-Bonnie! - exclamaram Elena e Meredith simultaneamente.
Bonnie levantou os olhos.
-Bom, Matt tem agido estranhamente, e tambm Vickie, desde meses. E Robert rondava pelo exterior da igreja antes do funeral, mas nunca chegou a entrar...
-Ora, Bonnie, por favor - disse Meredith. - Vickie  uma vtima, no uma suspeita. E se Matt  um poder maligno, eu sou o corcunda de Notre-Dame. E quanto ao Robert...
-Muito bem, j disse todos - anunciou Bonnie friamente. - Agora vou ouvir suas idias.
-No, espera - disse Elena. - Bonnie, espere um momento. - Pensava em algo, algo que a estava incomodando h algum tempo desde... - Desde a igreja - disse em voz 
alta, lembrando-se. - Sabe de uma coisa, eu tambm vi Robert fora da igreja, quando eu estava escondida na galeria do coro. Foi justo antes dos cachorros atacarem 
e ele parecia estar indo para trs, como se soubesse o que ia acontecer.
-Oh, mas Elena...
-No, escuta, Meredith. O vi antes, no sbado a noite, com tia Judith. Quando ela disse que no casaria com ele, havia algo em seu rosto... No sei. Eu acho melhor 
que volte a coloca-lo na lista, Bonnie.
Muito sria, depois de um minuto vacilante, Bonnie o colocou.
-Quem mais? - perguntou.
-Bom, Alaric, me amedontra - disse Elena. - Sinto muito, Bonnie, mas ele  praticamente o nmero um. - Lhes contou o que escutara por acaso aquela manh entre Alaric 
e o diretor da escola. - No  um simples professor de historia; o fizeram vir por algum motivo. Sabe que sou uma vampira e est me procurando. E hoje, enquanto 
os cachorros atacavam, estava ali de p em um lado, fazendo uma espcie de gestos misteriosos. Sem duvidas, no  o que parece, e a nica pergunta : O que ele ? 
Est escutando, Meredith?
-Sim. Sabe de uma coisa, eu acho que deveria por a sra. Flowers nessa lista. Lembra do modo que ela ficou na janela da pousada quando trouxemos Stefan do poo? Como 
no quis descer para abrir a porta? Isso  um comportamento estranho.
Elena assentiu.
-Sim, e o modo como ela se agarrava a mim quando eu ia visitar Stefan. E, desde ento, se manteve afastada de todos na velha casa. Pode ser que seja simplesmente 
uma velha gag, mas anote-a de todos os modos, Bonnie.
Passou uma mo nos cabelos, levantado-os para afasta-los da nuca. Tinha calor. Ou... no era exatamente calor, e sim se sentia incomodada de um modo parecido a estar 
com calor. Se sentia ressecada.
-Tudo bem, passaremos pela pousada amanh antes da escola - disse Meredith. - Entretanto, o que mais podemos fazer? Deixe eu d uma olhada nessa lista, Bonnie.
Bonnie alongou a lista para que pudessem v-la e Elena e Meredith se inclinaram para frente e leram(obs.: considerem o sublinhado como riscado):

Matt Honeycutt
Vickie Bennet
Robert Maxwell: O que fazia na igreja quando os cachorros atacaram? E o que aconteceu naquela noite com a tia de Elena?
Alaric Saltzman: Por que faz tantas perguntas? Para que o fizeram vir para Fell's Church?
Sra. Flowers: Por que agi de um modo to estranho? Por que no nos abriu a porta na noite em que Stefan estava ferido?


-timo - disse Elena. - Imagino que tambm podamos averiguar de quem eram os cachorros que estavam na igreja hoje. E podamos vigiar Alaric na escola amanh.
-Eu vigiarei Alaric - declarou Bonnie com energia - e farei que ele fique livre das suspeitas; vero como farei.
-timo, voc faz isso. Voc est designada a ele. E Meredith pode investigar a sra. Flowers e eu posso me ocupar de Robert. E quanto a Stefan e Damon... Bom, posso 
lhes designar todo mundo porque podem usar seus poderes para sondar as mentes das pessoas. Alm do mais, essa lista no  muito completa. Lhes pedirei que explorem 
os arredores da cidade em busca de qualquer sinal de Poder ou de qualquer coisa diferente que acontea. Eles tm mais possibilidades que eu de reconhecer essas coisas.
Recostando-se, Elena umedeceu os lbios distraidamente. Estava ressecada. Reparou em algo que nunca antes observara: a delicada travessia de veias na parte interior 
do pulso de Bonnie. A garota ainda sustentava o caderno e a pele do pulso era to translcida que as veias verde-azuladas se mostravam claramente. Elena desejou 
ter escutado quando tinham estudado anatomia humana na escola; que nome recebia aquela veia, a grande que se bifurcava como um galho em uma rvore...?
-Elena! Elena!
Sobressaltada, Elena levantou os olhos e viu a olhada desconfiada dos olhos escuros de Meredith e a expresso alarmada de Bonnie. Foi ento que notou que estava 
agachada muito perto do pulso de Bonnie, esfregando a veia maior com o dedo.
-Desculpe - murmurou, sentando-se para trs.
Mas sentia a maior longitude e agudez de suas presas. Era algo parecido a levar alguma coisa na boca; notava claramente a diferena de peso. Notou que o sorriso 
tranqilo que dirigia a Bonnie no tinha o efeito desejado; a garota parecia assustada, o que era estpido. Bonnie deveria saber que Elena nunca lhe machucaria. 
E Elena no estava com muita fome esta noite; Elena sempre comera pouco. Podia ter tudo que precisava naquela pequena veia do pulso...
Elena se ps de p em um salto e virou para a janela, se encostando ao parapeito, sentindo um sopro do fresco ar noturno sobre a pele. Se sentia enjoada e no parecia 
conseguir respirar.
O que tinha feito? Se virou e se encontrou com Bonnie agachada contra Meredith, as duas a olhando aterrorizadas. Detestou v-las olhando-a daquele modo.
-Desculpe - disse. - No era minha inteno, Bonnie. Olhe, no vou me aproximar mais. Deveria ter me alimentado antes de vir aqui. Damon disse que eu teria fome 
mais tarde.
Bonnie tragou saliva e seu rosto adquiriu um aspecto ainda mais enfermo.
-Se alimentado?
-Sim, claro - respondeu Elena com aspereza.
Lhe ardiam as veias; essa era a sensao. Stefan havia descrito anteriormente, mas ela jamais compreendera na realidade; jamais compreendera o que parecia quando 
lhe abatia a necessidade de sangue. Era terrvel, irresistvel.
-O que acha que como esses dias? Ar? - disse desafiante. - Sou uma caadora agora e ser melhor que eu saia para caar.
Bonnie e Meredith tentavam relevar; podia ver que tentavam, mas tambm podiam ver a repugnncia em seus olhos. Se concentrou em usar seus novos sentidos, em se abrir 
para a noite e procurar a presena de Sstefan ou Damon. Estava difcil, porque nenhum deles estava projetando sua mente como ele fizera na noite tinham brigado no 
bosque, mas pareceu que podia perceber um vislumbre de Poder fora da cidade.
Mas no tinha como se comunicar com ele e a contrariedade fez que o calor infernal de suas veias piorar. Acabara de decidir tinha que ir sem nenhum deles quando 
as cortinas se agitaram violentamente para trs contra seu rosto, agitando em uma rajada de vento. Bonnie se levantou com um grito sufocado, derrubando a lmpada 
de leitura da mesinha de noite e sumindo no quarto escuro. Amaldioando, Meredith a recolocou no lugar. As cortinas batiam violentamente na luz tremula que emergia 
e Bonnie parecia que tentava gritar.
Quando a lmpada voltou a seu lugar, a luz mostrou Damon sentado casualmente, mas precariamente, no parapeito da janela, com um joelho levantado. Mostrava um de 
seus sorrisos mais selvagens.
-Se importa? - ele disse. - Isso  incomodo.
Elena dirigiu uma veloz olhada a Bonnie e Meredith, que estavam apoiadas no closet com o aspecto horrorizado e hipnotizado ao mesmo tempo. Ela mesma sacudiu a cabea 
exasperada.
-E eu que pensei que fosse eu que gostasse de entradas teatrais - disse. - Muito engraado, Damon. Agora vamos.
-Com duas amigas suas to lindas? - Damon voltou a sorrir para Bonnie e Meredith. - Alm do mais, acabei de chegar. Ningum vai ser amvel e me convidar para entrar.
Os olhos castanhos de Bonnie, cravados com imponncia no rosto dele, se abrandaram ligeiramente. Os lbios da jovem, que haviam se aberto em uma expresso horrorizada, 
se abriram mais. Elena reconheceu os sinais de um derretimento imediato.
-No, no faam - e se colocou diretamente entre Damon e as outras garotas. - No tem ningum aqui para voc, Damon... Nem agora nem nunca - vendo a chama de desafio 
em seus olhos, disse maliciosamente: - E de todos os modos, eu j estou indo. No sei o que voc vai fazer, mas eu vou caar.
A tranqilizou perceber a presena de Stefan a pouca distncia, no telhado, provavelmente, e ouvir instantaneamente retificao: Ns vamos caar, Damon. Pode ficar 
aqui sentado a noite toda se quiser.
Damon cedeu com elegncia, lanando uma ultima olhada divertida a Bonnie antes de desaparecer pela janela. Quando o fez, tanto Bonnie como Meredith deram um passo 
para frente alarmadas, evidentemente pensando que tinha se estatelado no cho.
-Ele est timo - disse Elena voltando a sacudir a cabea. - E no se preocupem, no o deixarei voltar. Me reunirei com vocs nesse mesmo horrio amanh. Adeus.
-Mas... Elena... - Meredith se interrompeu. - Quero dizer, ia perguntar se no quer trocar de roupa.
Elena se olhou. Aquele vestido que era uma relquia do sculo XIX estava cheio de esfarrapada e manchada, a fina musselina se desgarrava em alguns lugares. Mas no 
tinha tempo para se trocar; tinha que se alimentar j.
-Ter que esperar - disse. - As vejo amanh.
E pulou para fora da janela do modo que Damon fizera. A ultima coisa que viu delas foi Meredith e Bonnie a olhando ir, atordoadas.
Suas aterrissagens melhoraram; dessa vez no machucou os joelhos. Stefan estava ali e a envolveu em algo escuro e clido.
-Sua capa - disse ela, agradecida.
Por um momento sorriram mutuamente recordando a primeira vez em que ele havia lhe dado a capa, depois de t-la salvo de Tyler no cemitrio e a levado para seu quarto 
na pousada para se limpar. Ele temia toca-la at ento. Mas, pensou ela sorrindo para seus olhos, ela se ocupara daquele medo com suma rapidez.
-Pensava que amos caar - disse Damon.
Elena se virou para ele para sorrir, sem soltar sua mo de Stefan.
-E vamos - respondeu. - Aonde deveramos ir?
-A qualquer casa dessa rua - sugeriu Damon.
-Ao bosque - disse Stefan.
-Ao bosque - decidiu Elena. - No tocamos em humanos e no matamos. No  mesmo, Stefan?
Ele devolveu a presso em seus dedos.
- como  - disse em voz baixa.
Damon torceu o gesto com expresso pedante.
-E o que exatamente vamos caar no bosque? Ou  melhor que eu no saiba? Ratos? Gambs? Cupins? - os olhos se moveram para Elena e baixou a voz. - Venha comigo e 
mostrarei a voc o que  caar de verdade.
-Podemos ir atravessando o cemitrio - disse Elena fazendo pouco caso dele.
-Cervos de rabo branco se alimentam durante toda a noite nas zonas abertas - disse Stefan a ela. - Mas devemos ter cuidado ao cerca-los: ouvem quase to bem quanto 
ns.
"Outra vez, ento", disse a voz de Damon na mente de Elena.






















Captulo 8


"Quem -? Ah,  voc!" Bonnie disse, assustada com o toque em seu cotovelo. "Voc me assustou. No te escutei chegando."
Ele teria de ser mais cuidadoso, Stefan percebeu. Nos poucos dias em que estivera longe da escola, ele tinha esquecido do hbito de andar e se mover como um humano 
e tinha voltado  sua passada silenciosa e perfeitamente controlada de um predador. "Me desculpe," ele disse, enquanto andavam lado a lado pelo corredor.
"D nada," disse Bonnie com uma tentativa corajosa de parecer indiferente. Mas seus olhos castanhos estavam arregalados e um tanto fixos. "Ento, o que est fazendo 
aqui hoje? Meredith e eu fomos  penso essa manh para dar uma espiada na Sra. Flowers, mas ningum atendeu a porta. E eu no te vi na aula de biologia."
"Eu cheguei essa tarde. Estou de volta  escola. Por quanto tempo for necessrio para achar pelo que estamos procurando, de qualquer maneira."
"Para espionar Alaric, voc quer dizer," Bonnie murmurou. "Eu disse a Elena ontem para deix-lo comigo. Op," ela acrescentou, quando dois calouros passando encararam-na. 
Ela rolou seus olhos para Stefan. Com consenso mtuo, eles viraram em um corredor lateral e foram para uma escadaria vazia. Bonnie inclinou-se contra a parede com 
um rosnado de alvio.
"Eu tenho que lembrar de no dizer o nome dela," ela disse apaticamente. "mas  to difcil. Minha me me perguntou como eu me sentia essa manh e eu quase disse 
a ela, 'tima', j que eu vi Elena ontem a noite. Eu no sei como vocs dois mantiveram - voc sabe o que - um segredo por tanto tempo.."
Stefan sentiu um sorriso puxando seus lbios contra sua vontade. Bonnie era uma gatinha de seis semanas, toda cheia de charme e sem inibio. Ela sempre dizia exatamente 
o que estava pensando no momento, mesmo se contradissesse completamente o que ela tinha acabado de dizer, mas tudo que ela fazia vinha do corao. "Voc est parada 
num corredor deserto com um voc sabe o que agora," ele lembrou-na diabolicamente.
"Ohhh." Seus olhos se arregalaram novamente. "Mas voc no faria, faria?" ela acrescentou, aliviada. "Porque Elena mataria voc... Ah, cus." Procurando por outro 
tpico, ela engoliu em seco e disse, "Ento - ento como foi ontem a noite?"
O humor de Stefan se escureceu imediatamente. "No muito bem. Ah, Elena est bem; ela est dormindo seguramente." Antes que ele pudesse continuar, seus ouvidos captaram 
passos no final do corredor. Trs veteranas estavam passando, e uma se afastou de seu grupo ao ver Stefan e Bonnie. O rosto de Sue Carson estava plido e seus olhos 
estavam vermelhos, mas ela sorriu para eles.
Bonnie ficou cheia de preocupao. "Sue, como voc est? Como o Doug est?"
"Eu estou bem. Ele est bem, tambm, ou pelo menos ele vai ficar. Stefan, eu queria falar com voc," ela acrescentou . "Eu sei que o meu pai agradeceu voc ontem 
por ajudar Doug daquele jeito, mas eu queria agradec-lo, tambm. Quero dizer, eu sei que as pessoas na cidade tem sido horrveis com voc e - bem, eu simplesmente 
estou surpresa que voc ligava o bastante para ajudar. Mas eu estou contente. Minha me diz que voc salvou a vida do Doug. E ento, eu queria agradec-lo, e dizer 
que eu sinto muito - sobre tudo."
Sua voz tremia ao final do discurso. Bonnie fungou e tateou em sua mochila por um lencinho, e por um momento pareceu que Stefan ficaria preso na escadaria com duas 
fmeas choramingando. Consternado, ele procurou em seu crebro por uma distrao.
"Tudo bem," ele disse. "Como a Chelsea est?"
"Ela est no canil. Eles esto mantendo os ces em quarentena l, todos aqueles que eles conseguiram reunir." Sue borrou seus olhos e se endireitou, e Stefan relaxou, 
vendo que o perigo tinha passado. Um silncio embaraoso se descendeu.
"Bem," disse Bonnie para Sue por fim, "voc soube o que o conselho escolar decidiu sobre o Baile da Neve?"
"Ouvi dizer que eles se reuniram essa manh e eles basicamente decidiram que nos deixaro faz-lo. Algum disse que eles estavam falando sobre guarda policial, contudo. 
Ah, a est o sinal tardio.  melhor irmos para a aula de histria antes que Alaric nos d demritos."
"Ns vamos em um minuto," Stefan disse. Ele acrescentou casualmente, "Quando  esse Baile da Neve?"
"No dia treze; sexta-feira a noite, sabe," Sue disse, e ento recuou. "Ai meu Deus, sexta-feira treze. Eu nem pensei nisso. Mas me lembra que tem outra coisa que 
eu queria te contar. Essa manh eu retirei meu nome da corrida por rainha da neve. Simplesmente - simplesmente parecia certo, de algum modo.  s isso." Sue se apressou 
para longe, quase correndo.
A mente de Stefan estava correndo. "Bonnie, o que  esse Baile da Neve?"
"Bem,  na verdade o baile de Natal, s que ns temos uma rainha da neve ao invs de uma rainha do Natal. Depois do que aconteceu no Dia dos Fundadores, eles estavam 
pensando em cancelar, e ento os cachorros ontem - mas parece que eles vo fazer afinal de contas."
"Na sexta-feira treze," Stefan disse carrancudamente.
"Sim." Bonnie parecia assustada agora, deixando-se pequena e insignificante.
"Stefan, no olhe assim; voc est me assustando. Qual o problema? O que voc acha que acontecer no baile?"
"Eu no sei." Mas algo aconteceria, Stefan estava pensando. Fell's Church no tinha tido uma celebrao pblica que tinha escapado de ser visitada pelo Outro Poder, 
e essa provavelmente seria a ltima festividade do ano. Mas no havia razo para falar sobre isso agora. "Vamos," ele disse. "Estamos realmente atrasados."
Ele estava certo. Alaric Saltzman estava no quadro-negro quando eles entraram, como ele tinha estado no primeiro dia que apareceu na sala de histria. Se ele ficou 
surpreso ao v-los chegar atrasados, ou em v-los chegar, ele cobriu impecavelmente, dando um de seus sorrisos mais amigveis.
Ento  voc que est caando o predador, Stefan pensou, tomando seu assento e estudando o homem perante ele. Mas voc  mais que isso? O Outro Poder de Elena talvez?
Em face disso, nada mais parecia improvvel. O cabelo cor de areia de Alaric, um pouco comprido demais para um professor, seu sorriso juvenil, sua alegria teimosa, 
tudo contribua para uma impresso de inocncia. Mas Stefan estivera desconfiado desdo comeo sobre o que estava embaixo desse exterior inofensivo. Ainda assim, 
no parecia muito provvel que Alaric Saltzman estava por trs do ataque  Elena ou do incidente com os cachorros. Nenhum disfarce podia ser to perfeito.
Elena. A mo de Stefan se fechou debaixo da mesa, e uma dor vagarosa despertou em seu peito.
Ele no queria ter pensado nela. O nico jeito que tinha sobrevivido aos ltimos cinco dias era mantendo-na longe de sua mente, no deixando a imagem dela chegar 
mais perto.
Mas  claro que o esforo de mant-la a uma distncia segura tomava a maiora parte de seu tempo e energia. E esse era o pior lugar de todos para se estar, em uma 
sala de aula onde ele no conseguia ligar menos para o que estava sendo ensinado. No havia nada a fazer exceto pensar aqui.
Ele se forou a respirar vagarosa, calmamente. Ela estava bem; esse era o importante. Nada mais realmente importava. Mas mesmo enquanto ele dizia isso, o cime o 
mordeu como uma tira de couro de um chicote. Porque sempre que ele pensava em Elena agora, ele tinha que pensar nele.
Em Damon, que estava livre para ir e vir quando quisesse. Que poderia estar at mesmo com Elena nesse minuto.
Raiva queimou na mente de Stefan, clara e fria, misturando-se com a dor quente em seu peito. Ele ainda no estava convencido de que no fora Damon quem tinha jogado-o 
casualmente, sangrando e inconsciente, no poo abandonado para morrer. E ele levaria a ideia sobre o Outro Poder de Elena muito mais a srio se ele no estivesse 
completamente certo de que Damon no tinha perseguido Elena at sua morte. Damon era malvado; ele no tinha misericrdia ou escrpulos...
E o que ele fez que eu no fiz? Stefan se perguntou pesadamente, pela centsima vez. Nada.
Exceto matar.
Stefan tinha tentado matar. Ele tinha querido matar Tyler. Com a lembrana, o fogo gelado de sua raiva dirigida  Damon foi apagado, e ele olhou ao invs na direo 
da carteira no fundo da sala.
Estava vazia; Apesar de Tyler ter sado do hospital no dia anterior, ele no tinha retornado  escola. Ainda assim, no havia perigo dele lembrar alguma coisa de 
sua tarde horrenda. A sugesto subliminar para esquecer devia permanecer por um bom tempo, enquanto ningum mexesse com a mente de Tyler.
Ele de repente ficou muito consciente de que estava encarando a carteira vazia de Tyler com olhos estreitos e taciturnos. Enquanto desviava o olhar, ele capturou 
o olhar de algum que estivera observando-o fazer isso.
Matt se virou rapidamente e sae inclinou sobre seu livro de histria, mas no antes que Stefan visse sua expresso.
No pense nisso. No pense em nada, Stefan disse a si mesmo, e ele tentou se concentrar na aula de Alaric Saltzman sobre a Guerra das Rosas.


5 de dezembro - eu no sei as horas, provavelmente de tarde cedo.
Querido Dirio, Damon devolveu-a para mim esta manh. Stefan disse que no queria que eu fosse para o tico de Alaric novamente. Essa  a caneta de Stefan que eu 
estou usando. Eu no possuo mais nada, ou pelo menos eu no posso pegar as minhas prprias coisas, e a maioria delas a tia Judith ia dar por falta se eu as pegasse. 
Eu estou sentada nesse momento em um celeiro atrs da penso. Eu no posso ir aonde as pessoas dormem, sabe, a no ser que eu seja convidada.
Eu acho que animais no contam, porque h alguns ratos dormindo aqui debaixo do feno e um coruja nas vigas. No momento, estamos nos ignorando.
Estou tentando duramente no ficar histrica.
Eu achei que escrever ajudaria. Algo normal, algo familiar. Exceto que nada mais em minha vida  normal.
Damon diz que eu vou me acostumar mais rpido se eu jogar a minha antiga vida fora e abraar a nova. Ele parece achar que  inevitvel que eu vire ele. Ele diz que 
eu nasci para ser uma predadora e no h razo em fazer as coisas pela metade.
Eu cacei um veado ontem. Um macho, porque era o estava fazendo mais barulho, batendo seus chifres contra os galhos de rvore, desafiando outros machos. Eu bebi seu 
sangue.
Quando eu dou uma olhada nesse dirio, tudo que eu consigo ver  que estava procurando por algo, por algum lugar ao qual pertencer. Mas no  isso. No  essa nova 
vida. Tenho medo do que me tornarei se eu comear a pertencer aqui.
Ah, Deus, estou apavorada.
A coruja do celeiro  quase puramente branca, especialemente quando estende suas asas e voc consegue ver o interior. Das costas parece mais dourado. Tem s um pouco 
de dourado ao redor do rosto. Est me encarando nesse momento porque eu estou fazendo barulho, tentando no chorar.
 engraado eu ainda conseguir chorar. Acho que so as bruxas que no conseguem.
Comeou a nevar do lado de for a. Estou puxando meu manto ao meu redor.


Elena guardou seu caderninho perto de seu corpo e puxou o suave veludo escuro do manto at seu queixo. O celeiro estava absolutamente silencioso, exceto pela respirao 
insignificante dos animais que dormiam aqui. Do lado de fora a neve caa to silenciosamente quanto, acobertando o mundo em uma quietude abafadora. Elena encarou-a 
com olhos que no viam, mal notando as lgrimas que corriam por suas bochechas.
"Poderiam Bonnie McCullough e Caroline Forbes esperarem por um momento," Alaric disse enquanto o ltimo sinal tocava.
Stefan franziu a testa, um franzido que se aprofundou quando ele viu Vickie Bennett pairando fora da porta aberta da sala de histria, seus olhos tmidos e assustados. 
"Eu estarei ali fora," ele disse de forma significativa para Bonnie, que acenou. Ele acrescentou um avisador levantar de sobrancelhas, e ela respondeu com um olhar 
virtuoso. Veja se eu direi alguma coisa que eu no devo, o olhar dizia.
Saindo, Stefan s esperava que ela pudesse manter isso.
Vickie Bennett estava entrando enquanto ele saia, e ele teve que sair do caminho dela. Mas isso o colocou diretamente no caminho de Matt, que tinha sado pela outra 
porta e estava tentando chegar ao corredor o mais rpido possvel.
Stefan agarrou seu brao sem pensar. "Matt, espera."
"Me solta." O punho de Matt se levantou. Ele olhou para ele com aparente surpresa, como se no estivesse certo sobre o que devia estar to nervoso. Mas cada msculo 
em seu corpo estava lutando contra o agarro de Stefan.
"Eu s quero falar com voc. S por um minuto, est bem?"
"No tenho um minuto," Matt disse, e por fim seus olhos, um azul mais claro e menos complicado que o de Elena, encontrou os olhos de Stefan. Mas havia um vazio nas 
profundezas deles que lembravam Stefan do olhar de algum que fora hipnotizado, ou que estava sob a influncia de algum Poder.
Exceto que no era Poder algum exceto a prpria mente de Matt, ele percebeu abruptamente. Era isso o que o crebro humano fazia consigo mesmo quando encarava algo 
que simplesmente no conseguia lidar. Matt tinha se fechado, se desligado.
Testando, Stefan disse, "Sobre o que aconteceu na noite de sbado -"
"Eu no sei sobre o que voc est falando. Olha, eu disse que tenho que ir, droga."
Negao era como uma fortaleza atrs dos olhos de Matt. Mas Stefan tinha que tentar novamente.
"Eu no te culpo por ficar bravo. Se eu fosse voc, eu ficaria furioso. E eu sei o que  no querer pensar, especialmente quando pensar te leva a loucura." Matt 
estava balanando sua cabea, e Stefan olhava ao redor do corredor. Estava quase vazio, e o desespero o fez concordar em correr um risco. Ele abaixou sua voz. "Mas 
talvez voc ao menos gostar de saber que Elena estava vida, e ela est muito-"
"Elena est morta!" Matt gritou, chamando ateno de todos no corredor.
"E eu te disse para me soltar!" ele acrescentou, alehio  plateia deles, e empurrou Stefan fortemente. Foi to inesperao que Stefan cambaleoou contra os armrios, 
quase acabando estirado no cho. Ele encarou Matt, mas Matt nem mesmo olhou para trs enquanto saia pelo corredor.
Stefan passou o resto do tempo at que Bonnie emergisse simplesmente encarando a parede.
Havia um pster ali para o Baile da Neve, e ele sabia cada centmetro dele na hora que as garotas saram.
Apesar de tudo que Caroline tentara fazer para ele e Elena, Stefan descobriu que no conseguia reunir nenhum dio por ela. Seu cabelo castanho parecia desbotado, 
seu rosto espremido. Ao invs de estar aprumada, sua postura parecia simplesmente definhada, ele pensou, observando-a ir embora.
"Tudo bem? ele disse para Bonnie, enquanto caminhavam lado a lado.
"Sim,  claro. Alaric simplesmente sabe que ns trs - Vickie, Caroline, e eu - passamos por poucas e boas, e ele quer que ns saibamos que ele nos apoia," Bonnie 
disse, mas mesmo seu otimismo teimoso sobre o professor de histria soava um pouco forado. "Nenhumade ns contou a ele nada, contudo. Ele vai ter outro encontro 
na casa dele semana que vem," ela acrescentou brilhantemente.
Maravilha, pensou Stefan. Normalmente ele poderia ter dito algo sobre isso, mas no momento ele estava distrado. "Ali est Meredith," ele disse.
"Ela deve estar nos esperando - no, ela est indo para a ala de histria," Bonnie disse. "Que engraado, eu disse a ela para nos encontrar aqui.
Era mais do que engraado, pensou Stefan. Ele tinha capturado um relance dela enquanto ela virava a esquina, mas aquele relance ficou preso em sua mente. A expresso 
no rosto de Meredith fora calculadora, observadora, e seu passo tinha sido furtivo. Como se ela estivesse tentando fazer algo sem ser vista.
"Ela vai voltar em um minuto quando ver que no estamos l," Bonnie disse, mas Meredith no voltou em um minuto, ou dois, ou trs. De fato, foram-se quase dez minutos 
antes que ela aparecesse, e ento ela pareceu assustada ao ver Stefan e Bonnie esperando-na.
"Desculpa, fiquei presa," ela disse friamente, e Stefan teve que admir-la pelo auto-controle.
Mas ele se perguntava o que estava por trs disso, e somente Bonnie estava com vontade de conversar enquanto os trs saam da escola.


"Mas da ltima vez voc usou fogo," Elena disse.
"Foi porque estvamos procurando por Stefan, por uma pessoa especfica," Bonnie replicou. "Dessa vez ns estamos tentando prever o futuro. Se fosse simplesmente 
o seu futuro pessoal que eu estivesse tentando prever, eu olharia na sua palma, mas estamos tentando descobrir algo mais geral."
Meredith entrou no quarto, cuidadosamente equilibrando uma tigela de porcelana cheia at a borda com gua. Em sua outra mo, ela segurava uma vela. "Eu trouxe os 
negcios," ela disse.
"gua era sagrada para os Drudas," Bonnie explicou, enquanto Meredith colocava o prato no cho e as trs garotas sentavam ao redor dele.
"Aparentemente, tudo era sagrado para os Drudas," disse Meredith.
"Shh. Agora, coloque a vela no castial e acenda-a. Ento eu vou colocar cera derretida na gua, e as sombras que ela formar me diro as respostas para as suas perguntas. 
Minha av usava chumbo derretido, e ela disse que sua av usava prata derretida, mas ela me disse que cera funcionaria." Quando Meredith acendou a vela, Bonnie olhou 
para os lados e tomou um longo flego. "Estou ficando cada vez mais assustada em fazer isso," ela disse.
"Voc no tem que," Elena disse suavemente.
Eu sei. Mas eu quero - dessa vez. Alm do mais, no  esse tipo de ritual que me assusta;  ser possuda que  horrvel. Eu odeio.  como alguma outra pessoa entrando 
no meu corpo."
Elena franziu a testa e abriu sua boca, mas Bonnie estava continuando.
"De qualquer jeito, aqui vai. Apague as luzes, Meredith. D-me um minuto para sintonizar e ento faa suas perguntas."
No silncio da sala turva Elena observou o candelabro pestanejando sobre os clios abaixados de Bonnie e do rosto sbrio de Meredith. Ela olhou para baixo para suas 
prprias mo em seu colo, plida contra o negrume do suter e da legging que Meredith tinha emprestado-na. Ento ela olhou para as chamas danantes.
"Tudo bem," Bonnie disse suavemente e pegou a vela.
Os dedos de Elena se entrelaaram, apertando fortemente, mas ela falou em uma voz baixo para no quebrar a atmosfera. "Quem  o Outro Poder em Fell's Church?"
Bonnie inclinou a vela para que a chama lambesse os lados. Cera quente desceu como gua na tigela e formou glbulos redondos l.
"Era o que eu receava," Bonnie murmurou. "No houve resposta, nada. Tente uma pergunta diferente."
Desapontada, Elena sentou-se de volta, as unhas mordiscando suas palmas. Foi Meredith quem falou.
"Ns podemos achar esse Outro Poder se o procurarmos? E podemos derrot-lo?"
"Foram duas perguntas," Bonnie disse baixinho enquanto ela inclinava a vela novamente.
Dessa vez a cera formou um crculo, um anel branco grumoso.
"Isso  unio! O smbolo para pessoas dando as mos. Significa que conseguiremos se ficarmos juntos."
A cabea de Elena deu um solavanco para cima. Essas foram quase as mesmas palavras que ela tinha dito para Stefan e Damon. Os olhos de Bonnie estavam brilhando com 
excitao, e elas sorriram uma para outra.
"Cuidado! Voc ainda est derramando," Meredith disse.
Bonnie rapidamente endireitou a vela, olhando para a tigela novamente. O ltimo derramamento de cera formou uma linha fina e reta.
"Isso  uma espada," ela disse lentamente. "Significa sacrifcio. Ns conseguiremos se ficarmos juntos, mas no sem sacrifcio."
"Que tipo de sacrifcio?" perguntou Elena.
"Eu no sei," Bonnie disse, seu rosto perturbado. " tudo que posso lhe dizer dessa vez."
Ela colocou a vela de volta no castial.
"Ufa," disse Meredith, enquanto se levantava para ligar as luzes. Elena levantou-se, tambm.
"Bem, pelo menos sabemos que podemos vencer isso," ela disse, puxando a legging, que era longa demais para ela. Ela capturou um relance de si mesma no espelho de 
Meredith. Ela certamente no parecia mais com Elena Gilbert, a modela fashion da escola.
Vestida toda de preto desse jeito, ela parecia plida e perigosa, como uma espada coberta.
Seu cabelo caia aleatoriamente ao redor dos seus ombros.
"Eles no me reconheceriam na escola," ela murmurou, com uma pontada. Era estranho ela ligar sobre ir  escola, mas ela ligava. Era porque ela no podia ir, ela 
achava. E porque ela fora rainha por tanto tempo, ela tinha comandado as coisas por tanto tempo, que era quase inacreditvel ela no poder colocar os ps l novamente, 
"Voc podia ir para outro lugar," Bonnie sugeriu. "Quero dizer, depois que tudo isso acabar, voc pode terminar a escola em algum outro lugar onde ningum te conhea. 
Como Stefan fez."
"No, acho que no." Elena estava com um humor estranho hoje a noite, depois de passar o dia sozinha no celeiro observando a neve. "Bonnie," ela disse abruptamente, 
"voc olharia a minha palma novamente? Eu quero que voc preveja meu futuro, meu futuro pessoal."
"Eu nem sei se eu lembro de todas as coisas que a minha av me ensinou... mas, certo, eu tentarei," Bonnie demonstrou piedade. " melhor que no tenha mais estranhos 
morenos no caminho,  s. Voc j tem tudo com o que consegue lidar." Ela riu enquanto pegava a mo esticada de Elena. "Lembra quando Caroline perguntou o que voc 
conseguia fazer com dois? Acho que est descobrindo agora, hein?"
"S leia a minha palma, sim?"
"Tudo bem, essa  sua linha da vida-" o jorro de balbcia de Bonnie dissipou-se quase antes de comear. Ela encarou a mo de Elena, medo e apreenso em seu rosto.
"Devia vir at aqui," ela disse. "Mas ela foi cortada to brevemente..."
Ela e Elena olharam uma para outra sem falar por um momento, enquanto Elena sentiu a mesma apreenso solidificar dentro dela mesma. Ento Meredith interrompeu.
"Bem, naturalmente est breve," ela disse. "S significa o que j aconteceu, quando Elena se afogou."
"Sim,  claro, deve ser isso," Bonnie murmurou. Ela soltou a mo de Elena e Elena lentamente recuou. " isso, est certo," Bonnie disse em uma voz mais forte.
Elena estava olhando no espelho novamente. A garota que olhava de volta era linda, mas havia uma sabedoria triste em seus olhos que a velha Elena Gilbert nunca tivera. 
Ela percebeu que Bonnie e Meredith estavam olhando para ela.
"Deve ser isso," ela disse levemente, mas seu sorriso no tocava seus olhos.


















Capitulo 9


-Bom, ao menos ningum ocupou meu corpo - disse Bonnie. - Mas de todos os modos estou farta de ser mdium; estou farta de tudo. Esta ser a ltima vez; absolutamente 
a ltima.
-Tudo bem - disse Elena, se afastando do espelho -, falaremos sobre outra coisa. Descobriu algo hoje?
-Falei com Alaric e ele vai celebrar outra reunio semana que vem - respondeu Bonnie. - Perguntou a Caroline, Vickie e a mim se no queramos ser hipnotizadas para 
que isso nos ajudasse a lidar com o que est acontecendo. Mas estou segura de que ele no  o Outro Poder, Elena.  amvel demais.
Elena assentiu. Ela mesma comeara a duvidar sobre suas suspeitas sobre Alaric. No porque foi amvel, e sim porque ela havia passado quatro dias em seu sto dormindo. 
O Oitro Poder realmente permitiria ficar ali sem que lhe fizesse nada? Claro, Damon dissera que influenciara Alaric para que se esquecesse de que estava ali em cima; 
mas, teria o Outro Poder sucumbido a influncia de Damon? No era forte o suficiente para isso?
Ao menos que seus poderes tivessem se esgotado temporariamente, disse a si mesma de improviso. Como os de Stefan se esgotaram agora. Ou ao menos fingira que lhe 
influenciaram.
-Bom, no o risquemos da lista por enquanto - disse ela. - Devemos ter cuidado. O que temos da sra. Flowers? Averiguou algo sobre ela?
-No tive sorte - disse Meredith. - Fomos a pousada esta manh, mas ela no respondeu a nossas chamadas. Stefan disse que tentaria localiza-la pela tarde. 


-Se algum me convidasse a entra ali, eu podia vigia-la tambm - disse Elena. - Sinto como se fosse a nica pessoa que no faz nada. Creio... - se interrompeu por 
um momento, meditando, e logo seguiu: - Creio que passarei pela frente da casa... Pela frente da casa de tia Judith, quero dizer. Alm do mais, encontrarei Robert 
rondando por ali pelos arbustos ou algo assim.
-Iremos com voc - ofereceu Meredith.
-No,  melhor que eu faa sozinha. De verdade. Posso passar muito despercebida por esses dias.
-Nesse caso, faa o que ache conveniente e tenha cuidado. Continua nevando forte.
Elena assentiu e saltou pelo parapeito.
Ao aproximar-se de casa viu que um carro saia pelo caminho de acesso naquele momento. Se afundou entre as sombras e observou. Os faris iluminaram uma espectral 
paisagem invernal: a accia falsa dos vizinhos, em forma da silhueta desnuda, com uma coruja branca pousada nela.
Quando o carro passou pelo seu lado, Elena o reconheceu: era o Oldmobile de Robert.
Agora, isso era interessante. Teve vontade de segui-lo, mas impediu o impulso mais forte de dar uma olhada na casa, de se assegurar que tudo ia bem. A rodeou, sigilosamente, 
examinando as janelas.
As cortinas de chintz amarelo da janela da cozinha estavam dispostas para trs, mostrando uma iluminada seo da cozinha que havia do outro lado. Tia Judith fechada 
o lava-louas. "Robert teria ido jantar?", se perguntou Elena.
Tia Judith se dirigiu ao vestbulo da entrada e Elena se moveu com ela, voltando a rodear a casa. Encontrou uma fenda nas cortinas da sala de estar e aproximou com 
cautela ao grosso e ondulado velho vidro da janela. Ouviu abrir e fechar a porta principal, e logo girar a chave, e depois sua tia entrou na sala e se sentou no 
sof. Ligou a televiso e comeou a passar os canais ocasionalmente.
Ele desejou ver mais que simplesmente o perfil de sua tia pela luz tremeluzente da TV. Sentia uma sensao estranha olhar aquela sala, sabendo que s podia olha-la 
e no entrar. Quanto tempo se passara desde a ltima vez que reparara quo bonita era aquela sala? A velha estante de mogno, ocupada por peas de porcelana e a cristais, 
a lmpada Tiffany sobre a mesa perto de tia Judith, as almofadas bordadas sobre o sof... Tudo lhe parecia precioso agora. De p do lado de fora, sentindo a leve 
caricia da neve na nuca, desejou poder entrar um momento, somente por um segundo.
A cabea de tia Judith se inclinara para trs, os olhos se fechavam. Elena apoiou o rosto contra a janela e logo deu a volta devagar.
Subiu no galho situado em frente de seu prprio quarto, mas comprovou decepcionada que as cortinas estavam totalmente fechadas. A borda da rvore que havia em frente 
ao quarto de Margaret era frgil e parecia mais difcil de subir, mas, uma vez que conseguira chegar em cima teve uma boa vista; as cortinas estavam totalmente afastadas. 
Margaret dormia com o lenol at o queixo, a boca aberta e os plidos cabelos estendidos como um leque na almofada.
"Ol, beb", pensou Elena e tragou as lgrimas com alegria. Era uma cena to inocente e doce... A luz da mesinha, a menininha na cama, os animais de pelcia na estante, 
a vigiando. E ali chegava uma gatinha branca que entrava silenciosamente pela porta para completar o quadro, pensou Elena.
Bola de neve saltou sobre a cama de Margaret. A gatinha bocejou mostrando a pequena lngua rosa e se espreguiou mostrando as garras em miniatura. Depois caminhou 
delicadamente at se colocar sobre o peito de Margaret.
Algo fez com que Elena sentisse uma coceira na raiz dos cabelos.
No soube se era algum novo sentido de caador ou pura intuio, mas repetinamente sentiu medo. Existia perigo naquele quarto. Margaret estava em perigo.
A gatinha continuava ali com o rabo balanando de um lado para o outro. E logo Elena compreendeu a que se parecia: os cachorros. Olhava da mesma forma que olhara 
Doug Carson antes de saltar sobre ele. Cus, a cidade pusera em quarentena os cachorros, mas ningum pensara nos gatos.
A mente de Elena trabalhava a toda velocidade, mas no adiantava de nada. No eram mais do que imagens fugazes do que um gato podia fazer com unhas curvadas e dentes 
afiados como agulhas. E Margaret estava, simplesmente, estava ali deitada respirando com suavidade, sem perceber o perigo.
A pelagem de Bola de Neve comeava a se eriar, o rabo inchando como uma vassorinha de limpar garrafas. As orelhas do animal se afastaram da cabea e a boca se abriu 
em um grunhido silencioso. Tinha os olhos fixos no rosto de Margaret, tal como Chelsea fizera com Doug Carson.
-No!
Elena olhou desesperada ao seu redor em busca de algo para jogar contra a janela, algo que fizesse rudo. No podia se aproximar mais; os galhos exteriores da rvore 
no suportariam seu peso.
-Margaret, acorde!
Mas a neve, pousando como um manto ao seu redor, parecia amortecer as palavras at transforma-las em nada. Um gemido surdo e discordante comeara a brotar da garganta 
de Bola de Neve enquanto esta desviava os olhos para a janela e depois voltava a pousa-los no rosto de Margaret.
Ento, justamente quando a gatinha sacava uma garra, Elena se levantou contra a janela.
Mais tarde, nunca soube como conseguiu se agarrar. No tinha espao para se ajoelhar no parapeito, mas as unhas se afundaram na branda e velha madeira do caixote 
e a ponta de uma bota se introduziu em um ponto de apoio mais abaixo. Golpeou a janela com todo o peso do corpo, gritando.
-Se afaste dela! Acorde, Margaret!
Os olhos de Margaret se abriram em um golpe e se sentou na cama, empurrando Bola de Neve para trs. As garras da gatinha se prenderam nas bordas da colcha enquanto 
lutava para se endireitar. Elena voltou a gritar:
-Margaret, saia da cama! Abra a janela, depressa!
O rosto de quatro anos da menina estava inundado de sonolenta surpresa, mas no de medo. Se levantou e avanou a tropees at a janela enquanto Elena cerrava os 
dentes.
- isso a. Boa garota... Agora diga: Entre. Rpido, diga!
-Entre - disse Margaret, obediente, pestanejando e dando um passo para trs.
A gatinha saltou para fora ao mesmo tempo que Elena se deixava cair para dentro. Tentou atrapalhar o felino, mas ele era muito veloz. Uma vez fora, deslizou pelas 
bordas dos galhos com zombeteira facilidade e saltou para neve onde desapareceu.
Uma mozinha tirava o suter de Elena.
-Voc voltou! - exclamou Margaret, abraando os quadris de sua irm. - Senti sua falta.
-Ah, Margaret, eu sim senti sua falta... - Elena comeou a dizer e ento ficou totalmente imvel. A voz de tia Judith soava do alto da escada.
-Margaret, est acordada? O que est acontecendo?
Elena s teve um instante para tomar sua deciso.
-No diga que estou aqui - sussurrou caindo de joelhos. -  um segredo, entende? Diga que voc deixou a gatinha sair, mas no diga que estou aqui.
No tinha tempo para mais nada. Elena se enfiou debaixo da cama e rezou.
Por debaixo da colcha que pendia da cama, viu os ps cobertos de tia Judith entrarem no quarto. Apertou o rosto contra as tabuas no cho, sem respirar.
-Margaret! O que voc faz levantada? Vamos, volte para a cama - disse a voz de tia Judith e em seguida a cama abaixou com o peso de Margaret e Elena ouviu os rudos 
que fazia sua tia ajeitando os cobertores. - Est com as mos geladas. Por que raios a janela est aberta?
-A abri e Bola de Neve saiu - disse Margaret.
Elena voltou a respirar.
-E agora tem neve por todo o cho. No posso acreditar nisso... No volte a abrir, ouviu bem?
Ouviram-se mais rudos enquanto acabava de cobrir a menina e os ps cobertos voltaram a sair. A porta se fechou.
Elena se arrastou para sair debaixo da cama.
-Boa garota - sussurrou enquanto Margaret se sentava na cama. - Estou orgulhosa de voc. Amanh diga a tia Judith que tem que dar a sua gatinha. Diga que se assustou. 
Sei que no quer fazer isso... - pousou uma mo para deter o gemido que estava a ponto de brotar dos lbios da pequena -, mas tem que fazer. Porque posso assegurar 
a voc que essa gatinha machucar voc se ficar com ela. No quer se machucar, no ?
-No - respondeu Margaret e seus olhos azuis se encheram de lagrimas. - Mas...
-E voc tambm no quer que a gatinha faa mal a tia Judith, no ? Diga a tia Judith que no pode ter nenhum gatinho, nem um cachorro, nem sequer um pssaro at... 
Bom, durante um tempo. No diga que foi eu que disse; isso continua sendo nosso segredo. Diga que tem medo devido ao que aconteceu com os cachorros na igreja.
Isso era melhor, Elena raciocinou sombriamente, provocar pesadelos noturno a garotinha ento ver um pesadelo se converter em realidade no quarto.
A boca de Margaret se abriu de maneira entristecida.
-Tudo bem.
-Sinto muito, querida - Elena se sentou na cama a abraou com fora. - Mas  assim que tem que ser.
-Est fria - disse Margaret. Ento levantou os olhos at o rosto de Elena. - Voc  um anjo?
-Uhm... No exatamente.
"Justamente o oposto", pensou Elena com ironia.
-Tia Judith disse que voc foi se reunir com mame e papai. Voc os viu?
-...  um pouco difcil de explicar, Margaret. No os vi, no. E no sou um anjo, no, mas em todo caso vou ser como seu anjo da guarda, ok? Olharei por voc mesmo 
que no possa me ver. Ok?
-Ok - Margaret brincou com seus dedos. - Isso significa que no pode mais viver aqui.
Elena passou os olhos pelo quarto rosa e branco, os animais de pelcia na estante, a pequena mesa e o cavalinho balanando quando fora dela e estava em um canto.
- isso que significa - respondeu com suavidade.
-Quando eles disseram que voc tinha ido com mame e papai disse que eu tambm queria ir.
Elena pestanejou com fora.
-Oh, querida. No chegou no chegou a hora de voc ir, portanto, no pode ir. E tia Judith ama muito voc e ficaria muito s sem voc.
Margaret assentiu e suas plpebras comearam a se fechar. Mas enquanto Elena voltava a deita-la na cama e colocava a colcha por cima dela, a garota fez mais uma 
pergunta:
-Mas voc no me ama?
-Mas claro que sim. Eu amo muito voc... Nunca soube o quanto at agora. Mas eu estarei bem e tia Judith precisa de voc.
Elena teve que tomar ar para se acalmar e quando abaixou a vista os olhos de Margaret estava fechados e a respirao compassada. A garota dormia.


"Que estpida, estpida", pensou Elena abrindo passo pelos montes de neve at o outro lado da rua Maple. Deixara passar a oportunidade de perguntar a Margaret se 
Robert tinha ido jantar. Agora era tarde demais.
Robert. Seus olhos se entrecerraram repentinamente. Na igreja, Robert esteve fora e ento os cachorros ficaram loucos. E essa noite a gatinha de Margaret se tornara 
selvagem... Justamente pouco depois do carro de Robert sair.
"Robert tem muitas perguntas para responder", disse Elena para si.
Mas a melancolia estava a levando, a tirando de seus pensamentos. Sua mente no fazia mais do que regressar a casa que acabara de abandonar, repassando as coisas 
que jamais voltaria a ver. Todas as suas roupas e complementos e jias... O que tia Judith faria com elas? "No tenho mais nada - se disse -, sou uma indigente".
"Elena?"
Aliviada, Elena reconheceu a voz mental e a caracterstica sombra no final da rua. Apressou o passo at Stefan que tirou as mos do bolso da jaqueta e seguros as 
dela para acalenta-la.
-Meredith me contou onde tinha ido.
-Fui em casa - respondeu ela.
Isso era tudo que podia dizer, mas enquanto se encostava contra ele para obter conforto, soube que ele a compreendia.
-Vamos encontrar algum lugar onde possamos nos sentar - disse Stefan e se interrompeu cheio de contrariedade.
Todos os lugares que iam antes eram perigosos demais ou estavam vedados para Elena. A polcia ainda tinha o carro de Stefan.
Finalmente se limitaram a ir a escola secundria e se sentar em uma salincia do telhado e contemplar como a neve caa. Elena lhe contou o que acontecera no quarto 
de Margaret.
-Vou fazer com que Meredith e Bonnie estendam a informao por toda a cidade de que os gatos tambm podem atacar. As pessoas devem saber. E creio que algum deveria 
vigiar Robert - concluiu.
-Seguiremos seus passos - disse Stefan e ela no pde evitar sorrir.
- curioso o quo americano voc se transformou - comentou. - No tinha pensado nisso h muito tempo, mas quando voc chegou pela primeira vez parecia muito estrangeiro. 
Agora ningum saberia que no viveu a vida toda aqui.
-Nos adaptamos com rapidez. Temos que nos adaptar - respondeu ele. - Sempre pases novos, dcadas novas, situao nova. Voc se adaptar tambm.
-Me adaptarei? - os olhos de Elena permaneceram fixos no brilho dos flocos de neve caindo. - No sei...
-Aprender com o tempo. Se tem algo... bom... sobre o que somos,  o tempo. Temos muito dele, tanto quanto queremos. Para sempre.
-Eu amo voc - disse Stefan contra seu pescoo e ela se apertou mais fora contra ele.
Compreendeu ento porque ele tinha temido dize-lo por tanto tempo. Quando a idia do amanh o aterrava, era difcil de se comprometer, porque ele no queria arrastar 
ningum mais com ele.
Em especial algum quem amava.
-Eu tambm amo voc - se fez dizer e se recostou, quebrou seu tranqilo estado de animo. - E tentar dar a Damon uma chance, por mim? Tentar trabalhar com ele?
-Trabalharei com ele, mas no confiarei nele. No posso. O conheo muito bem.
-Nesse caso, me pergunto se algum o conhece na realidade. Muito bem, ento faa o que puder. Talvez possamos pedir que ele diga Robert amanh.
-Segui a sra. Flowers hoje - o lbio de Stefan se curvou. - Por toda a tarde at o anoitecer. E sabe o que ela fez?
-O que?
-Trs lavagens... Numa velha mquina que parecia que ia explodir a qualquer momento. No tem secadora, s uma mquina de escorrer. Est tudo abaixo, no sto. Ento 
foi para fora e encheu umas duas dzias de bacias de comida para pssaros. Passa a maior parte do tempo ali. Fala consigo mesma.
-Como qualquer velha gag - disse Elena. - Bem, Meredith pode ter se equivocado e isso  tudo - observou a mudana de sua expresso ao nome de Meredith e disse: 
- O que foi?
-Bom, Meredith talvez tenha que explicar algumas coisas tambm. No lhe perguntei a respeito, pensei que talvez fosse melhor que vinhesse de voc. Mas ela foi falar 
com Alaric Saltzman depois da aula de hoje. E no quis que ningum soubesse aonde ia.
Desinquieto se desenroscou da cintura de Elena.
-E ento?
-Ento ela mentiu sobre isso... Ou ao menos se esquivou do assunto. Tentei sondar sua mente, mas meus poderes esto quase esgotados. E ela  difcil.
-E voc no tinha o direito! Stefan, me escuta. Meredith jamais nos machucaria ou nos trairia. O que seja que esteja escondendo...
-Ento admite que ela esconde algo.
-Sim - disse Elena relutantemente -, mas no  nada que v nos prejudicar, tenho certeza. Meredith  minha amiga desde o primeiro ano do primrio...
Sem se dar conta, Elena deixou que a frase se desvanecesse. Pensava na outra amiga que fora ntima desde o jardim de infncia, Caroline. A que na semana anterior 
tentara destruir Stefan e humilhar Elena diante de toda a cidade.
E o que Craoline escrevera em seu dirio sobre Meredith? "Meredith no faz nada, se limita a observar.  como se no pudesse agir, s pudesse reagir as coisas. Alm 
do mais ouvi meus pais falarem sobre sua famlia..., no me surpreende que nunca a mencione".
Os olhos de Elena abandonaram a paisagem nevada em busca do rosto de Stefan que a esperava.
-No importa - disse em voz baixa. - Conheo Meredith e confio nela. Confiarei nela at o fim.
-Espero que ela seja digna disso, Elena - disse ele. - Realmente, espero.










































Capitulo 10


Quinta-feira, 12 de dezembro pela manh.
Querido dirio
Depois de uma semana de trabalho, o que conseguimos?
Bem, entre ns temos nos organizado para seguir os trs suspeitos quase continuamente durante os ltimos seis ou sete dias. Resultado: informaes sobre os movimentos 
de Robert durante a ultima semana que agiu como qualquer normal homem de negcios. Informaes sobre Alaric que no tem feito nada que no seja normal para um professor 
de histria. Informaes sobre a sra. Flowers que aparentemente gasta a maior parte de seu tempo no sto. Mas na verdade no temos averiguado nada.
Stefan disse que Alaric se reuniu com o diretor da escola umas duas vezes, mas no pde se aproximar o suficiente para ouvir do que falavam.
Meredith e Bonnie estenderam as informaes sobre outros animais de estimaes alm dos cachorros que podiam ser perigosos. Elas no precisaram trabalhar muito nisso; 
parece que toda a cidade j est no limite da histeria. Desde ento houveram muitos outros ataques de animais reportados, mas  muito difcil saber qual deles pode 
ser levado a srio. Algumas crianas mexiam em um esquilo e ele os mordeu. O coelho dos Masases arranhou o filho caula deles. A velha sra. Coombers viu cobras cabea-de-cobre 
no seu jardim quando todas as serpentes deviam estar hibernando.
O nico que estou certa  do ataque ao veterinrio que mantinha os cachorros em quarentena. Um grupo deles o mordeu e a maioria deles escapou de onde estavam presos. 
Depois disso simplesmente desapareceram. As pessoas deram adeus e boa viagem e esperam que morram de fome no bosque, mas eu tenho minhas duvidas.
E no parou de nevar, no tem sido uma nevada forte, mas tampouco parou. Nunca vi tanta neve.
Stefan est preocupado com o baile amanh a noite. 
O que nos leva de volta: O que temos investigado at agora? O que sabemos? Nenhum de nossos suspeitos esteve perto da casa dos Masases ou da casa da sra. Coomber 
ou da clinica veterinria quando aconteceram os ataques. No estvamos mais perto de encontrar o Outro Poder do que estvamos quando comeamos.
A pequena reunio de Alaric  esta noite. Meredith acha que devamos ir. No sei que outra coisa podemos fazer.
Damon esticou as longas pernas e falou preguiosamente, passando os olhos pelo celeiro.
-No, particularmente no acho que seja perigoso. Mas no vejo o que espera conseguir.
-Nem eu sei exatamente - admitiu Elena. - Mas no tenho idia melhor. Voc tem?
-O que, voc quer dizer outras formas de passar o tempo? Sim, eu tenho. Voc quer que eu fale a voc sobre eles?
Elena o fez calar com um gesto e deixou o assunto de lado.
-Me refiro a coisa teis que nos faam chegar em um ponto. Robert est fora da cidade, a sra. Flowers est no...
-Sto - disseram em coro varias vozes.
-E ns nos limitamos a ficar aqui sentados. Algum tem uma idia melhor?
Meredith rompeu o silncio.
-Se esto preocupados porque pode ser perigoso para mim e Bonnie por que no vem todos vocs? No quero dizer que tenham que os deixar v-los. Podiam vir e se esconderem 
no poro. Ento se algo acontecer, podamos gritar pedindo ajuda e vocs nos ouviriam.
-No vejo porque algum ter que gritar - disse Bonnie -, no vai acontecer nada l.
-Bom, talvez no, mas no  demais se assegurar - disse Meredith. - O que vocs acham?
Elena assentiu devagar
-Faz sentido - olhou ao redor em busca de objees, mas Stefan se limitou a se encolher de ombros e Damon murmurou algo que fez Bonnie sorrir.
-Tudo bem, ento est decidido. Vamos.
A inevitvel neve os recebeu ao abandonar o celeiro.
-Bonnie e eu podemos ir no meu carro - disse Meredith. - E vocs trs...
-Oh, ns encontraremos nosso prprio caminho - disse Damon com um sorriso de lobo.
Meredith assentiu, sem se mostrar impressionada. Engraado, pensou Elena enquanto as outras garotas se afastavam; Meredith nunca se sentia impressionada com Damon.
Seu encanto parecia no ter efeito nela.
Estava a ponto de mencionar que estava com fome quando Stefan se virou para Damon.
-Est disposto a ficar com Elena todo o tempo que estiver aqui? Cada minuto? - perguntou.
-Tente me impedir - respondeu Damon em tom divertido. Logo fez o sorriso desaparecer. - Por que?
-Porque se voc ficar, os dois podem ir sozinhos e eu me reunirei com vocs mais tarde. Tenho que fazer algo, mas no levar muito tempo.
-O que ?
-Recebi uma carta de Caroline hoje. Perguntava se no podia me encontrar com ela na escola antes da festa de Alaric. Disse que queria se desculpar.
Elena abriu a boca para soltar um comentrio afiado, mas logo voltou a fecha-la. Pelo que tinha ouvido Caroline estava uma lstima esses dias. E talvez falar com 
Stefan a fizesse se sentir melhor.
-Bem, voc no tem nada para se desculpar - disse ela a ele. - Tudo o que aconteceu foi culpa dela. No a considera perigosa?
-No; de todos os modos ainda me restam alguns dos meus poderes. Ela no  uma m garota. Me encontrarei com ela e vocs podem ir para a casa de Alaric.

O poro estava tal e como eu me lembrava, escuro e poeirento e cheio de misteriosas formas cobertas com lenis. Damon que tinha entrado de um modo mais convencional, 
pela porta da frente, teve que tirar os ferrolhos para que ela entrasse pela janela. Depois disso se sentaram um junto ao outro no velho colcho e escutaram as vozes 
que vinham pelos dutos.
-Eu podia ter encontros mais romnticos - murmurou Damon tirando melindrosamente uma teia de aranha da manga. - Tem certeza que no preferia...?
-Sim - respondeu Elena. - E agora cala a boca.
Era como um jogo, escutar retalhos de conversas e tentar coloca-las juntas, tentar por a cada voz o rosto correspondente.
-E ento disse: no me importa quanto tempo faz que tem o periquito; se desfaa dele ou irei ao Baile de Inverno com Mike Peldman. E ele disse...
-...corre o rumor que voltaro a abrir a tumba do sr. Tanner essa noite...
-...soube que todo mundo exceto Caroline saram do concurso para eleger a rainha da neve? Voc no acha...
-...morta, mas tenho certeza que a vi. E no, no estava sonhando; estava com um vestido prateado e os cabelos eram totalmente dourados e se agitavam no vento...
Elena olhou para Damon levantando as sobrancelhas, logo baixou os olhos para sua cmoda e prtica vestimenta preta. Ele sorriu brincalho.
-Romantismo - disse ele. - Eu mesmo gosto de voc de preto.
-Bom, voc gostaria, no gostaria? - murmurou Elena.
Era entranho como se sentia cmoda com Damon ultimamente. Permaneceu sentada em silncio, deixando que as conversas flutuassem ao seu redor, quase perdendo a noo 
do tempo. Logo captou uma voz familiar, enraivecida e mais perto que as outras.
-Ok. Ok, estou indo. Ok.
Elena e Damon trocaram uma olhada e se colocaram de p enquanto a maaneta da porta do poro girava. Bonnie colocou a cabea na borda da porta.
-Meredith me disse para subir para c. No sei o motivo. Est monopolizando Alaric e a festa  um desastre. Aff.
Se sentou no colcho e depois de poucos minutos Elena voltou a se sentar ao lado dela. Comeava a desejar a chegada de Stefan quando a porta voltou a abrir e Meredith 
entrou, ela estava certa de ter desejado.
-Meredith, o que est acontecendo?
-Nada ou pelo menos nada para se preocupar. Onde est Stefan?
As bochechas de Meredith estavam no-usualmente avermelhadas e luzia uma expresso curiosa nos olhos como se mantivesse algo firmemente sob controle.
-Vir mais tarde... - comeou Elena, mas Damon a interrompeu.
-No importa onde ele esteja. Quem est subindo as escadas?
-O que quer dizer com "quem est subindo as escadas"? - disse Bonnie se levantando.
-Todos vocs, mantenham a calma - disse Meredith se colocando em frente a janela como se a guardasse; no parecia precisamente muito calma, se disse Elena. - Tudo 
certo - disse em voz alta e a porta se abriu e Alaric Saltzman entrou no quarto.
O movimento de Damon foi to gracioso que nem sequer os olhos de Elena puderam segui-lo; com um gesto pegou o pulso de Elena e a ps atrs dele, ao mesmo tempo que 
se dirigia diretamente para o rosto de Alaric. Ele finalizou se agachando como um predador, cada msculo tenso e pronto para o ataque.
-Oh, no! -exclamou Bonnie violentamente.
Ela se lanou sobre Alaric que j tinha comeado a retroceder um pouco ante Damon. O professor quase perdeu o equilbrio e tateou a suas costas em busca da porta. 
A outra mo procurava algo no cinto.
-Chega! Chega! - gritou Meredith.
Elena viu a forma abaixo da jaqueta de Alaric e compreendeu que era uma pistola.
Outra vez, no conseguiu acompanhar tudo que aconteceu, Damon soltou o pulso dela e pegou o de Alaric. E depois Alaric estava sentado no cho com uma expresso atordoada 
e Damon tirava as balas da arma, uma a uma.
-Disse a voc que era uma estupidez e que no precisaria disso - disse Meredith.
Elena reparou que ela mesma segurando a garota morena em seus braos. Sem duvida tinha que faze-lo para impedir que Meredith interrompesse Damon, mas no se lembrava.
-Essas coisinhas com pontas de madeira so desagradveis; podiam ferir algum - disse Damon, com um leve tom de censura; voltou a colocar um dos cartuchos e fechou 
o carregador com um clique, apontou pensativamente para Alaric.
-Pre! - disse Meredith intensamente. Ela se virou para Elena. - Faa ele parar, Elena; ele s est piorando mais as coisas. Alaric no vai machucar vocs; eu prometo. 
Eu gastei toda a semana o convencendo que vocs no iam machuca-lo.
-E agora acho que meu pulso est quebrado - disse Alaric controladamente. Seu cabelo cor de areia estava caindo nos olhos.
-Voc no pode culpar ningum a no ser voc - Meredith replicou amargamente.
Bonnie que estava segurando, solicitamente, os ombros de Alaric, levantou os olhos ante a familiaridade do tom de Meredith e ento retrocedeu alguns passos e se 
sentou.
-Mal posso esperar por ouvir uma explicao para isso - disse ela.
-Por favor, confie em mim - Meredith disse a Elena.
Elena olhou dentro de seus olhos escuros. Ela confiava em Meredith; ela diria ento. E as palavras despertaram outra lembrana, sua prpria voz pedindo a Stefan 
confiana. Assentiu.
-Damon? - disse ela.
Ele jogou a arma casualmente no cho e ento sorriu para todos, deixando bem claro que no precisava de armas artificiais.
-Agora se todo mundo se limitar a escutar, todos compreendero - disse Meredith.
-Oh, claro - disse Bonnie.
Elena se aproximou de Alaric Saltzman. Ela no estava com medo dele, mas o modo em que ele olhou somente para ela, vagarosamente, comeando a por os ps no cho 
e logo se levantando, ele estava com medo dela.
Ela parou quando estava a um metro do lugar onde ele estava sentado no cho e se agachou ali, olhando para ele.
-Ol - disse ela. 
Ele ainda estava segurando o pulso.
-Ol - respondeu, tragando saliva.
Elena deu uma rpida olhada para trs para ver Meredith e ento voltou a olhar Alaric. Sim, ele estava assustado. E com o cabelo nos olhos daquele modo, parecia 
jovem. Podia ter quatro anos a mais que Elena, talvez cinco. No mais que isso.
-No vamos machucar voc - disse ela.
-Isso  o que voc est dizendo - disse Meredith em voz baixa. - Eu o expliquei que seja l o que j tenha visto, qualquer que seja a historia que j tenha ouvido, 
vocs dois eram diferentes. Contei o que voc me contou sobre Stefan, o modo como tem lutado contra sua natureza durante todos esses anos. Contei sobre o que aconteceu, 
Elena, e que no queria que acabasse assim.
"Mas por que voc contou todas essas coisas a ele?", pensou Elena e disse a Alaric:
-Tudo bem, sabe coisas sobre ns. Mas tudo que sabemos sobre voc  que  um professor de historia.
- um caador - disse Damon com suavidade, ameaadoramente. - Um caador de vampiros.
-No - disse Alaric. - Ou ao menos no no sentido que voc acha - Pareceu tomar alguma deciso. - Tudo bem. Do que eu sei sobre vocs trs... - se interrompeu passando 
os olhos pelo quarto escuro como se de repente reparasse em algo. - Onde est Stefan?
-Est a caminho. Na verdade, j deveria estar aqui agora. Ele ia parar na escola e trazer Caroline - disse Elena. Ela no estava preparada para a reao de Alaric.
-Caroline Forber? - disse ele abruptamente, sentando-se muito tenso.
Sua voz soava como quando ela o ouvira falando com o sr. Feinberg e o diretor, cortante e enrgica.
-Sim; ela enviou um bilhete para ele hoje, ela disse que queria pedir desculpas ou algo assim. Ela queria encontra-lo na escola antes da festa.
-Ele no pode ir. Vocs tm que para-lo - Alaric se ps de p apressadamente e repetiu urgentemente: - Vocs precisam para-lo.
-Ele j foi. Por que? Por que ele no deveria ir? - quis saber Elena.
-Porque hipnotizei Caroline h dois dias. Tinha tentado antes com Tyler, sem existo. Mas Caroline  um bom sujeito, e recordou o que tinha acontecido na cabana. 
Identificou Stefan Salvatore como o atacante.
O chocante silncio durou apenas uma frao de segundos. Ento Bonnie disse:
-Mas o que Caroline pode fazer? Ela no pode machuca-lo...
-Voc no entende? No se trata de um encontro de estudantes na escola - disse Alaric. - Isso foi longe demais. O pai de Caroline sabe sobre isso e o pai de Tyler 
tambm. Eles esto preocupados com a segurana da cidade...
-Xi! Fique quieto!
Elena procurava em sua mente, tentando encontrar algum sinal da presena de Stefan. "Ele se deixou enfraquecer", ela pensou, com a parte dela que mantinha uma calma 
glacial em meio ao turbilho de medo e pnico. Por fim percebeu algo, s um leve indcio, mas lhe pareceu ser Stefan. E estava em apuros.
-Algo est errado - confirmou Damon e ela compreendeu que ele tambm devia t-lo procurado com uma mente muito mais poderosa do que a dela. - Vamos.
-Espere, deixe eu falar com eles primeiro. No se metam nisso.
Mas Alaric podia ter falado com o vento, tentando reiterar seu poder destruidor com palavras. Damon j estava na janela e logo Elena tambm se deixava cair por ela, 
aterrizando limpidamente junto a Damon na neve. A voz de Alaric os seguiu de cima.
-Ns tambm vamos. Esperem a. Deixe que eu fale com eles primeiro. Posso fazer isso...
Elena apenas o olhou. Sua mente funcionava com um nico propsito, um pensamento. Machucar as pessoas que queriam machucar Stefan. "Foram longe demais", pensava, 
"e agora vou to longe quanto seja necessrio. Se se atreverem a toca-lo".Em sua mente passavam imagens fugazes, rpidas demais para cont-las, do que faria. Em 
qualquer outro momento se sentiria chocada pela torrente de adrenalina, de excitao, que flua naqueles pensamentos.
Podia perceber a mente de Damon junto a ela enquanto corriam a toda velocidade pela neve; era como se uma chama de luz vermelha e fria. A ferocidade que havia dentro 
de Elena a recebeu de bom grado, feliz por senti-la to perto. Mas ento lhe ocorreu outra coisa.
-Vou diminuir o passo - disse ela.
Ela mal respirava, mesmo correndo pela neve virgem, conseguiram fazer um tempo extraordinrio. Mas nada sobre as duas pernas, ou mesmo sobre quatro, poderia igualar 
a velocidade das asas de uma ave.
-Continue - disse ela. - Chegarei o mais rpido que puder. Me encontrarei com voc.
No ficou para contemplar como o ar se desenrolava e se estremecia, ou o modo em que a escurido rodopiava at se converter em um bater de asas que batiam no ar. 
Mas ela olhou para o alto para contemplar o corvo que se elevava as alturas e ouviu a voz mental de Damon.
"Boa caa", disse, e a alada figura negra foi como uma flecha para a escola.
"Boa caa" foi o pensamento que Elena enviou para ele, e falava srio. Redobrou a velocidade com a mente fixa o tempo todo naquele brilho da presena de Stefan.

Stefan jazia de costas, desejando que sua viso no fosse to borrada ou que tivesse algo mais que um controle vacilante sobre a conscincia. A viso borrada se 
devia em parte a dor e em parte a neve, mas tambm havia uma linha de sangue procedente da ferida de sete centmetros em sua cabea.
Ele tinha sido to estpido por no ter dado uma olhada ao redor da escola; de ter visto vrios carros com as luzes apagadas estacionados do outro lado. E agora 
ia pagar por aquela estupidez.
Se ao menos fosse capaz de se concentrar o suficiente para pedir ajuda... Mas a debilidade que permitira que esses homens pudessem com ele com tanta facilidade tambm 
o impedia. No tinha se alimentado desde a noite de Tyler. De certo modo, isso era irnico. Seu prprio sentimento de culpa era responsvel da enrascada em que se 
encontrava.
"No devia ter tentado mudar minha natureza", pensou, "por fim Damon estava certo. Todos eram iguais, Alaric, Caroline, todos. Todos o traram. Deveria ter caado 
todos e desfrutado disso".
Esperou que Damon cuidasse de Elena. A garota estaria a salvo com ele; Damon era forte e implacvel. Damon a ensinaria a sobreviver. Isso o alegrava.
Mas algo em seu interior chorava.


Os agudos olhos de corvo distinguiram as luzes dos faris cruzados no cho e a ave desceu. Mas Damon no precisava de confirmao visual; era guiado pelo tnue latido 
da fora vital de Stefan. Tnue porque Stefan estava fraco e porque quase j se havia dado por vencido.
"Nunca vai aprender, no , irmo?", lhe disse Damon mentalmente. "Deveria deixa-lo a onde est". Mesmo quando passava pelo cho em vo rasante sua forma mudava, 
adotando uma forma que faria mais estrago que o de um corvo.
O lobo negro saltou no meio dos homens que rodeavam Stefan, dirigindo-se com preciso para o que segurava o cilindro afiado de madeira sobre o peito de Stefan. A 
fora do golpe lanou o homem uns trs metros para trs e a estaca caiu sobre a era. Damon conteve o impulso - muito mais forte pela aparncia que havia adotado 
- de fechar os dentes no pescoo do homem. Girou e virou para os outros dois homens que continuavam de p.
Sua segunda investida os dispersou, mas um deles alcanou o fim da luz e voltou, levantando algo a altura do ombro. "Um rifle", pensou Damon. E provavelmente carregado 
com as mesmas balas carregadas especialmente que tinha na arma de Alaric. No havia modo de alcanar o homem antes que disparasse. O lobo grunhiu e se preparou para 
dar um salto do mesmo jeito. O rosto rolio do homem se crispou em um sorriso.
Veloz como o ataque de uma serpente, uma mo branca surgiu da escurido e arrancou o rifle. O homem olhou freneticamente ao seu redor, perplexo, e o lobo deixou 
que suas mandbulas se abrissem em um largo sorriso. Elena tinha chegado.


















Capitulo 11


Elena contemplou como o rifle do sr. Smallwood girava na era. Desfrutou como a expresso no rosto do homem quando ele girou ao seu redor para procurar o que o havia 
arrebatado. E sentiu a chamada de aprovao de Damon do outro lado da zona iluminada, feroz e ardente como o orgulho de um lobo ante a primeira presa de seu filhote. 
Mas quando pde ver Stefan cado no cho, esqueceu de tudo. Uma fria incomensurvel a deixou sem alento e comeou a avanar para ele.
-Todos, parem! Parem tudo agora, exatamente onde esto!
O grito chegou junto ao guincho dos pneus. Alaric saltou do carro quase antes que ele parasse de se mover.
-O que est acontecendo aqui? - exigiu, avanando a grandes passos at os homens.
Ao ouvi-lo, Elena retrocedeu automaticamente para as sombras e naquele momento contemplava os rostos dos homens enquanto eles se viravam para o recm-chegado. Alm 
do sr. Smallwood, reconheceu o sr. Forbes e o sr. Bennett, o pai de Vickie Bennett. Os outros homens deviam ser os pais dos outros dois garotos que tinham estado 
com Tyler na cabana, se disse.
Foi um dos desconhecidos que respondeu a pergunta, com uma enunciao lenta que no conseguia ocultar todo o nervosismo subjacente.
-Bem, ns nos cansamos de continuar esperando. Decidimos acelerar um pouco as coisas.
O lobo grunhiu. Foi um som surdo que se elevou at se converter em um grunhido parecido ao de uma motocerra. Todos os homens retrocederam com um estremecimento e 
os olhos de Alaric se desorbitaram ao notar a presena do animal pela primeira vez.
Soava outro som, mais pausado e continuado, procedente de uma figura abaixada junto a um dos carros. Caroline Forbes choramingava sem parar.
-Disseram que s queriam falar com ele. No me disseram o que iam fazer.
Alaric, com um olho posto no lobo, a apontou para ela com um gesto.
-E iam deixar que ela presenciasse-se isso? Uma jovem? Vocs se do conta dos danos psicolgicos que isso lhe podia causar? 
-O que h de dano psicolgico quando arrancarem sua garganta? - replicou o sr. Forbes e houveram gritos de consentindo. -  isso que nos preocupa.
-Nesse caso  melhor que se preocupem de encontrar o homem correto - disse Alaric. - Caroline - acrescentou, se virando para ela. - Quero que pense. No chegamos 
a finalizar nossa seo. Sei que quando pausamos pensava ter reconhecido Stefan. Mas, tem certeza que foi ele? Pode ter sido alguma outra pessoa, algum que se parecesse 
com ele?
Caroline se levantou, se apoiando no carro e levantando o rosto manchado de lgrimas. Olhou Stefan, que acabava de se sentar no cho, e ento para Alaric.
-Eu...
-Pense, Caroline. Tem que est absolutamente segura. Existe alguma outra pessoa que pudesse ter sido, como...?
-Como esse garoto que disse que se chama Damon Smith - se ouviu dizer a voz de Meredith; a garota era uma esbelta sombra de p junto ao carro de Alaric. - Se lembra, 
Caroline? Veio a primeira festa de Alaric. Se parece com Stefan em alguns aspectos.
A tenso manteve Elena em perfeita suspenso enquanto Caroline abria muito os olhos, perplexa. Ento, lentamente, a garota de cabelos cor de mel comeou a assentir.
-Sim... pode ter sido, eu acho. Tudo aconteceu to depressa... Mas pode ter sido.
-E realmente no pode ter certeza de qual foi? - disse Alaric.
-No... no com absoluta certeza.
-Viram - disse Alaric. - Disse a vocs que ela precisava de mais sesses, que no podamos estar certos de nada ainda. Ainda est muito confusa.
Ele avanava, com cuidado, at Stefan. Elena notou que o lobo voltava a retroceder para as sombras. Ela podia v-lo, mas os homens provavelmente no.
O desaparecimento do animal os fez mais agressivos.
-Do que est falando? Quem  esse Smith? Nunca o vi.
-Mas sua filha, Vickie, provavelmente o viu, sr. Bennett - disse Alaric. - Isso podia sair na prxima sesso com ela. Falaremos disso amanh; pode esperar esse tempo. 
Agora creio que o melhor ser que levem Stefan a um hospital.
Alguns dos homens se mostraram inconformados.
-Oh, certamente, e enquanto ns esperamos alguma coisa acontecer - comeou a dizer o sr. Smallwood. - A qualquer momento, em qualquer lugar...
-Ento vocs simplesmente vo fazer justia com as prprias mos? - disse Alaric, e sua voz se tornara dura. - Mesmo que tenham o suspeito certo ou errado? Onde 
esto as provas que esse garoto possui poderes sobrenaturais? Que provas vocs tem? Quanta resistncia sequer imps?
-Tem um lobo por aqui que se ops com muita resistncia - replicou o sr. Smallwood com o rosto ruborizado. - Alm do mais esto juntos com ele.
-No vejo nenhum lobo. Vi um cachorro. Talvez um dos cachorros que escaparam da quarentena. Mas o que isso tem a ver com tudo? Lhes digo que em minha opinio profissional 
pegaram o homem errado.
Os homens titubearam, mas ainda existia alguma duvida em seus rostos. Meredith tomou a palavra.
-Creio que deveriam saber que tem tido ataques de vampiros neste condado anteriormente - disse. - Muito tempo antes de Stefan chegar aqui. Meu av foi uma vtima. 
Talvez alguns de vocs tenham ouvido falar disso - olhou em direo a Caroline.
Aquilo ps fim a questo. Elena viu como os homens trocaram olhares inquietos e retornaram para seus carros. De repente todos eles pareciam ansiosos para estarem 
em outro lugar.
O sr. Smallwood foi o nico que ficou para trs para dizer:
-Disse que falaramos sobre isso amanh, Saltzman. Quero ouvir o que diz meu filho na prxima vez que o hipnotizem.
O pai de Caroline puxou sua filha e a empurrou para dentro do carro a toda pressa, murmurando algo sobre que aquilo era um erro e que ningum o considerava suficientemente 
srio.
Quando o ltimo carro foi embora, Elena correu para junto de Stefan.
-Voc est bem? Machucaram voc?
Ele se afastou do brao de Alaric que o sustentava.
-Algum me golpeou por trs enquanto falava com Caroline. Estou bem... agora - dirigiu uma veloz olhada para Alaric. - Obrigado. Por que?
-Est do nosso lado - explicou Bonnie, reunindo-se com eles. - Eu disse a vocs. Ento, Stefan, est bem de verdade? Por um segundo pensei que eu fosse desmaiar 
aqui. Eles no falavam srio. Quero dizer, eles no pensavam realmente em...
-De verdade ou no, no acho que devamos permanecer aqui - disse Meredith. - Precisa realmente ir a um hospital?
-No - respondeu Stefan enquanto Elena examinava com ansiedade o corte em sua cabea. - S preciso descansar. Algum lugar para me sentar.
-Tenho minhas chaves. Vamos para a sala de histria - disse Alaric.
Bonnie passava os olhos pela escurido com apreenso.
-O lobo tambm? - disse e logo pegou um susto quando uma sombra adquiriu solidez e se transformou em Damon.
-Que lobo? - perguntou ele.
Stefan virou levemente, fazendo uma careta de dor.
-Obrigado a voc tambm - disse friamente.
Mas os olhos de Stefan permaneceram postos em seu irmo com algo parecido com perplexidade enquanto se encaminhavam ao edifcio da escola.


No corredor, Elena se encostou ao lado dele.
-Stefan, como  que no notou que eles se aproximavam pelas suas costas? Por que estava to fraco?
Stefan sacudiu a cabea evasivamente, e ela disse:
-Quando foi a ultima vez que voc se alimentou? Stefan, quando foi? Sempre d alguma desculpa quando eu ando por a. O que est tentando fazer? 
-Estou bem - disse. - De verdade, Elena. Caarei mais tarde.
-Voc promete?
-Eu prometo.
Naquele momento, no ocorreu a Elena que no tinham dito o que era "mais tarde". Deixou que ele a conduzisse ao corredor adiante.
A sala parecia diferente durante a noite aos olhos de Elena. Havia uma atmosfera estranha nela, como se as luzes fossem fortes demais. Naquele momento todas as mesas 
estavam colocadas de lado e haviam cinco cadeiras colocadas diante da mesa de Alaric. Ele, que acabara de organizar os moveis, convenceu Stefan a ocupar seu prprio 
assento acolchoado.
-Bem, por que vocs tambm no se sentam?
Se limitaram a olha-lo. Em um instante, Bonnie se deixou cair em uma cadeira, mas Elena permaneceu junto a Stefan, Damon ficou encostado na metade do caminho entre 
grupo e a porta, e Meredith empurrou alguns papeis at a parte central da mesa de Alaric e se acomodou em uma quina dela.
O olhar de professor desapareceu dos olhos de Alaric.
-Muito bem - disse e se sentou em uma das cadeiras para alunos. - Bem.
-Bem - disse Elena.
Todos olharam todos. Elena pegou um pedao de algodo da caixa de primeiros socorros que tinha pego na entrada e comeou a dar ligeiros toques na cabea de Stefan.
-Creio que  hora de explicao - disse.
-Certo. Sim. Bem, todos parecem ter adivinhado que no sou um professor de historia...
-Nos primeiros cinco minutos - disse Stefan.
A voz dele soou tranqila e perigosa, e com um estremecimento, Elena recordou que se parecia com a de Damon.
-Ento, o que voc ?
Alaric fez um gesto de desculpas e respondeu quase com timidez:
-Um psiclogo. No um que usa um div - disse apressadamente quando os outros trocaram olhares. - Sou um investigador, um psiclogo experimental. Da universidade 
Duke. Vocs sabem, onde iniciam os experimentos sobre percepo extras sensorial.
-Onde eles fazem voc adivinhara o que h na cartolina sem ver - perguntou Bonnie.
-Sim, bom, tem ido mais longe do que isso agora, desde ento. Ainda que no me importaria de fazer uma prova com as cartolinas Rhine, em especial quando se est 
em uma dessas confuses - o rosto de Alaric se iluminou com um interesse cientifico. Ento ele limpou a garganta e continuou. - Mas... ah... como dizia, comeou 
h dois anos, quando fiz um trabalho sobre parapsicologia. No tentava demonstrar que existiam poderes sobrenaturais, s queria estudar qual  seu efeito psicolgico 
nas pessoas que o possuem. Bonnie, aqui presente,  um desses casos - a voz de Alaric adotou um tom de confidencia.
- O que lhe provoca mentalmente, emocionalmente, ter que lidar com esses poderes?
- terrvel - interrompeu Bonnie com veemncia. - No os quero. Eu os odeio.
-Bem, ento - disse Alaric. - Tinha proporcionado um estudo fantstico. Meu problema era que no tinha ningum com autnticos poderes para examinar. Havia uma grande 
quantidade de farsantes: curadores com cristais, videntes, canalizadores, de tudo que voc pensar. Mas no pde encontrar nada genuno at que recebi uma informao 
de um amigo do corpo de polcia. Havia uma mulher na Carolina do Sul que afirmava ter sido mordida por um vampiro e que desde ento padecia de pesadelos psquicos. 
At ento eu estava to acostumado com os farsantes que esperava que fosse s mais um. Mas no era, no ao menos a respeito da mordida. Jamais pude provar que tivesse 
poderes psquicos.
-Como voc podia ter certeza que haviam sido mordida - disse Elena.
-Havia provas mdicas. Restos de saliva nas feridas que eram similares a saliva humana... mas no eram. Continha um agente anti-colagulante similar ao que se encontra 
na saliva das sanguessugas... - Alaric parou e ento prosseguiu a toda pressa. - Em todo caso, eu tinha certeza. E foi assim que comeou. Uma vez que me convenci 
de que algo havia realmente acontecido a ela, comecei a procurar outros casos como o dela. No havia uma grande quantidade deles, mas existia. Pessoas que tinham 
tropeado com vampiros. Abandonei todos meus estudos e me concentrei em localizar vitimas de vampiros e examina-las. E modstia a parte, me tornei um expert mais 
importante nesse campo - concluiu com modstia. - Escrevi vrios trabalhos...
-Mas nunca tinha visto um vampiro de verdade - interrompeu Elena. - At agora, quero dizer. No ?
-Bom... no. No, em carne e osso. Mas escrevi monografias... e coisas - sua voz foi se apagando.
Elena mordeu o lbio.
-O que fazia com os cachorros? - perguntou. - Na igreja, quando agitava as mos em direo a eles.
-Ah... - Alaric pareceu envergonhado -, aprendi algumas coisas aqui e ali, sabe como . Era um conjuro que um velho da montanha me ensinou para afastar o mal. Pensei 
que podia funcionar.
-Tem muito o que aprender - disse Damon.
-Evidentemente - respondeu ele friamente e ento se deu de ombros. - Na realidade, me imaginei nisso quando cheguei aqui. Seu diretor, Brian Newcastle, tinha ouvido 
falar de mim. Conhecia os estudos que eu realizo. Quando mataram Tanner e o dr. Feinberg no encontrou sangue no corpo e encontrou laceraes feitas por dentes no 
pescoo... Bom, me chamaram. Pensei que podia ser uma grande oportunidade para mim..., um caso com um vampiro na rea. O nico problema foi que quando cheguei aqui 
me dei conta que esperavam que eu desse conta do vampiro. No sabiam que s havia lidado com as vtimas. E... bom, talvez isso me superasse. Mas fiz todo o possvel 
para justificar sua confiana...
-Fingiu - disse Elena - Isso foi o que voc fez quando o ouvi falando com eles na sua casa sobre encontrar nossa suposta guarita e tudo isso. Simplesmente, improvisava.
-Bom, no exatamente - disse ele. - Teoricamente, sou um expert - ento racionou a suas palavras. - A que se refere quando diz que me ouviu falar com eles?
-Enquanto voc estava fora procurando um esconderijo, ela dormia no seu sto - lhe informou Damon secamente.
Alaric abriu a boca e logo voltou a fecha-la.
-O que eu gostaria de saber  como Meredith entra em tudo isso - interveio Stefan, e no sorria.
Meredith, que estava contemplando pensativamente a baguna de papeis que estavam na mesa de Alaric durante todo aquele tempo, levantou os olhos. Falou sem se alterar, 
sem emoo.
-O reconheci, sabe? No conseguia lembrar de onde no comeo, porque j fazia trs anos. Ento compreendi que foi no hospital onde estava meu av. O que contei a 
esses homens  a verdade, Stefan. Meu av foi atacado por um vampiro - houve um curto silncio e Meredith continuou falando. - Aconteceu h muito tempo, antes que 
eu nascesse. No ficou muito sequelado, mas jamais se recuperou completamente. Se tornou... Bom, algo parecido com que Vickie se tornou, s que mais violento. Chegou 
a tal ponto que tivessem medo que fizesse mal a si mesmo ou a alguma outra pessoa. E foi assim que o levaram a um hospital, um lugar onde estaria a salvo.
-Um hospital para doentes mentais - disse Elena, e sentiu uma pulsada de compaixo pela garota de cabelos escuros. - Ah, Meredith. Por que voc no disse nada? Podia 
ter nos contado.
-Eu sei. Deveria ter dito..., mas no podia. A famlia o manteve em segredo por muito tempo; ou tentou, ao menos. Pelo que Caroline escreveu no seu dirio, evidentemente 
ela ouviu algo sobre isso. A questo  que ningum jamais acreditou nas historias do meu av sobre o vampiro. Simplesmente, pensaram que era outro de seus delrios 
e ele tinha muitos. Nem sequer eu acreditava... at que Stefan chegou. E ento... no sei, minha mente comeou a encaixar coisas sem importncia. Mas realmente no 
acreditava no que pensava at que voc voltou, Elena.
-Me surpreende que no me odiasse - disse Elena em voz baixa.
-Como podia odiar voc? Conheo voc e conheo Stefan. Sei que no so malvados - Meredith no olhou para Damon; o ignorava, como se ele nem ao menos estivesse ali. 
- Mas quando lembrei ter visto Alaric falando com meu av no hospital, soube quem ele era. S que no sabia exatamente como reunir todos vocs e mostrar isso.
-Nem eu a reconheci - disse Alaric. - O velho se chamava de outra forma; o pai da tua me, no ? E pode ser que eu a tenha visto rondando a sala de espera alguma 
vez, mas no  mais do que uma garotinha de pernas finas. E ento mudou - disse como um elogio.
Bonnie tossiu com um som muito significativo.
Elena tentava organizar as coisas em sua mente.
-Ento o que faziam os homens l de fora com uma estaca se voc no os disse para est ali?
-Tive que pedir permisso aos pais de Caroline para hipnotiza-la. E os informei sobre o que descobri. Mas se pensa que tive algo a ver com o que aconteceu essa noite, 
est errada. Nem sequer sabia.
-Contei a ele o que temos feito, como temos estado procurando o Outro Poder - explicou Meredith. - E quer ajudar.
-Disse que poderia ajudar - disse com cautela.
-Errado - disse Stefan. - Ou est conosco ou contra ns. Agradeo pelo que fez l fora, ao falar com eles, mas continuo de p. Para comear, voc comeou grande 
parte disso. Agora tem que decidir: est do nosso lado... ou do deles?
Alaric olhou para cada um deles, observou o firme olhar de Meredith e as sobrancelhas arqueadas de Bonnie, Elena sentada no cho e a cabea de Stefan que j cicatrizava. 
Ento desviou os olhos para Damon, que estava encostado contra a parede, sombrio e taciturno.
-Ajudarei - disse por fim. - Demnios,  o estudo definitivo.
-Ento est certo - disse Elena. - Est dentro. Agora o que acontecer com o sr. Smallwood amanh? E se ele quiser que voc volte a hipnotizar Tyler?
-Vou enrola-lo - respondeu ele. - No funcionar eternamente, mas nos dar tempo. Direi a ele que terei que ajudar no baile...
-Espere - disse Stefan. - No deveria haver um baile, no se h um modo de evita-lo. Est com boas relaes com o diretor; pode falar com a junta escolar. Faa que 
o cancelem.
Alaric pareceu sobressaltado.
-Voc acha que vai acontecer algo?
-Sim - respondeu Stefan. - No s devido ao que tem acontecido nos outros atos pblicos, e sim, porque est preparando algo. Tem estado preparando algo a semana 
toda; posso notar.
-Eu tambm - disse Elena.
No tinha reparado nele at aquele momento, mas a tenso que sentia, a sensao de emergncia, no estavam simplesmente dentro dela. Estava fora, em todas as partes. 
Diferenciava o ambiente.
-Algo vai acontecer, Alaric.
Alaric soltou o ar com um suspiro pausado.
-Bem, posso tentar convence-los, mas... no sei. O diretor est empenhado em manter um aspecto de normalidade o tempo todo. E no  como se eu pudesse dar uma explicao 
racional para querer enclausur-lo.
-Se esforce - disse Elena.
-Tentarei. E voc deveria tentar se proteger. Se o que Meredith me disse est correto, ento a maioria dos ataques tem sido para voc e as pessoas prximas a voc. 
Jogaram seu namorado em um poo; perseguiram seu carro at joga-lo em um rio; arruinaram seu funeral. Meredith disse que at sua irm mais nova foi ameaada. Se 
algo vai acontecer amanh era melhor que sasse da cidade.
Foi ento que Elena se tocou. Nunca tinha pensado nos ataques desse modo, mas ele estava certo. Olhou como Stefan respirava com fora e sentiu que os dedos dele 
se fechavam com mais fora sobre os seus.
-Tem razo - disse Stefan. - Deve ir, Elena. Eu posso ficar at que...
-No. No vou sem voc. E - prosseguiu Elena, lentamente, considerando com cuidado - no vou ir a lugar nenhum at que encontremos o Outro Poder e o detenhamos - 
levantou os olhos para ele muito sria, falando depressa agora. - Stefan, no se d conta, ningum mais tem uma possibilidade sequer contra ele. O sr. Smallwood 
e seus amigos no tem nem idia. Alaric pensa que pode combate-lo agitando as mos na frente dele. Nenhum deles sabe o que enfrentamos. Somos os nicos que podemos 
ajudar.
Via a resistncia nos olhos de Stefan e sentia a tenso em seus msculos. Mas a medida que continuava olhando diretamente para ele, viu como suas objees caiam 
uma a uma. Pelo simples motivo de que era a verdade e Stefan odiava mentir.
-Tudo bem - disse ele por fim, com pesar. - Mas enquanto isso finalize, nos vamos. No vou deixar que fique em uma cidade que grupos vigilantes correm com estacas.
-Sim - disse ela, devolvendo a presso de seus dedos nos dele. - Quando isso acabe, vamos embora.
Stefan virou a cabea para Alaric.
-E se no h um modo de dissuadi-los a parar o baile de amanh, acho que devemos manter uma vigilncia sobre ele. Se finalmente acontecer algo, talvez possamos det-lo 
antes que perca o controle.
-Essa  uma boa idia - disse Alaric, se animando. - Podamos nos reunir amanh depois do escurecer, aqui, na sala de aula de historia. Ningum vem aqui. Podamos 
vigiar toda a noite.
Elena dirigiu um duvidoso olhar para Bonnie.
-Bom... significa perder o baile em si; para aquele de ns que poderia ter ido, quero dizer.
Bonnie se ergueu completamente.
-Bom, quem se importa de perder um baile? - disse indignada. - O que importa um baile para algum?
-Tudo bem - disse Stefan em tom srio. - Ento est decidido.
Um espasmo de dor pareceu percorre-lo e fez uma careta olhando o cho. Elena se sentiu imediatamente preocupada.
-Precisa ir para casa e descansar - disse. - Alaric, pode nos levar no carro? No  muito longe. 
Stefan declarou que era perfeitamente capaz de andar, mas acabou cedendo. Uma vez na casa de hospedes, depois que Stefan e Damon saram do carro, Elena se inclinou 
sobre a janela de Alaric para fazer uma ultima pergunta. Era algo que estava atormentando sua mente desde o momento em que Alaric havia lhes contado sua historia.
-A respeito dessas pessoas que haviam tropeado com vampiros - disse. - Quais eram os efeitos psicolgicos? Quero dizer, todos ficavam loucos ou tinham pesadelos? 
Algum deles seguiram adiante normalmente?
-Depende do individuo - respondeu ele. - E de quantos encontros tenham dito, e de que tipo de contatos foram. Mas em sua maioria depende da personalidade da vitima, 
do quo bem pudessem lidar com isso na mente dele.
Elena assentiu e no disse nada at que as luzes do carro de Alaric foram engolidas pelo ar inundado de pedaos de neve. Ento se virou para Stefan.
-Matt.























Captulo 12


Stefan olhou para Elena, cristais de neve salpicados em seu cabelo escuro. "O que tem o Matt?"
"Eu me lembro - de algo. No est claro. Mas naquela primeira noite, quando eu no era mim mesma - eu vi o Matt? Eu-?"
Medo e uma nauseante sensao de consternao passaram por sua garganta e interromperam suas palavras. Mas ela no precisou terminar, e Stefan no precisou responder. 
Ela viu isso em seus olhos.
"Era a nica maneira, Elena," ele disse ento. "Voc teria morrido sem sangue humano. Voc preferia ter atacado algum relutante, machucado-o, talvez matado-o? A 
necessidade pode lev-la a isso.  isso o que voc teria querido?"
"No," Elena disse violentamente. "Mas tinha que ser o Matt? Ah, no responda isso; eu no consigo pensar em mais ningum, tampouco." Ela tomou um flego instvel. 
"Mas agora estou preocupada com ele, Stefan. Eu no o vi desde aquela noite. Ele est bem? O que ele disse a voc?"
"No muito," disse Stefan, olhando para longe. " 'Deixe-me em paz' foi o principal. Ele tambm negou que algo tenha acontecido naquela noite, e disse que voc estava 
morta."
"Parece com uma dessas pessoas que no sabem lidar com as coisas," Damon comentou.
"Ah, cala a boca!" disse Elena. "Fique fora disso, e enquanto faz isso, podia pensar sobre a coitada da Vickie Bennett. Como voc acha que ela est lidando com as 
coisas atualmente?"
"Podia ajudar se eu soubesse quem essa Vickie Bennett . Voc fica falando sobre ela, mas eu nunca conheci essa garota."
"Sim, voc conheceu. No brinque comigo, Damon - o cemitrio, se lembra? A Igreja arruinada? A garota que voc deixou vagando de lingerie?"
"Desculpa, no. E eu geralmente me lembro de garotas que eu deixo vagando em lingerie."
"Creio que foi Stefan que fez, ento," Elena disse sarcasticamente.
Raiva relampejou na superfcie dos olhos de Damon, cobertos rapidamente por um sorriso perturbador.
"Talvez ele tenha feito. Talvez voc tenha feito.  tudo igual para mim, exceto que eu estou ficando um pouco cansado dessas acusaes. E agora -"
"Espera," disse Stefan, com uma surpreendente brandura. "No v ainda. Ns deveramos falar-"
"Receio ter um compromisso prvio." Houve um alvoroo de asas, e Stefan e Elena ficaram sozinhos.
Elena colocou os ns dos dedos em seus lbios. "Droga. Eu no quis deix-lo nervoso. Depois dele ter sido realmente quase civilizado a noite toda."
"Deixa pra l," disse Stefan. "Ele gosta de ficar nervoso. O que voc estava dizendo sobre o Matt?"
Elena viu o desgaste no rosto de Stefan e colocou um brao ao redor dele. "No vamos falar sobre isso agora, mas eu acho que talvez amanh devssemos v-lo. Para 
contar a ele..."
Elena levantou sua outra mo desemparadamente. Ela no sabia o que queria contar a Matt; ela s sabia que precisava fazer algo.
"Eu acho," disse Stefan lentamente, "que  melhor voc ir ver ele. Eu tentei falar com ele, mas ele no quis me ouvir. Eu consigo entender, mas talvez voc tenha 
mais sucesso. E eu acho," ele pausou e ento continuou resolutamente, "e eu acho que seria melhor voc estar sozinha com ele. E voc poderia ir agora."
Elena olhou para ele duramente. "Tem certeza?"
"Sim."
"Mas - voc vai ficar bem? Eu devia ficar com voc-"
"Eu vou ficar bem, Elena," Stefan disse, gentilmente, "V."
Elena hesitou, ento concordou. "Eu no vou demorar," ela prometeu a ele.


Sem ser vista, Elena deslizou pelo lado da casa com tinta descascando e a caixa de correio torta com o nome Honeycutt. A janela de Matt estava destrancada. Que garoto 
descuidado, ela pensou desaprovadoramente. Voc no sabe que alguma coisa pode se infiltrar?
Ela a abriu facilmente, mas obviamente era s at onde podia ir. Uma barreira invisvel que parecia com uma parede suave de ar pesado bloqueava seu caminho.
"Matt," ela sussurrou. O quarto estava escuro, mas ela conseguia ver uma forma vaga na cama. Um relgio digital com nmeros verdes plidos mostrava que era 12:15. 
"Matt," ela sussurrou novamente.
A silhueta se moveu. "Hein?"
"Matt, eu no quero assust-lo." Ela deixou sua voz suave, tentando acord-lo gentilmente ao invs de mat-lo de susto. "Mas sou eu, Elena, e eu queria conversar. 
S que voc tem que me convidar para entrar primeiro. Pode me convidar?"
"H. Entre."
Elena ficou maravilhada com a falta de surpresa em sua voz. Somente depois dela ter passado pelo umbral que ela percebeu que ele ainda estava adormecido.
"Matt. Matt," ela sussurrou, com medo de chegar perto demais. O quarto estava sufocante e superaquecido, o radiador a todo poder. Ela conseguia ver um p nu para 
fora do amontoado de cobertores na cama e cabelo loiro no topo.
"Matt?" Brevemente, ela se inclinou e o tocou.
Isso provocou uma reao. Com um grunhido explosivo, Matt se sentiu retamente, movendo-se repentinamente. Quando os olhos dele encontraram os dela, eles estava arregalados 
e a encaravam.
Elena se pegou tentando parecer pequena e inofensiva, no-ameaadora. Ela recuou contra a parede. "No quis te assustar. Eu sei que  um choque. Mas voc falaria 
comigo?"
Ele simplesmente continuou encarando-a. Seu cabelo amarelo estava suado e desordenado como penas de frango molhadas. Ela conseguia ver a pulsao dele batendo em 
seu pescoo nu. Ela receava que ele se levantasse e se arrojasse para fora do quarto.
Ento os ombros dele relaxaram, afundando, e ele lentamente fechou seus olhos. Ele estava respirando profunda mas irregularmente. "Elena."
"Sim," ela sussurrou.
"Voc est morta."
"No. Eu estou aqui."
"Pessoas mortas no voltam. Meu pai no voltou."
"Eu no morri de verdade. Eu s me transformei." Os olhos de Matt ainda estavam fechados de repudiao, e Elena sentiu uma onda gelada de desesperana inund-la. 
"Mas voc queria que eu tivesse morrido, no queria? Eu vou embora agora," ela sussurrou.
O rosto de Matt se rachou e ele comeou a chorar.
"No. Ah, no. Ah, no, Matt, por favor." Ela se pegou acariciando ele, lutando para ela prpria no chorar. "Matt, eu sinto muito; eu nem deveria ter vindo aqui."
"No se v," ele soluou. "No v embora."
"Eu no irei." Elena perdeu a batalha, e lgrimas caram no cabelo mido de Matt. "Eu no quis te machucar, nunca," ela disse. "Nunca, Matt. Todas aquelas vezes, 
todas aquelas coisas que eu fiz - eu nunca quis te machucar. Verdadeiramente..." Ento ela parou de falar e simplesmente segurou-o.
Aps um tempo, a respirao dele se acalmou e ele se sentou de volta, enxugando seu rosto com um punhado do lenol. Os olhos dele evitaram os dela. Havia um olhar 
em seu rosto, no s de vergonha, mas de desconfiana, como se ele estivesse se preparando para algo que temia.
"Certo, ento voc est aqui. Voc est viva," ele disse asperamente. "Ento o que voc quer?" 
Elena ficou embasbacada.
"Vamos, deve haver algo. O que ?"
Novas lgrimas surgiram, mas Elena engoliu-as de volta. "Creio que mereo isso. Eu sei que mereo. Mas uma vez na vida, Matt, eu no quero absolutamente nada. Eu 
vim me desculpar, dizer que sinto muito por ter usado voc - no s aquela noite, mas sempre. Eu me preocupo com voc, e eu me preocupo se voc se machuca. Eu achei 
que talvez eu pudesse melhorar as coisas." Depois de um silncio pesado, ela acrescentou, "Acho que irei embora agora."
"No, espera. Espera um segundo." Matt esfregou sua cara com o lenol novamente.
"Escuta. Isso foi estpido, e eu sou um canalha-"
" verdade e voc  um cavalheiro. Ou teria me dito para eu me mandar a muito tempo."
"No, eu sou um canalha estpido. Eu deveria estar batendo a minha cabea contra a parede de felicidade por voc no estar morta. Eu baterei em um minuto. Escuta." 
Ele agarrou o pulso dela e Elena olhou para ele com uma branda surpresa. "Eu no ligo se voc  o Monstro da Lagoa Negra, o Coisa, Godzilla e o Frankenstein todos 
juntos. Eu s-"
"Matt." Entrando em pnico, Elena colocou sua mo livre em cima da boca dele.
"Eu sei. Voc est noiva do cara da capa negra. No se preocupe; eu me lembro dele. Eu at gosto dele, sabe-se l por que." Matt tomou flego e pareceu se acalmar. 
"Olaha, eu no sei se Stefan te contou. Ele disse um monte de coisas para mim - sobre ser malvado, sobre no estara arrependido sobre o que ele fez  Tyler. Voc 
sabe do que eu estou falando?"
Elena fechou seus olhos. "Ele quase no comeu desde aquela noite. Eu acho que ele caou uma vez. Hoje a noite ele quase se matou por estar to fraco."
Matt concordou. "Ento  essa besteira. |Eu deveria saber."
"Bem,  e no . A necessidade  forte, mais forte do que voc consegue imaginar." Elena estava comeando a perceber que ela no tinha se alimentado hoje e que ela 
estivera faminta antes de sarem atrs de Alaric. "De fato - Matt,  melhor eu ir. S uma coisa - se houver um baile amanh a noite, no v. Algo vai acontecer l, 
algo ruim. Ns vamos tentar tomar contar, mas eu no sei o que podemos fazer."
"Quem  'ns'?" Matt disse severamente.
"Stefan e Damon - eu acho que Damon - e eu. E Meredith e Bonnie... e Alaric Saltzman. No pergunte sobre Alaric.  uma longa histria."
"Mas contra o que vocs esto tomando conta!"
"Eu esqueci; voc no sabe. Essa  uma longa histria, tambm, mas... bem, a resposta curta , o que quer que me matou. O que quer que fez aqueles cachorros atacaram 
as pessoas no memorial.  algo ruim, Matt, que tem estado por Fell's Church por um tempo.
E ns vamos tentar impedir isso de fazer qualquer coisa amanh a noite." Ela tentou no se contorcer. "Olhe, eu sinto muito, mas eu realmente deveria ir embora." 
Os olhos dela vagaram, voluntariamente, para a ampla veia azul no pescoo dele.
Quando ela conseguiu afastar seu olhar e olhar para o rosto dele, ela viu choque cedendo o caminho para um entendimento repentino.
Ento para algo inacreditvel: aceitao. "Tudo bem," Matt disse.
Ela no teve certeza se ouvira bem. "Matt?"
"Eu disse, tudo bem. No me machucou antes."
"No. No, Matt, srio. Eu no vim aqui pra isso-"
"Eu sei.  por isso que eu quero. Eu quero te dar algo que voc no pediu."
Aps um momento ele disse, "Pela amizade."
Stefan, Elena estava pensando. Mas Stefan tinha dito a ela para vir, e vir sozinha.
Stefan sabia, ela percebeu. E estava tudo bem. Era o seu presente para Matt - e para ela.
Mas eu vou voltar para voc, Stefan, ela pensou.
Enquanto ela se inclinava na direo dele, Matt disse, "Eu vou ajudar voc amanha, sabe. Mesmo se eu no for convidado."
Ento os lbios dela tocaram a garganta dele.


13 de dezembro, sexta-feira
Querido Dirio,
Hoje a noite  a noite.
Eu sei que j escrevi isso antes, ou pensei pelo menos. Mas hoje a noite  a noite, a grande, quando tudo vai acontecer.  isso.
Stefan sente isso, tambm. Ele voltou da escola hoje para me dizer que o baile ainda vai acontecer - o Sr. Newcastle no queria causar pnico ou algo assim ao cancel-lo.
O que eles vo fazer  deixar "seguro" o lado de fora, o que significa policiais, eu acho. E talvez o Sr. Smallwood e alguns de seus amigos com rifles. O que quer 
que v acontecer, eu no acho que eles conseguiram parar.
Eu no sei se ns conseguiremos, tampouco.
Esteve nevando o dia todo. A passagem est bloqueada, o que quer dizer que nada em rodas entra ou sai da cidade. At que o trator para evacuar a neve chegue l, 
o que no vai ser at de manh, o que ser tarde demais.
E o ar tem um pressentimento estranho. No s a neve.  como se algo ainda mais gelado do que ela estivesse esperando. Recuou do jeito que o oceano recua antes de 
uma onda excepcionalmente grande. Quando soltar...
Eu pensei sobre o meu outro dirio hoje, o debaixo do piso de madeira do armrio do meu quarto. Se eu ainda possuo algo, eu possuo aquele dirio. Eu pensei em peg-lo, 
mas eu no quero ir para casa novamente. Eu no acho que consiga lidar com isso, e eu sei que a tia Judith no conseguiria se me visse.
Estou surpresa que foram capazes de lidar com isso. Meredith, Bonnie - especialmente Bonnie. Bem, Meredith, tambm, considerando o que sua famlia j passou. Matt.
Eles ao amigos bons e leais.  engraado, eu costumava pensar que sem uma galxia inteira de amigos e admiradores eu no sobreviveria. Agora eu estou perfeitamente 
feliz com trs, muito obrigada. Porque eles so amigos de verdade.
Eu no sabia o quanto me importava com eles antes. Ou com Margaret, ou tia Judith, at. E todos na escola... eu sei que h algumas semanas eu dizia que eu no ligava 
se toda a populao da Robert E. Lee morresse, mas isso no  verdade. Hoje a noite eu farei o meu melhor para proteg-los.
Eu sei que estou pulando de um assunto para outro, mas eu s estou falando sobre coisas que so importantes para mim. Meio que reunindo eles na minha mente. S por 
precauo.
Bem, est na hora. Stefan est esperando. Eu vou terminar essa ltima linha e ento ir.
Eu acho que vamos vencer. Eu espero que sim.
Ns vamos tentar.


A sala de histria estava quente e claramente iluminada. No outro lado do prdio da escola, a cantina estava ainda mais clara, brilhando com as luzes e decoraes 
do Natal.  Assim que chegou, Elena tinha examinado-a de uma distncia segura, observando os casais chegando para o baile e passando pelos policiais na porta. Sentindo 
a silenciosa presena de Damon atrs dela, ela apontou uma garota de cabelo castanho claro comprido.
"Vickie Bennett," ela disse.
"Confio em voc," ele replicou.
Agora, ela olhava ao redor do quartel temporrio deles essa noite. A mesa de Alaric tinha sido limpa, e ele estava inclinado sobre um esboo do mapa da escola.  
Meredith se inclinou ao lado dele, seu cabelo escuro batendo na manga dele. Matt e Bonnie estavam fora no estacionamento se misturando com os que vieram ao baile, 
e Stefan e Damon estavam rondando o permetro do terreno da escola. Eles iam se revezar.
" melhor voc ficar aqui dentro," Alaric tinha dito  Elena. "Tudo o que precisamos  que algum te veja para comear a ca-la com uma estaca."
"Eu estive andando pela cidade a semana toda," Elena disse, entretida. "Se eu no quiser ser vista, voc no me ver." Mas ela concordara em ficar na sala de histria 
e coordenar.
 como um castelo, ela pensou, enquanto observava Alaric organizar as posies da rodada, o relgio chato na parede sinalizando os minutos.
Elena observava isso enquanto deixava as pessoas entrarem e depois sarem. Ela serviu caf quente de uma garrafa trmica para aqueles que queriam. Ela escutou os 
relatos chegando.
"Tudo est quieto no lado norte da escola."
"Caroline acabou de ser coroada rainha da neve. Grande surpresa."
"Alguns brutamontes no estacionamento - o policial acabou de segur-los..."
A meia-noite chegou e se foi.
"Talvez estivssemos errados," Stefan disse mais ou menos uma hora depois. Era a primeira vez que todos estavam juntos do lado de dentro desde o comeo da noite.
"Talvez esteja acontecendo em algum outro lugar," disse Bonnie, esvaziando uma bota e espiando dentro dela.
"No tem jeito de saber onde vai acontecer," Elena disse firmemente. "Mas no estvamos errados sobre isso acontecer."
"Talvez," disse Alaric pensativamente, "haja um jeito. De descobrir onde vai acontecer, eu digo." Quando as cabeas se levantaram questionadoramente, ele disse, 
"Precisamos de uma predio."
Todos os olhos se voltaram para Bonnie.
"Ah, no," Bonnie disse. "Estou cheia de tudo isso. Eu odeio."
" um grande dom-" comeou Alaric.
" um grande porre. Olhe, vocs no entendem. As previses comuns so ruins o bastante. Sinto que na maior parte do tempo eu estou descobrindo coisas que no quero 
saber. Mas ser tomada por completo - isso  terrvel. E depois eu nem me lembro do que disse.  horrvel."
"Ser tomada por completo?" Alaric repetiu. "O que  isso?"
Bonnie suspirou. "Foi o que aconteceu comigo na Igreja," Ela disse pacientemente. "Eu consigo fazer outros tipos de previses, tipo achar gua ou ler palmas" - ela 
olhou para Elena, e ento para longe - "e coisas assim. Mas a h vezes quando - algum - me possui e s me usa para falar por eles.  como ter outra pessoa no meu 
corpo."
"Como no cemtrio, quando voc disse que havia algo l esperando por mim," disse Elena. "Ou quando voc me avisou para no chegar perto da ponte. Ou quando voc 
veio jantar e disse que a Morte, a minha morte, estava na casa." Ela olhou automaticamente para Damon, que retornou o olhar impassivelmente. Ainda assim, isso tinha 
sido errado, ela pensou. Damon no havia sido a sua morte. Ento o que a profecia significava? Por um instante algo se vislumbrou em sua mente, mas antes que ela 
pudesse capt-lo, Meredith interrompeu.
" como outra voz que fala pela Bonnie," Meredith explicou para Alaric.
"Ela at mesmo fica diferente. Talvez voc no estivesse perto o bastante na Igreja para ver."
"Mas por que vocs no me contaram isso?" Alaric estava animado. "Isso pode ser importante. Essa - entidade - o que quer que seja - pode nos dar informaes vitais. 
Pode esclarecer o mistrio do Outro Poder, ou pelo menos nos dar uma chance de como lutar contra ele."
Bonnie estava balanando sua cabea. "No. No  algo que eu possa convocar, e no responde perguntas. Simplesmente acontece comigo. E eu odeio."
"Voc quer dizer que no consegue pensar em nada que possar acion-lo? Nada que levou isso a acontecer antes?"
Elena e Meredith, que sabiam muito bem o que poderia acion-lo, olharam uma para a outra.
Elena mordeu o interior de sua bochecha. Era a escolha de Bonnie. Tinha que ser a escolha de Bonnie.
Bonnie, que estava segurando sua cabea com suas mos, disparou um olhar atravs dos cachos vermelhos para Elena. Ento ela fechou seus olhos e gemeu.
"Velas," ela disse.
"O qu?"
"Velas. Uma chama de vela deve bastar. Eu no tenho certeza, entenda; no estou prometendo nada-"
"Algum v saquear o laboratrio de cincia," disse Alaric.


Era uma cena que lembrava o dia que Alaric tinha chego na escola, quando ele tinha pedido a todos para colocar suas cadeiras em um crculo. Elena olhou para o crculo 
de rostos iluminados assustadoramente pela chama das velas. Ali estava Matt, com sua mandbula imvel. Ao lado dele, Meredith, seus clios escuros jogando sombras 
para cima. E Alaric, inclinando-se para frente com avidez. Ento Damon, luz e sombra danando sobre a superfcie do seu rosto.
E Stefan, as maas do rosto elevadas com uma aparncia muito severa aos olhos de Elena. E finalmente, Bonnie, parecendo frgil e plida at mesmo na luz dourada 
da vela. 
Ns estamos conectados, Elena, pensou, inundada pelo mesmo pressentimento que tivera na Igreja, quando ela tinha pego as mos de Stefan e Damon. Ela se lembrava 
de um pequeno crculo branco de cera flutuando numa vasilha de gua. Ns conseguiremos se ficarmos juntos.
"Eu s vou olhar para a vela," Bonnie disse, sua voz tiritando ligeiramente.
"E no pensar em nada. Eu vou tentar - me deixar aberta a isso." Ela comeou a respirar profundamente, olhando na chama da vela.
E ento aconteceu, exatamente como tinha acontecido antes. O rosto de Bonnie se aplainou, toda a expresso escorrendo. Seus olhos ficaram vazios como o querubim 
de pedra no cemitrio.
Ela no disse uma palavra.
Foi quando Elena percebeu que eles no tinham decidido o que perguntar. Ela buscou em sua mente uma pergunta antes que Bonnie perdesse contato. "Onde podemos achar 
o Outro Poder?" ela disse, bem quando Alaric desembuchava, "Quem  voc?" As vozes deles se misturaram, suas perguntas entrelaando-se.
O rosto vazio de Bonnie se virou, varrendo o crculo com olhos cegos. Ento a voz que no era de Bonnie disse, "Venha e veja."
"Espera um minuto," Matt disse, enquanto Bonnie se levantava, ainda em transe, e foi para a porta. "Onde ela est indo?"
Meredith pegou seu casaco. "Vamos com ela?"
"No toque-a!" disse Alaric, pulando enquanto Bonnie ia para a porta.
Elena olhou para Stefan, e ento para damon. Com um acordo, eles seguiram, perseguindo Bonnie pelo corredor vazio e ecoante.
"Onde ns estamos indo? Qual das perguntas ela est respondendo?" Matt exigiu.
Elena s podia balanar sua cabea.Alaric estava correndo para alcanar a passada escorregadia de Bonnie.
Ela diminuiu quando eles emergiram na neve, e para o espanto de Elena, andaram at o carro de Alaric no estacionamento dos funcionrios e ficaram parados perante 
ele.
"No cabemos todos; eu seguirei com o Matt," Meredith disse rapidamente. Elena, sua pele gelada tanto por apreenso quando por ar gelado, entrou na traseira do carro 
de Alaric quando ele a abriu para ela, com Damon e Stefan de cada lado. Bonnie sentou na frente. Ela estava olhando diretamente para frente, e ela no falou. Mas 
quando Alaric saiu do estacionamento, ela levantou uma mo branca e apontou. A direita na Rua Lee e ento esquerda na Arbor Green. Diretamente pela casa de Elena 
e ento direita na Thunderbird.
Se dirigindo em direo  Estrada Old Creek.
Foi a que Elena percebeu onde estavam indo.
Eles pegaram a outra ponte para o cemitrio, aquele que todos sempre chamavam de "ponte nova" para distingu-la da Ponte Wickery, que agora se fora.  Eles estavam 
se aproximando dos portes, o lado pelo qual Tyler dirigira quando ele levou Elena  Igreja arrunada.
O carro de Alaric parou be monde Tyler tinha parado. Meredith estacionou atrs deles.
Com uma sensao horrvel de dj vu, Elena percorreu a caminhada at a colina e passou pelo porto, seguindo Bonnie para onde a Igreja arrunada estava, com seu 
campanrio apontando como um dedo para o cu tempestuoso. No buraco vazio que uma vez fora a entrada, ela hesitou.
"Onde voc est nos levando?" ela disse. "Me escute. Voc poderia simplesmente nos dizer qual pergunta voc est respondendo?"
"Venha e veja."
Desamparadamente, Elena olhou para os outros. Ento ela passou pelo solado da porta. 
Bonnie andou vagarosamente at as tumbas de mrmore branco, e parou.
Elena olhou para elas, e ento para o rosto fantasmagrico de Bonnie. Cada cabelo em seus braos e na parte de trs de seu pescoo estavam de p. "Ah, no..." ela 
sussurrou. "Isos no."
"Elena, do que voc est falando?" Meredith disse.
Tonta, Elena olhou para baixo para os semblantes de mrmore de Thomas e Honoria Fell, deitados na tampa de pedra de suas tumbas. "Esse negcio abre," ela sussurrou.



































Captulo 13


"Voc acha que deveramos - olhar l dentro?" Matt disse.
"Eu no sei," Elena disse miseravelmente. Ela no queria ver o que estava dentro da tumba agora mais do que quando Tyler tinha sugerido abr-la para vandaliz-la. 
"Talvez no seremos capazes de abr-la," ela acrescentou. "Tyler e Dick no conseguiram. S comeou a deslizar quando eu me inclinei sobre ela."
"Incline-se sobre ela agora; talvez haja algum tipo de mecanismo abridor escondido," Alaric sugeriu, e quando Elena o fez, sem resultado, ele disse, "Tudo bem, vamos 
todos segurar, e nos alinhar - desse jeito. Vamos, agora-"
Agachado, ele olhou para cima para Damon, que estava parado imvel prximo  tumba, parecendo ligeiramente divertido. "Com licena," Damon disse, e Alaric deu um 
passo para trs, franzindo a testa. Damon e Stefan pegaram uma ponta da tampa de pedra e levantaram.
A tampa veio, fazendo um som de triturao enquanto Damon e Stefan a deslizavam para o cho de um lado da tumba.
Elena no conseguia se forar a ir para mais perto.
Ao invs de disso, lutando contra a nusea, ela se concentrou na expresso de Stefan. Isso a diria o que havia a ser encontrado ali. Fotos explodiram em sua mente, 
de corpos mumificados cor de pergaminho, de cadveres apodrecendo, de caveiras sorridentes. Se Stefan parecesse horrorizado ou enojado, desgsotoso...
Mas a medida que Stefan olhava dentro da tumba aberta, seu rosto registrou apenas uma perturbadora surpresa.
Elena no conseguia mais suportar. "O que ?"
Ele deu-lhe um sorriso torto e disse, olhando para Bonnie, "Venha e veja."
Elena avanou vagarosamente at a tumba e olhou para baixo. Ento sua cabea levantou-se com tudo, e ela observou Stefan com espanto.
"O que  isso?"
"Eu no sei," ele respondeu. Ele se virou para Meredith e Alaric. "Algum dos dois tem uma lanterna? Ou uma corda?"
Aps uma olhada na caixa de pedra, ambos se dirigiram  seus carros. Elena permaneceu onde estava, encarando abaixo, forando sua viso noturna. Ela ainda no conseguia 
acreditar.
A tumba no era uma tumba, e sim uma entrada.
Agora ela entendia porque tinha sentido um vento gelado soprar dali quando tinha balanado debaixo de sua mo naquela noite.
Ela estava olhando para baixo para algum tipo de catacumba ou poro no cho. Ela s conseguia enxergar uma parede, a que estava diretamente embaixo dela, e a que 
tinha degraus de ferro guiando  pedra, como uma escada.
"Aqui est," Meredith disse  Stefan, retornando. "Alaric tem uma lanterna, e aqui est a minha. E aqui est a corda que Elena colocou no meu carro quando fomos 
procurar por voc."
O estreito feixe de luz da lanterna de Meredith varreu a sala escura abaixo. "Eu no consigo ver muito pra dentro, mas parecia vazio," Stefan disse. "Eu deso primeiro."
"Descer?" disse Matt; "Olha, tem certeza de que devemos descer? Bonnie, o que voc acha?"
Bonnie no tinha se movido. Ela ainda estava parada ali com aquela expresso de total distrao em seu rosto, como se ela no visse nada ao seu redor. Sem uma palavra, 
ela moveu uma perna pela beirada da tumba, se virou, e comeou a descer.
"Epa," disse Stefan. Ele enfiou a lanterna no bolso de sua jaqueta, colocou uma mo no p da tumba, e pulou.
Elena no teve tempo de apreciar a expresso de Alaric; ela se inclinou e gritou,
"Voc est bem?"
"timo." A lanterna piscou para ela l debaixo. "Bonnie ficar bem, tambm. Os degraus vo at embaixo.  melhor trazer a corda, de qualquer jeito."
Elena olhou para Matt, que estava mais perto. Seus olhos azuis encontraram os dela com impotncia e uma certa resignao, e ele acenou. Ela tomou um longo flego 
e colocou uma mo no p da tumba como Stefan fizera. Outra mo de repente fixou-se em seu pulso.
"Eu acabei de pensar em algo," Meredith disse assustadoramente. "E se a entidade de Bonnie  o Outro Poder?"
"Eu pensei nisso h muito tempo," Elena disse. Ela deu um tapinha na mo de Meredith, olhou curiosamente para dentro, e pulou.
Ela ficou de p no brao apoiador de Stefan e olhou ao redor. "Meu Deus..."
Era um lugar estranho. As paredes estavam recobertas com pedra. Elas eram suaves e tinham um aspecto quase polido. Em intervalos candelabros de ferro conduziam, 
alguns dos quais tinham restos de cera de velas neles.  Elena no conseguia ver o outro fim da sala, mas a lanterna mostrava um porto de ferro forjado relativamente 
perto, como o porto usado em algumas Igrejas para separar o altar.
Bonnie estava terminando de alcanar o fim da escada de degraus. Ela esperou silenciosamente enquanto os outros desciam, primeiro Matt, ento Meredith, depois Alaric 
com a outra lanterna.
Elena olhou para cima. "Damon?"
Ela conseguia ver sua silhueta contra o iluminado retngulo preto que era a entrada da tumba no cu. "Bem?"
"Voc est conosco?" ela perguntou. No "Voc vem conosco?" Ela sabia que ele entenderia a diferena.
Ela esperou cinco batidas de corao no silncio que se seguiu. Seis, sete, oito.
Houve uma precipitao de ar, e Damon pousou organizadamente. Mas ele no olhou para Elena. Seus olhos estavam estranhamente distantes, e ela no conseguia ler nada 
em seu rosto.
" uma cripta," Alaric dizia com espanto, enquanto sua lanterna cortava a escurido. "Uma cmara subterrnea debaixo de uma Igreja, usada como um local de enterro.Eles 
geralmente so construdos debaixo de Igrejas grandes."
Bonnie andou diretamente at o porto com espirais e colocou uma pequena mo branca nele, abrindo-o. Ele balanou para longe dela.
Os batimentos cardacos de Elena estavam vindo rpido demais para contar agora. De alguma maneira ela forou suas pernas a mover adiante, a seguir Bonnie. Seus sentidos 
afiados estavam quase dolorosamente agudos, mas eles no lhe contavam nada sobre o que ela estava entrando. O raio de luz da lanterna de Stefan estava to estreito, 
e mostrava s o cho de pedra a frente, e a enigmtica figura de Bonnie.
Bonnie parou.
 isso, pensou Elena, sua respirao ficando presa em sua garganta. Ah, meu Deus,  isso;  realmente isso. Ela teve uma intensa sensao repentina de estar no meio 
de um sonho lcido, um onde ela sabia que estava sonhando mas no conseguia mudar nada ou acordar. Seus msculos congelaram.
Ela conseguia cheirar o medo dos outros, e ela conseguia sentir a beirada afiada dele de Stefan atrs dela. A lanterna dele vagou por objetos alm de Bonnie, mas 
de primeira os olhos de Elena no conseguiram achar sentido neles. Ela viu ngulos, planos, contornos, e ento algo saltou em foco. Um rosto branco lvido, pendurado 
grotescamente de lado.
O grito nunca saiu de sua garganta. Era somente uma esttua, e os traos eram familiares. Eles eram os mesmos da tampa da tumba acima. Essa tumba era a gmea daquela 
que eles tinham entrado. Exceto que essa tinha sido saqueada, a tampa de pedra quebrada em dois pedaos e atirada contra a parede da cripta. Algo estava disperso 
no cho como frgeis varetas de marfim.  Pedaos de mrmore, Elena disse ao seu crebro desesperadamente;  s mrmore, pedaos de mrmore.
Eles eram ossos humanos, estilhaados e esmagados.
Bonnie se virou.
Seu rosto em formato de corao balanaram como se aqueles fixos olhos vazios estivessem vasculhando o grupo.
Ela acabou encarando diretamente Elena.
Ento, com um tremor, ela tropeou e se lanou violentamente para frente como uma marionete cujas cordas foram cortadas.
Elena mal conseguia peg-la, ela prpria meio caindo. "Bonnie? Bonnie?" Os olhos castanhos que olharam para ela, dilatados e desorientados, eram os prprios olhos 
assustados de Bonnie.
"Mas o que aconteceu?" Elena exigiu. "Para onde foi?"
"Eu estou aqui."
Acima da tumba saqueada, uma luz brumosa aparecia. No, no uma luz, Elena pensou. Ela estava sentindo isso com seus olhos, mas no era uma luz no espectro normal.
Isso era algo mais estranho do que infravermelho ou ultravioleta, algo que os sentidos humanos no foram feitos para ver. Estava sendo revelado a ela, forado em 
seu crebro, por algum Poder exterior.
"O Outro Poder," ela sussurrou, seu sangue gelando.
"No, Elena."
Essa voz no era um som, do mesmo modo que a viso no era luz. Era silencioso como um brilho de estrela, e triste.
A lembrava de algo.
Me? Ela pensou selvagemente. Mas no era a voz de sua me. O brilho acima da tumba parecia rodopiar e redemoinhar, e por um momento Elena vislumbrou-o num rosto, 
um rosto gentil e triste. E ento ela soube.
"Estive esperando por voc," a voz de Honoria Fell disse suavemente. "Aqui finalmente eu posso falar com voc na minha prpria forma, e no atravs dos lbios de 
Bonnie. Me escute. Seu tempo  curto, e o perigo  muito grande."
Elena achou sua fala. "Mas o que  essa sala? Por que nos trouxe aqui?"
"Voc me pediu. Eu no podia lhe mostrar at voc perguntar. Esse  o nosso campo de batalha."
"Eu no entendo."
"Essa cripta foi construda para mim pelo povo de Fell's Church. Um lugar de descanso para o meu corpo. Um lugar secreto para algum que teve poderes secretos durante 
a vida. Como Bonnie, eu sabia de coisas que ningum mais sabia. Eu via coisas que ningum mais conseguia ver."
"Voc era psquica," Bonnie sussurrou roucamente.
"Naqueles tempos, chamavam de bruxaria. Mas eu nunca usei meus poderes para o mal, e quando eu morri eles me construram esse monumento para que meu marido e eu 
pudssemos descansar em paz. Mas ento, aps muitos anos, nossa paz foi perturbada."
A luz sobrenatural declinou e inundou, a figura de Honoria vacilando. "Outro Poder veio para Fell's Church, cheio de dio e destruio. Sujou meu lugar de descanso 
e espalhou meus ossos. Fez daqui seu lar. Foi semar o mal na minha cidade.
Eu acordei.
"Eu tentei alert-la contra ele desde o incio, Elena. Ele vive aqui debaixo do cemitrio. Esteve esperando por voc, observando voc. As vezes na forma de uma coruja-"
Uma coruja. A mente de Elena acelerou. Uma coruja, como a coruja que ela vira aninhando-se no campanrio da Igreja. Como a coruja que erstivera no celeiro, como 
a coruja na accia preta em sua casa.
Coruja branca... pssaro de caa... comedor de carne... ela pensou. E ento ela se lembrou de grandes asas brancas que pareciam se esticar de cada lado do horizonte. 
Um grande pssaro feito de nvoa ou neve, indo atrs dela, focando nela, cheio de sede de sangue e dio animal.
"No!" ela gritou, a memria a engolfando.
Ela sentiu as mos de Stefan em seus ombros, seus dedos afundando quase dolorosamente. A trouxe de volta para a realidade. Honoria Fell ainda estava falando.
"E voc, Stefan, esteve observando voc. Te odiava antes de odiar Elena. Esteve te atormentando e brincando com voc como um gato com um rato. Odeia aqueles que 
voc ama. Ele prprio est cheio de amor envenenado."
Elena olhou involuntarialmente atrs dela. Ela viu Meredith, Alaric, e Matt de p congelados. Bonnie e Stefan estavam prximos a ela. Mas Damon... onde estava Damon?
"Seu dio cresceu tanto que qualquer morte servir, qualquer sangue derramado lhe dar prazer. Agora mesmo, os animais que ele controla esto escapando da floresta. 
Eles esto se movendo em direo a cidade, em direo s luzes."
"O Baile de Inverno!" Meredith disse severamente.
"Sim. E dessa vez eles iro matar at que o ltimo deles seja morto."
"Ns temos que alertar essas pessoas," Matt disse. "Todos no baile-"
"Voc nunca estar a salvo at que a mente que controla eles seja destruda. A matana continuar. Voc deve destruir o Poder que odeia; foi por isso que eu te trouxe 
aqui."
Houve outra instabilidade na luz; Parecia estar recedendo. "Voc tem a coragem, se puder encontr-la. Seja forte. Essa  a nica ajuda que posso te dar."
"Espere - por favor-" Elena comeou.
A voz continuou cruelmente, no dando ateno a ela. "Bonnie, voc tem uma escolha. Seus poderes secretos so uma responsabilidade. Eles tambm so uma ddiva, e 
uma que pode ser tomada. Voc escolhe abrir mo deles?"
"Eu-" Bonnie balanou sua cabea, assustada. "Eu no sei. Eu preciso de tempo..."
"No h tempo." Escolha." A luz estava diminuindo, desmoronando em si mesma.
Os olhos de Bonnie estavam estupefatos e incertos enquanto procuravam pelo rosto de Elena para pedir ajuda.
"A escolha  sua," Elena sussurrou. "Voc tem que decidir por si mesma."
Lentamente, a incerteza deixou o rosto de Bonnie, e ela concordou. Ela ficou longe de Elena, sem apoio, virando-se para a luz. "Eu os manterei," ela disse roucamente.
"Eu lidarei com eles de algum jeito. Minha av lidou."
Houve uma vacilar de algo como uma distrao da luz. "Voc escolheu sabiamente. Que voc os use dessa maneira tambm. Essa  a ltima vez que falarei com voc."
"Mas-"
"Eu mereci meu descanso. A luta  sua." E o brilhou se dissipou, como as ltimas chamas de um fogo moribundo.
Com isso partido, Elena conseguia sentir a presso ao seu redor. Algo iria acontecer. Alguma fora esmagadora estava vindo na direo deles, ou suspenso sobre eles.
"Stefan-"
Stefan sentiu tambm; ela conseguia afirmar. "Vamos," Bonnie disse, sua voz em pnico.
"Temos que cair fora daqui."
"Temos que ir ao baile," Matt arfou. Seu rosto estava branco. "Temos que ajudar eles-"
"Fogo," gritou Bonnie, parecendo assustada, como se o pensamento tivesse acabado de lhe ocorrer. "Fogo no ir mat-los, mas os segurar-"
"Voc no escutou? Temos que encarar o Outro Poder. E est aqui, bem aqui, agora. Ns no podemos ir!" Elena gritou. Sua mente estava cheia de confuso. Imagens, 
memrias, e um mau pressgio terrvel. Sede de sangue... ela conseguia sentir...
"Alaric." Stefan falou com o som de comando. "Volte. Leve os outros; faa o que puder. Eu ficarei-"
"Eu acho que todos deveramos ir embora!" Alaric gritou. Ele teve que gritar para ser ouvido por sobre o barulho ensurdecedor cercando-os.
Sua lanterna entrelaada mostrou algo  Elena que ela no tinha notado antes. Na parede prxima a ela tinha um buraco escancarado, como se a pedra que a cobria tivesse 
sido arrancada. E alm havia um tnel na terra rude, preto e sem fim.
Para onde ele vai? Elena se perguntou, mas o pensamento fora perdido entre o tumulto de seu medo. Coruja branca... pssaro de caa... comedor de carne... corvo, 
ela pensou, e de repente ela soube com uma claridade cega do que ela estava com medo.
"Onde est Damon?" ela berrou, arrastando Stefan ao redor enquanto ela se virava, olhando.
"Onde est Damon?"
"Saiam!" gritou Bonnie, sua voz aguda com terror. Ela se jogou na direo do porto bem quando o som dividiu a escurido.
Era um rosnado, mas no o rosnado de um cachorro. No daria para ser confundido. Era muito mais profundo, mais pesado, mais ressonante. Era um som enorme, e cheirava 
a floresta, da sede de sangue caadora. Ele reverberava no peito de Elena, estremecia seus ossos.
Paralisou-a.
O som veio novamente, faminto e selvagem, mas de algum jeito quase preguioso. To confiante. E com ele veio passos pesados do tnel. 
Bonnie estava tentando gritar, fazendo somente um diminuto som de assobio. Na escurido do tnel, algo estava vindo. Uma forma que se movia com um escarpado gingado 
felino.
Elena reconheceu o rosnado agora. Era o som do maior dos gatos caadores, maior que um leo. Os olhos do tigre eram amarelos enquanto ele alcanava o fim do tnel.
E ento tudo aconteceu de uma s vez.
Elena sentiu Stefan tentar pux-la para trs para tir-la do caminho. Mas os seus prprios msculos petrificados eram um obstculo para mele, e ela sabia que era 
tarde demais.
O salto do tigre era a prpria graa, msculos poderes se lanando no ar. Naquele instante, ela viu como se estivesse presa na luz de um claro, e sua mente notou 
os magros flancos brilhantes e a espinha dorsal flexvel. Mas sua voz gritou por conta prpria.
"Damon, no!"
Foi s quando o lobo preto saltou da escurido para encontr-lo que ela percebeu que o tigre era branco.
O ataque do grande gato foi desviado pelo lobo, e Elena sentiu Stefan pux-la com fora para fora do caminho, levando-a para o lado por segurana. Seus msculos 
tinham se derretido como flocos de neve, e ela recuou de forma entorpecida enquanto a colocava contra a parede. A tampa da tumba estava entre ela e a figura branca 
rosnante agora, mas o porto estava do outro lado da luta.
A prpria fraqueza de Elena era parcialmente terror e parcialmente atordoamento. Ela no entendia nada; confuso rugia em seus ouvidos. Um momento atrs ela tivera 
certeza de que Damon estivera brincando com eles esse tempo todo, que ele fora o Outro Poder o tempo todo. Mas a malcia e a sede de sangue aque emanava do tigre 
era inconfundvel. Era isso o que tinha perseguido-a do cemitrio, e da penso at o rio e a sua morte. Esse Poder branco que o lobo estava lutando para matar.
Era uma competio impossvel. O lobo preto, apesar de cruel e agressivo, no tinha chance.
Uma pancada das enormes garras do tigre abriram o ombro do lobo at o osso. Sua mandbula abriu enquanto tentava um aperto no pescoo do lobo esmagar ossos.
Mas ento Stefan surgiu, lanando a chama da lanterna nos olhos do gato, empurrando o lobo machucado para fora do caminho. Elena desejou poder gritar, desejou poder 
fazer algo para soltar essa dor que corria dentro dela. Ela no entendia; ela no entendia nada. Stefan estava em perigo. Mas ela no conseguia se mover.
"Cai fora!" Stefan estava gritando aos outros. "Faam isso agora; caiam fora!"
Mais rpido do que qualquer humano, ele saiu do caminho de uma pata branca, mantendo a luz nos olhos do tigre. Meredith estava do outro lado do porto agora. Matt 
estava parcialmente carregando e parcialmente arrastando Bonnie. Alaric havia passado.
O tigre disparou e o porto se fechou. Stefan caiu de lado, escorregando enquanto tentava se arrastar novamente.
"No deixaremos voc-" Alaric gritou.
"Vo!" gritou Stefan. "Vo para o baile; faam o que forem capazes! Vo!"
O lobo estava atacando novamente, apesar dos sangramentos em sua cabea, e seu ombro onde o msculo e o tendo estava exposto e brilhando.
O tigre lutou contra.
Os sons do animal subiram  um volume que Elena no conseguia suportar. Meredith e os outros tinham ido; a lanterna de Alaric tinha desaparecido.
"Stefan!" ela gritou, vendo ele ereto para pular para dentro da luta novamente.
Se ele morresse, ela morreria, tambm. E se ela tivesse que morrer, ela queria que fosse junto dele.
A paralisia a deixou, e ela tropeou at ele, choramingando, esticando as mos para agarr-lo firmemente.
Ela sentiu seus braos ao redor dela enquanto ele segurava-a com seu corpo entre ela e o barulho e a violncia. Mas ela era teimosa, to teimosa quanto ele. Ela 
se retorcia, e ento eles encararam aquilo juntos.
O lobo tinha cado. Estava deitado de costas, e apesar de seu pelo ser escuro demais para mostrar sangue, uma piscina vermelha estava debaixo dele. O gato branco 
estava acima dele, a mandbula aberta a centmetros de sua garganta preta vulnervel.
Mas a mordida seladora da morte no pescoo no veio. Ao invs disso o tigre levantou sua cabea para olhar para Stefan e Elena.
Com uma estranha calma, Elena se pegou notando minsculos detalhes de sua aparncia.
Os bigodes eram retos e finos, como fios pratas. Seu pelo era um branco puro, listrado com fracas marcas como um dourado rude. Branco e dourado, ela pensou, lembrando 
da coruja no celeiro. E isso incitou outra memria... de algo que ela tinha visto... ou algo que ela tinha ouvido...
Com uma pancada pesada, o gato fez a lanterna voar da mo de Stefan. Elena escutou-o zunir de dor, mas ela no conseguia ver mais nada na escurido. Onde no havia 
luz, at mesmo um caador ficava cego. Se agarrando a ele, ela esperou pela dor do golpe mortfero.
Mas de repente sua cabea estava cambaleando; estava cheia de nvoa cinzenta e rotatria e ela no conseguia se segurar em Stefan. Ela no conseguia pensar; ela 
no consegua falar. O cho parecia estar abandonando-a. Turvamente, ela percebeu que o Poder estava sendo usando contra ela, que estava oprimindo sua mente.
Ela sentiu o corpo de Stefan cedendo, desmoronando, caindo longe dela, e ela no conseguir mais resistir  nvoa. Ela caiu para sempre e nunca soube quando atingiu 
o cho.




































Capitulo 14


Coruja branca... Ave de caa... Caadora... Tigre. Brincando com voc como um gato com um rato. Como um gato... Um grande gato... Um gatinho. Um gatinho branco.
A morte est na casa.
E a gatinha, a gatinha tinha atacado Damon. No por medo, mas sim por medo de ser descoberta. Como quando estivera no peito de Margareth e havia chiado ao ver Elena 
na janela. 
Elena gemeu e quase emergiu na inconscincia, mas a nvoa cinzenta a arrastou de volta antes que pudesse abrir os olhos. Seus pensamentos voltaram a ferver ao seu 
redor.
Amor envenenado... Stefan, isso odiava voc antes de odiar Elena... Branco e dourado... Alguma coisa branca... Algo branco embaixo da rvore...
Nesse momento quando lutou para abrir os olhos, conseguiu. E mesmo antes de poder focar a viso fora da tnue luz, ela soube. Ela finalmente sabia.
A figura que arrastava o vestido branco pelo cho virou a cabea da vela que estava acendendo, e Elena viu que podia ser seu prprio rosto sobre os ombros da criatura. 
Mas era um rosto sutilmente distorcido, plido e bonito como uma esttua de gelo, mas era como devia ser. Era como os interminveis reflexos de si mesma que Elena 
havia visto em seu sonho no corredor de espelhos. Retorcido e faminto e, zombador.
-Ol, Katherine - murmurou.
Katherine sorriu um sorriso dissimulado e predador.
-Voc no  to estpida quanto eu pensei - disse ela.
Sua voz estava clara e doce... prateada, pensou Elena. Igual suas pestanas. Tambm haviam luzes prateadas em seu vestido quando se movia. Mas o cabelo era dourado 
quase to plido quanto o de Elena.Os olhos eram como olhos de uma gata: redondos e azuis como uma jia. 
Elena sentia sua propria garganta dolorida, como se tivesse estado gritando. Tambm estava resecada. Quando virou a cabea devagar para um lado, mesmo aquele leve 
movimento produzia dor.
Stefan estava junto a ela, cado em sua frente, atado pelos braos por estacas de ferro feitas pelas grades. Tinha a cabea cada sobre o peito e pelo que pde ver 
de seu rosto tinha uma palidez cadavrica. A garganta estava aberta e havia goteado sangue sob a gola da camisa, que haviam secado.
Elena voltou a dirigir o olhar para Katherine com tal rapidez que ficou tonta.
-Por que? Por que fez isso a ele?
Katherine sorriu, mostrando afiados dentes brancos.
-Porque o amo - disse com um sorriso infantil. - Voc tambm no o ama?
Foi ento que Elena caiu em si do por qu no podia se mover e porque seus braos doam. Estava atada assim como Stefan, presa firmemente como ele a grade fechada. 
Um doloroso giro de cabea para o outro lado revelou a presena de Damon.
Ele estava em pior estado que seu irmo. A jaqueta e o brao estavam abertos e a viso da ferida fez Elena sentir nauseas. A camisa dele estava retalhada, e Elena 
pde ver os quases imperceptiveis movimentos de suas costelas ao respirar. Se no fosse por isso, teria pensado que estava morto. O sangue ensopava seus cabelos 
e corria para o interior de seus olhos fechados.
-Qual voc gosta mais? - perguntou Katherine em um tom ntimo e confidencial. - Pode me dizer. Qual voc acha que  o melhor?
Elena a olhou enojada.
-Katherine - murmurou. - Por favor. Por favor, me escute...
-Diga-me. Vamos - aqueles olhos azuis como joias ocuparam a viso de Elena quando Katherine se inclinou muito perto dela, quase tocando os lbios dela. - Eu acho 
que os dois so divertidos. Gosta da diverso, Elena?
Repugnada, Elena fechou os olhos e afastou o rosto. Se ao menos a cabea parasse de girar...
Katherine retrocedeu com uma ntida gargalhada.
-Eu sei,  muito difcil escolher.
Fez uma pequena pirueta, e Elena viu que o que vagamente pensava ser a cauda do vestido de Katherine, na verdade, eram seus cabelos que desciam como ouro derretido 
por suas costas at cair no cho, arrastando-se atrs dela.
-Tudo depende do que cada uma goste - prosseguiu Katherine, efetuando alguns passos elegantes de baile e terminando em frente a Damon; deu um olhar escrutante a 
Elena, cheia de travessura - Mas, claro, eu sou to gulosa. - Agarrou Damon pelos cabelos e jogando para cima a cabea, afundou os dentes no pescoo dele.
-No! No faa isso! No lhe machuque mais...
Elena tentou balanar-se para frente, mas estava muito bem atada. A cerca era de ferro macio, incrustada nas pedras, e as cordas eram resistentes. Katherine fazia 
sons animalescos, roendo e mastigando a carne, e Damon gemeu mesmo estando inconsciente. Elena viu como seu corpo respondia como um reflexo por causa da dor.
-Por favor, pare! Por favor, pare...
Katherine levantou a cabea. Corria sangue pelo seu queixo.
-Mas estou faminta, e ele est to bom... - disse.
Foi para trs e voltou a ataca-lo e o corpo de Damon se contraiu espamordicamente. Elena gritou.
"Foi assim", pensou. "No princpio, naquela primeira noite no bosque, eu era assim. Machuquei Stefan da mesma forma. Queria mat-lo..."
A escurido a envolveu, e ela se entregou a ela agradecida.

O carro de Alaric patinou sobre um trecho gelado ao chegar a escola, e Meredith esteve a ponto de se chocar com ele. Matt e ela saltaram fora do carro, deixando 
as portas abertas. Diante deles, Alaric e Bonnie fizeram o mesmo.
-Que aconteceu com o resto da cidade? - gritou Meredith correndo at eles; o vento aumentava, e a geada lhe queimava o rosto.
-S a famlia de Elena: tia Judith e Margareth - gritou Bonnie.
A voz dela era aguda e assustada, mas havia uma expressao concentrada em seus olhos. Inclinou a cabea para trs, como se estivesse tentando lembrar algo, e disse:
-Sim,  isso. Atrs dela iro os cachorros. Ela faz eles irem a algum lugar... como o sto. Mantenha-las l!
-Farei isso. Vocs trs se ocupem do baile!
Bonnie girou para correr atrs de Alaric. Meredith voltou com uma exalaao para seu carro.
O baile estava nas ltimas fases de disoluo, e havia tantos pares dentro como fora, indo em direo ao estacionamento. Alaric gritou enquanto Matt, Bonnie e ele 
se aproximavam da estrada.
-Voltem todos para dentro! Todo mundo para dentro e fechem as portas! - gritou aos agentes do xerife. 
Mas no houve tempo. Alcanou a cantina justo quando a primeira figura que se aproximava na escurido chegava. Um agente caiu sem nenhum som nem uma oportunidade 
de disparar a arma.
Outro foi mais rpido, e soou um disparo, amplificado pelo ptio de concreto. Os alunos gritaram e comearam a fugir dali para o interior do estacionamento. Alaric 
foi atrs deles, gritando, tentando conduzi-los de volta.
Outras figuras saram da escurido, dentre os carros estacionados por todos os lados. Sobreveio o pnico. Alaric continuou gritando, continuou tentando levar os 
aterrorizados alunos para dentro do edifcio. Ali fora eram presas facis.
No ptio, Bonnie se virou para Matt.
-Precisamos de fogo! - disse.
Matt entrou como uma flecha na cantina e saiu com uma caixa meio cheia de anncios do baile. Jogou-os no cho, remexendo os bolsos em busca dos fsforos que haviam 
usado antes para acender a vela.
O papel acendeu e ardeu com fora, formando uma ilha de segurana. Matt continuou fazendo gestos para as pessoas cruzarem as portas da cantina situada atrs deles. 
Bonnie foi para dentro, encontrando uma cena to catica quanto a de fora.
Olhou a seu redor em busca de alguma autoridade, mas no viu adultos, s jovens aterrorizados. Ento, os enfeites de crepn vermelho e verde atrairam sua ateno.
O som era estrondoso; nem sequer um grito se ouviria dali de dentro. Abrindo caminho entre as pessoas que tentavam sair, conseguiu chegar ao outro estremo da sala. 
Caroline estava ali, plida sem su bronzeado veraneio e luzindo a tiara de rainha da neve. Bonnie a arrastou at o microfone.
-Voc  boa falando. Diga a eles para entrarem e ficarem aqu dentro! Diga para comearem a tirar os enfeites. Precisamos de qualquer coisa que arda: cadeiras de 
madeira, coisas das latas de lixo, qualquer coisa. Diga que  nossa nica chance! - Enquanto Caroline ficava olhando assutada e sem entender, disse:- Tem a coroa 
agora... Faa algo com tal!
No esperou para ver se como Caroline lhe obeceria. Voltou a submergir no furor do lugar. Em um instante ouvir a voz de Caroline pelos alto-falantes, vacilante primeiro 
e logo depois apressada.


O silncio era absoluto quando Elena voltou a abir os olhos.
-Elena?
Ao ouvir o sussuro rouco, tentou fixar a viso e se encontrou contemplando uns olhos verdes cheios de dor.
-Stefan - disse.
Se inclinou para frente, desejando poder se mover. Carecia de sentido, mas parecia que se pudessem se abraar, aquilo no seria to terrivel. 
Soou uma risada infntil. Elena nao virou a cabea para ela, mas Stefan sim. Elena viu sua reao, viu a sequncia de expresses que passaram pelo rosto dele quase 
rpido demias para identifica-las. Perplexa comoo, incredulidade, um esboo de alegria... e ento horror. Um horro que finalmente deixou seus olhos cegos e opacos.
-Katherine - disse. -Mas isso  impossvel. No pode ser. Voc est morta...
-Stefan... - chamou Elena mas ele no respondeu.
Katherine levou uma mo a boca e riu por tras dela.
-Voc tambm acordou - disse, olhando para o outro lado de Elena. Elena sentiu uma onda de poder e, depois de um momento, a cabea de Damon se levantou lentamente 
e pestanejou.
No houve surpresa em seu rosto. Inclinou a cabea para tras, os olhos entrecerrados cansadamente, e contemplou durante um minuto, aproximadamente, a sua captora. 
Ento sorriu. Foi um sorriso leve e dolorido, mas reconhecivel.
-Nossa encantadora gatinha branca - musitou. - Deveria saber.
-Mas, no se deu conta, no  mesmo? - disse Katherine, to ansiosa como uma criatura jogando um jogo. - Nem sequer voc advinhou. Enganei todo mundo - voltou a 
rir. - Foi to divertido vigia-lo enquanto vigiava Stefan, e nenhum dos dois sabia que eu estava ali. Inclusive arranhei voc uma vez! - curvando os dedos como se 
fossem garras, imitou a unhada de uma gatinha.
-Na casa de Elena. Sim, eu me lembro - disse Damon lentamente; parecia no to enraivecido como vagamente e enignimaticamente divertido. - Bem, ento,  uma caadora. 
A dama e o tigre, como dizem.
-E joguei Stefan naquele poo - se vangloriou Katherine. - Vi os dois brigando. Eu gostei disso. Segui Stefan at os limites do bosque, e ento...
Juntou as mos como quem captura uma mariposa. Ento, abrindo-as devagar, vislumbrou em seu interior com o se na realidade tivesse algo ali, e riu secretamente.
-Ia deixa-lo ali para brincar com ele - confidenciou, mas a continuao, seu lbio inferior se projetou para fora e olhou Elena torvamente. - Mas voc o levou. Isso 
foi mesquinho, Elena. No deveria ter feito isso.
A espantosa malcia infantil havia desaparecido de seu rosto, e por um momento Elena vislumbrou o dio virulento de uma mulher adulta.
-As garotas ambiciosas so castigadas - disse Katherine, movendo-se por tras dela -, e voc  uma garota ambiciosa.
-Katherine! - Stefan tinha despertado de seu ofuscamento e comeou a falar a toda pressa. - No quer nos contar o que mais tem feito?
Distrada, ela retrocedeu. Pareceu surpreendida, depois agradada.
-Bem... se realmente quer que eu diga... - disse; abraou seus cotovelos com as mos e voltou a fazer uma pirueta, e a dourada cabeleira se retorceu no cho. - No 
- disse ento com alvoroo, dando uma volta e sinalizando-os com o dedo. - Vocs tem que advinhar. Vocs advinham e eu direi. "Correto" ou "incorreto". Vamos!
Elena tragou saliva, lanando uma olhada de soslaio a Stefan. No via motivo de entreter Katherine. Tudo acabaria da mesma forma mesmo. Mas um instinto lhe disse 
que protegesse sua vida todo o tempo que pudesse.
-Voc atacou Vickie - disse com cautela. Sua prpria voz soou sem certeza a seus ouvidos, mas estava segura disso. - A garota da igreja em runas aquela noite.
-Muito bem! - exclamou Katherine, e fez outro gesto de gato com os dedos curvados em garra. - Bom, estava em minha igreja - disse de modo razovel. - E o que ela 
e aquele garoto estavam fazendo... Bom! Ningum faz isso na igreja. Ento a arranhei! - Katherine esboou a palabra, fazendo uma demonstrao, como algum que conta 
uma histria a uma criana pequena. - E... Lambi o sangue! - Lambeu os lbios plidos com a lngua; ento sinalou para Stefan. - Prximo!
-A tem perseguido desde ento - disse Stefan, que no jogava o jogo: fazia uma spera observao.
-Sim, j acabamos com isso! Prximo! - indicou Katherine em tom cortante.
Mas ento comeou a brincar com os botes da gola de seu vestido, os dedos brilhantes. E Elena pensou em Vickie com seus olhos de cervo sobresaltado, tirando a roupa 
na cantina diante de todo mundo.
-A obriguei a fazer coisas estpidas - riu Katherine. - Foi divertido brincar com ela. 
Elena tinha os braos impedidos e agarrados. Notou que dava mecnicos puxes nas cordas, to ofendida pelas palavras de Katherine que no podia permanecer quieta. 
Se obrigou a parar, tentando se encostar e devolver algo da sensao das mos dormentes. O que faria se se soltasse dali, no sabia, mas tinha que tentar.
-Prximo - dizia Katherine com uma voz ameaadora.
-Por que voc disse que era sua igreja? - perguntou Damon, e sua voz continuava vagamente divertida, como se nada daquilo o afetasse. - O que tem de Honoria Fell?
-Ah, esse velho espectro! - disse Katherine com malcia.
Passou os olhos atentamente por tras de Elena, com os lbios franzidos, o olhar furioso, e Elena notou que estavam de cara com a entrada da cripta, com a tumba saqueada 
atrs deles. Talvez Honoria os ajudaria...
Mas logo lembrou daquela voz sossegada que se desvanecia. "Esta  a nica ajuda que posso dar". E soube que no teria mais ajuda.
Como se tivesse lido os pensamentos de Elena, Katherine disse:
-Ela no pode fazer nada.  um simples monte de ossos - as elegantes mos realizaram gestos como se Katherine estivesse rompendo esses ossos. - Tudo o que posso 
fazer  falar, e em muitas ocassies impedi que a ouvisse.
A expresso de Katherine voltava a ser sinistra, e Elena sentiu uma cida pontada de temor.
-Voc matou o cachorro de Bonnie, Yangtze - disse.
Foi uma suposio lanada a sorte para distrair Katehrine, mas funcionou.
-Sim! Isso foi divertido. Todas saram correndo da casa e voc coemou a gemer e a chorar... - Katherine relembrou a histria com uma pantomima: o cachorrinho jazendo 
na frente da casa de Bonnie, as garotas indo para fora e encontrando o corpo. - Senti muito, mas valeu a pena. Seguia Damon quando era um corvo. Acostumada a segui-lo 
uma barbaridade. De ter querido, podia ter agarrado aquele corvo, e... - fez um violento moviemento de torso.
"O sonho de Bonnie", se disse Elena, enquanto uma gelada compreeno a inundava. Nem sequer se deu conta de que tinha falado em voz alta at que viu Stefan e Katherine 
a olhando.
-Bonnie sonhou com voc - musitou. - Mas pensava que era eu. Me contou que me viu de p embaixo de uma vore com o vento soprando. E que sentiu medo de mim. Disse 
que tinha um aspecto diferente, plido mas quase reluzente. E um corvo passou voando e eu o agarrei e torci o pescoo dele - a ira comeou ascender pela garganta 
de Elena, mas a engoliu. - Mas era voc - disse.
Katherine parecia encantada, como se Elena houvesse dado razo de algum modo. 
-As pessoas sonham muito comigo - replicou com ar presunoso. - Sua tia... te sonhado comigo. Digo que foi culpa dela que voc tenha morrido. Ela acredita que  
voc quem diz.
-Meu Deus...
-Quem dera que tivesse morrido de verdade - prosseguiu Katherine, e seu rosto se tornou rancoroso. - Deveria ter morrido. Mantive voc tempo o suficiente no rio. 
Mas foi to desonesta, tirando sangue dos dois, que voltou. Ah, bom - sorriu dissimuladamente. - Agora posso brincar com voc por mais tempo. Perdi os nervos naquele 
dia porque vi Stefan lhe dando meu anel. Meu anel! - sua voz se elevou. - Meu, que deixei para que se lembrassem de mim. E ele deu a voc. Foi ento quando soube 
que no ia me limitar a brincar com ele: tinha que mat-lo.
Os olhos de Stefan estavam entristecidos, desconcertados.
-Mas pensava que estava morta - disse. - Estava realmente morto h quinhents anos. Katherine...
-Ah, essa  a primeira vez que os enganei - respondeu ela, mas no havia alegria em sua voz agora, soava resentida. - Organizei tudo com Gudren, minha dama de companhia. 
Vocs dois no queriam aceitar minha escolha - disse, passeado os olhos de Stefan para Damon com uma expresso furiosa. - Queria que fossemos felizes, e os amava. 
Amava os dois. Mas isso nao era o suficiente para vocs.
O rosto de Katherine tinha voltado a mudar, e Elena viu nele a criatura do machucada de quinhentos anos atrs. Aquilo devia ser o aspecto que Katherine tinha ento, 
se disse surpresa. Os grandes olhos azuis estavam cheios de lgrimas.
-Queria que se amassem - prosseguiu Katherine em tom perplexo -, mas no se amavam. E me senti mal. Pensei que se imaginassem que eu estava morta, amariam um ao 
outro. E sabia que tinha que ir embora, de todos os modos, antes de que papai comeasse a suspeitar o que eu era. Ento Gudren e eu armamos - disse em voz pausada, 
sumida nas recordaes. - Tive que fazer outro talism contra o sol e lhes dei meu anel. E ela pegou meu vestido branco... meu melhor vestido branco... e cinzas 
da chamin. Queimamos gordura ali, de modo que as cinzas exalavam como deviam. No estava certa de que pudesse engana-los, mas foi isso. Mas ento... - o rosto de 
Katherine se crispou entristecida. - Vocs dois fizeram mal um a outro. Supus que fdeveriam estar entristecidos, e chorariam, e consolariam-se mutuamente. Fiz isso 
po vocs. Mas em vez de fazer isso, correram e pegaram as espadas. Por que fizeram isso? - foi um grito surgido de seu corao. - Por que no aceitaram meu presente? 
Trataram como se fosse lixo. Na carta dizia que queria que se reconciliassem. Mas nao escutaram e pegaram as espadas. Mataram um ao outro. Por que fizeram isso?
As lgrimas corriam pelas bochechas de Katherine, e o rosto de Stefan tambm estava mido.
-Fomos estpidos - disse ele, to entretido nas recordaes como ela. - Nos culpamos pela sua mortem e fomos to estpidos... Katherine, me escuta. Foi minha culpa. 
Fui eu quem atacou primeiro. No sabe quantas vezes pensei sobre isso e desejei que tivesse algo que pudesse fazer para mudar tudo. Daria qualquer coisa para voltar 
atrs... Qualquer coisa. Matei meu irmo... - a voz se quebrou, e as lgrimas brotaram de seus olhos.
Elena, com o corao partido pela dor, virou a cabea com impotncia para Damon e viu que ele nem sequer era consciente de sua presena. A expresso divertida tinha 
desaparecido, e tinha os olhos fixos em Stefan com total concentrao, cravados nele.
-Katherine, por favor, me escute - disse Stefan em tom tremulo, recuperando a voz. - J machucamos um aos outros o suficiente. Por favor, nos deixe ir agora. Ou 
fique comigo, se voc quiser, mas deixe que eles vo embora. Eu sou o cupado. Fique comigo, e farei tudo o que voc quiser...
Os olhos como jias dela estavam lmpidos e de um azul incrvel, inundados de uma pena infinita. Elena no se atreveu a respirar, temerosa de romper o feito enquanto 
a esbelta jovem se aproximava de Stefan com o rosto docificado e ansioso.
Mas ento o gelo no interior de Katherine voltou a aflorar, gelando as lgrimas de suas bochechas.
-Devia ter pensado nisso h muito tempo - disse. - Podia ter escutado ento. Lamento um ter matado o outro no passado. Fugi, sem levar nem sequer Gudren, de volta 
a meu lugar. Mas ento eu no tinha nada nem sequer um vestido novo, e estava faminta e gelada. Podia ter morrido de fome se Klaus no tivesse me encontrado.
Klaus. Em meio a seu desalento, Elena lembrou algo que Stefan lhe havia contado. Klaus era o homem que tinha transformado Katherine em vampira, o homem que os aldeos 
diziam que era malvado.
-Klaus me fez ver a verdade - explicou Katherine. - Me mostrou como  o mundo na realidade. Tinha que ser forte e pegar as coisas que eu quissesse. Tem que pensar 
unicamente em voc mesmo. E agora sou a mais forte de todos. Eu sou. Sabe como consegui? - respondeu a pregunta sem sequer esperar que eles respondessem. - Vidas. 
Muitas vidas. Humanos e vampiros, e todos esto dentro de mim agora. Matei Klaus depois de um ou dois sculos. Ele se surpreendeu. Ele no sabia o quanto eu havia 
aprendido. Era muito feliz tomando vidas, me enchendo delas. Mas ento me lembrava de vocs e do que fizeram. Com trataram meu presente. E sabia que tinha que castiga-los. 
E finalmente me ocorreu como fazer isso. Os trouxe aqu, os dois. Coloquei a idia em sua mente, Stefan, do mesmo modo que voc ps idias nas mentes dos humanos. 
Guiei voc at aqu. E ento me assegurei que Damon o seguisse. Elena estava aqu. Acho que deve ser minha parente de algum modo. Sabia que a veria e se sentiria 
culpado. Mas no tinha que se apaixonar por ela! - o ressentimento na voz de Katherine deu passo outra vez a ira. - No tinha que me esquecer? No tinha que lhe 
dar meu anel!
-Katherine... 
-Me irritei muito - prosseguiu ela sem fazer caso. - E agora vou fazer que lamente, que lamente de verdade. Sei a quem odeio mais agora, Stefan, e  a voc.
Pareceu recuperar o controle de si mesma, secado os ltimos rastros de lgrimas do rosto e erguendo-se com exagerada dignidade.
-No odeio tanto Damon - declarou. - Inclusive posso deixar que viva - seus olhos se entrecerraram e ento se abriram totalmente com uma idia. - Escuta, Damon - 
disse confidencialmente. - Voc no  to estpido quanto Stefan. Voc sabe como so as coisas na realidade. Ouvi voc dizer. Vi as coisas que fez - se inclinou 
para frente. - Me senti s desde a morte de Klaus. Podia me fazer companhia. Tudo que voc tem que fazer  dizer que ama mais a mim. Ento, uma vez que eu os tenha 
matado, vamos embora para longe. Inclusive pode matar sua garota se qusier; deixarei que faa. O que acha?
"Meu Deus", pensou Elena, se sentindo doente de novo. Os olhos de Damon estavam postos nos enormes olhos azuis de Katherine; parecia escudrinhar o rosto dela. E 
a enigmtica expresso divertida havia voltado para seu rosto. "Meu Deus", pensou Elena. " Por favor, no..."
Lentamente, Damon sonrriu.























Capitulo 15


Elena contemplou Damon com mudo pavor. Conehcia muito bem aquele sorriso inquietante. Mas ao mesmo tempo que sua alma caa aos ps, sua mente lhe lanou uma pergunta 
divertida. "E que diferena faz?" Stefan e ela iam morrer de qualquer forma. Era totalmente sensato que Damon preferisse se salva. E era um erro esperar que ele 
fosse contra sua natureza.
Observou aquele lindo e caprichoso sorriso com um sentimento de pena pelo que Damon poderia ter sido.
Katehrine devolveu o sorriso, encantada.
-Seremos muito felizes juntos. Quando eles estiverem mortos, libertarei voc. No era minha inteno machuca-lo, no na verdade. Simplesmente, me irritei - estendeu 
uma mo delgada e acariciou a bochecha dele. - Sinto muito.
-Katherine - disse ele, e continuava sorrindo.
-Sim - ela se inclinou mais at ele.
-Katherine...
-Sim, Damon?
-V para o inferno!
Elena estremeceu ante o que aconteceu depois, inclusive antes acontecesse, sentindo a violenta pulsada de poder, de poder malvolo e desatado. Gritou ao ver a mudana 
em Katherine. Aquele rosto precioso se retorcia, se transformando em algo que no era nem humano nem animal. Uma luz vermelha queimou nos olhos de Katherine enquanto 
ela se jogava sobre Damon, afundando as presas em sua garganta.
Das pontas dos dedos brotaram garras que arranharam o j sangrento peito dele, arrancando a carne enquanto flua o sangue. Elena continuou gritando, notando vagamente 
que a dor em seus braos se devia ao esforo com a cordas que as seguravam. Ouviu Stefan gritar tambm, mas em acima de tudo ouviu a gritaria ensurdecedora da voz 
mental de Katherine.
"Agora sim voc vai se arrepender! Agora vou fazer que se arrependa! Eu vou matar voc! Vou matar voc! Vou matar voc! Vou matar voc!
As palavras feriam como se fossem adagas perfurando a mente de Elena. Seu terrvel poder a atordoava, a balanava contra as barras de ferro. Mas no havia uma forma 
de fugir dele. Parecia resoar por todas as partes, martelando seu crebro. 
"Vou matar voc! Vou matar voc! Vou matar voc!
Elena perdeu a consciencia.


Meredith, agachada junto a tia Judith na lavanderia, mudou de lado o peso do corpo, se esforando para interpretar os sons que ouviam do outro lado da porta. Os 
cachorros haviam conseguido entrar no sto; no estava certa de omo, mas a jugar pelos focinhos ensanguentados de alguns deles, imaginou que tinham entrado atravs 
das janelas situadas nos rodaps. Agora os animais estavam fora da lavanderia, mas Meredith no sabia o que faziam. Estava silencioso demais do lado de fora.
Margaret, acolhida no peito de Robert, choramigou:
-Silncio - murmurou Robert. - No est acontecendo nada, querida. Vai ficar tudo bem.
Meredith travou o olhar com os assustados e decididos olhos dele por cima da da cabea da meninina loira. "Quase demos a voc a medalha de outro do Outro Poder", 
pensou. Mas naquele instante no havia tempo para se lamentar.
-Onde est Elena? Elena disse que cuidaria de mim - disse Margareth, os olhos muito abertos e solenes. - Disse que se ocuparia de mim.
Tia Judith levou uma mo a boca.
-Ela est cuidando de voc - sussurrou Meredith. - Na verdade, ela me enviou para fazer isso. E  verdade - acrescentou com ferocidade, e viu que o olhar de reprovao 
de Robert se transformara em perplexidade.
Do lado de fora, o silncio havia dado lugar a rudos de arranhes e dentes roendo. Os cachorros estavam trabalhando na porta.
Robert acolheu a cabea de Margareth para mais perto de seu peito.


Bonnie no sabia quanto tempo levavam trabalhando. Horas, na verdade. Uma eternidade, parecia. Os cachorros haviam entrado pela cozinha e as velhas portas laterais 
de madeira. At o momento, s uma dzia, aproximadamente, tinha conseguido desimpedir as fogueiras acendidas em barricadas na frente das aberturas. E os homens que 
tinham armas se ocuparam da maioria delas.
Mas o sr. Smallwood e seus amigos seguravam rifles carregados naquele momento. E eles estavam ficando sem coisas para queimar.
Vickie tinha ficado histrica h alguns instantes, gritando e segurando a cabea como se algo lhe estivesse machucando. J tinha tentado vrias formas de freia-la 
at que por fim, ela perdeu a consciencia. 
Bonnie se aproximou de Matt, que olhava por cima do fogo atravs da porta lateral derrubada. No procurava a presena de cachorros, ela sabia, mas sim algo que estava 
muito mais longe. Algo que no podiam ver dali.
-Tinha que ir, Matt - disse. - No podia fazer mais nada.
Ele no respondeu nem virou a cabea.
-J est quase amanhecendo - disse ela. - Talvez quando amanhecer, os cachorros vo - mas mesmo enquanto dizia aquilo, ela sabia que no era certo.
Matt no respondeu. Bonnie tocou seu ombro.
-Stefan est com ela. Stefan est l.
Por fim, Matt teve alguma reao. Assentiu.
-Stefan est l - disse.
Enfurecida, uma figura de cor marrom avanou na escurido.


Muito mais tarde quando Elena recobrou, paulatinamente, a consciencia soube porque podia ver no s devido ao punhado de velas que Katherinehavia acendo, mas sim 
tambm pela fria penumbra cinzenta que se infiltrava do cho a abertura da cripta.
Pde ver Damon tambm. Jazia no cho, as ligaduras cortadas com a roupas. Havia luz o suficiente para ver tudo ao alcance de suas feridas, e Elena se perguntou se 
continuava vivo. Estava imovl o suficiente para estar morto.
"Damon?", pensou. At que tivesse feito no reparou que no havia pronunciado a palavra. De algum modo, os gritos de Katherine tinha fechado um circuito em sua mente, 
ou melhor, tinham despertado algo que estava adormecido. E o sangue de Matt sem dvidas tinha ajudado, proporcionado-lhe, a energia para encontrar finalmente sua 
voz mental.
Vitou a cabea para o outro lado.
"Stefan?"
Ele tinha o rosto marcado pela dor, mas estava consciente. Muito consciente. Elena quase desejou que estivesse to insensvel como Damon ao que lhes tinha acontecido.
"Elena", respondeu ele.
"Onde ela est?" - perguntou Elena, passando os olhos lentamente pelo lugar.
Stefan olhou em direo a abertura da cripta.
"Subiu por ali faz um instante. Talvez para comprovar como os cachorros estavam indo".
Elena acreditou ter chegado limitee. Medo e pavou, mas no era verdade. No tinha pensado nos demais at ento.
"Elena, sinto muito". O rosto de Stefan estava embargado de algo que no podia se expressar com palavras.
"No  culpa sua, Stefan. Voc no fez isso. Ela mesmo fez isso. Ou... simplesmente aconteceu devido ao que ela . A que somos". Discorrendo por baixo dos pensamentos 
de Elena estava a lembrana do modo como tinha atacado Stefan no bosque, e como tinha se sentido quando corria at o sr. Smallwood, planejando sua vingana. "Podia 
ter sio eu", disse.
"No! Voc jamais se tornaria isso".
Elena no respondeu. Se possuisse o Poder naquele momento, o que faria a Katherine? O que no lhe faria? Mas sabia que falar disso s transtornaria mais Stefan.
"Pensei que Damon fosse nos trair", disse.
"Tambm pensei", respondeu Stefan com um tom estranho. Olhava seu irmo com uma expresso peculiar. 
"Ainda o odeia?"
O olhar de Stefan se ensombreceu.
"No", disse com a voz pausada. "No o odeio mais".
Elena assentiu. Era importante, de algum modo. Ento piscou, com os nervos totalmente alertas, quando algo escureceu a entrada da cripta. Stefan tambm ficou tenso.
"L vem ela, Elena..."
"Eu amo voc, Stefan", disse ela com desespero enquanto a nebulosa forma branca descia a toda velocidade.
Katherine se materializou ante eles.
-No sei o que est acontecendo - disse com expresso modesta. - Est impedindo o aceso a meu tnel - voltou a observar por trs de Elena para a tumba distroada 
e o buraco na parede. - Isso  o que uso para sair daqui - disse, ao parecer alheia a presena do corpo de Damon a seus ps. - Passa por baixo do rio. Assim no 
tenho que cruzar a gua corrente, sabe. No lugar disso, cruzo por baixo - os olhou como se desejasse sua apreciao do gracejo.
"A proposito", pensou Elena, "como pode ser to estpida? Damon passou conosco sobre o rio no carro de Alaric. Cruzou uma corrente de gua e provavelmente vrias 
outras vezes. No podia ter sido o Outro Poder".
Era estranho o modo em que era capaz de pensar apesar de estar to assustada. Era como se uma parte de sua mente observasse de longe.
-Vou mata-los agora - disse Katherine em tom coloquial. - Ento passarei por baixo do rio para matar seus amigos. No acho que os cachorros j tenham feito. Mas 
me ocuparei disso eu mesma.
-Deixe Elena ir - pediu Stefan; a voz soou apagada, mas imperiosa de toda forma.
-No devidi como fazer isso - disse Katherine, sem prestar ateno. - Podia assa-los. J tem quase luz suficiente para isso agora. E tenho estas coisas - introduziu 
a mo na parte dianteia do vestido e a tirou fechada. - Um... dois... trs! - disse, deixando cair dois anis de prata e um de ouro no cho.
As pedras brilhavam azuis como os olhos de Katherine, azuis como a pedra no colar que rodeava a garganta de Katherine.
As mos de Elena se retorceram freneticamente e percebeu a lisa nudez no dedo anelar. Era certo. Jamais pensou que se sentiria nua sem aquele aro de metal. Era necessrio 
para sua vida, para sua sobrevivncia. Sem ele...
-Sem estes anis morreram - disse Katherine, roando despreocupadamente os anis coma ponta de um p. - Mas no sei se isso ser bastante lento.
Retrocedeu at alcanar quase a parede oposta da cripta, o vestido prateado reluzindo baixo a tnue luz.
Foi ento que Elena teve uma idia.
Podia mover as mos o suficiente para tocar uma a outra, o suficiente para saber que no estavam impedidas. As cordas estavam mais frouxas.
Mas Katherine era forte. Incrivelmente forte. E tambm mais rpida que Elena. Inclusive se Elena se soltasse, s teria tempo para uma nica ao veloz.
Girou um pulso, sentindo como as cordas cediam.
-Existem outros modos - disse Katherine. - Podia faze-los cortes e contemplar como sangram. Eu gostaria de olhar isso.
Rangeu os dentes, Elena exerceu presso sobre a corda. A mo estava dobrada em um ngulo cruel, mas continuou pressionando e sentiu a queimadura da corda ao deslizar.
-Ou ratos - continuava dizendo Katherine, meditando. - Ratos podiam ser dievrtidos. Podia dize-los quando comear e quando parar.
Liberar a outra mo foi muito mais fcil. Elena tentou no dar mostras do que acontecia atrs de suas costas. Teria gostado de chamar Stefan mentalmente, mas no 
se atreveu. No se existia alguma possibilidade de que Katherine pudesse ouvi-lo
O vagueio de Katherine a tinha levado at Stefan.
-Acho que comearei com voc - disse, aproximando o rosto ao dele. - Eu estou faminta de novo. E voc  to doce, Stefan. Eu tinha esquecido o quo doce voc .
Havia uma retnagular luz cinzenta no cho. Luz baixa. Estava vindo da cripta aberta. Katherine j tinha estado fora, na luz. Mas...
Katherine sorriu de repente, seus olhos azuis brilhavam.
-Eu sei! Eu vou beber voc quase todo e fazer voc ver enquanto eu mato ela! Eu vou deixar voc forte o suficiente para v-la morrer antes de voc morrer. Isso no 
 um bom plano? - bateu palmas alegremente e voltou a fazer uma pirueta, se afastando com passos de valsa.
"S um passo mais", disse Elena. Viu como Katherine se aproximava do retngulo de luz. "S mais um passo..."
Katherine deu aquele passo.
- isso, ento! - comeou a dar a volta. - Que bom...
"AGORA!"
Tirando de uma vez os braos adormecidos das ltimas laadas da corda, Elena se balanou sobre ela. Foi como uma investida de um gato caando. Uma desesperada correria 
para alcanar a presa. Uma possibilidade. Uma esperana.
Golpeou Katherine com todo seu peso, e o impacto as derrubou dentro do retngulo de luz. Sentiu como a cabea de Katherine se chocava contra o cho de pedra.
E sentiu a dor abrasadora, como se tivessem submergido seu corpo em veneno. Era uma sensaao parecida a ardente secura da fome, s que mais potente. Mil vez mais 
forte. Era insuportavel.
-Elena! - gritou Stefan, com a mente e com a voz.
"Stefan", pensou ela. Debaixo de seu corpo se levantou uma onda de Poder quando os olhos atordoados de Katherine se clarearam. A boca dela se retorcia de raiva e 
as presas estavam para fora. Eram to longos que se cravavam no lbio inferior. A deformada boca se abriu um uivo.
A torpe mo de Elena tateou a garganta de Katherine. Os dedos se fecharam sobre o frio metal de cor azul dela e, com todas suas foras, ela tirou e notou como a 
corrente cedia. Tentou segura-lo, mas os dedos careciam de tato e coordenao, e a mo de Katherine agarrava desesperadamente. A jia saiu desempedida at o interior 
das sombras.
-Elena! - voltou a gritar Stefan com aquela voz to espantosa.
A jovem sentiu como se seu corpo estivesse inundado de luz. Com se fosse transparente. S que a luz era dolorosa. Abaixo dela, o rosto contorcido de Katherine olhava 
diretamente para cima, para o cu invernal, e no lugar de uivo, se escutava um grito agudo que aumentava e aumentava.
Elena tentou se levantar, mas no tinha foras. O rosto de Katherine se rachava, se quebrava. Linhas de fogo apareciam nele. Os gritos alcanaram um ponto culminante; 
os cabelos de Katherine ardiam, a pele se enegrecia. Elena sentiu o fogo tanto de cima quanto de baixo.
Ento notou que algo a agarrava, segurava seus ombros e a arrancava dali. A frieza das sombras foi como gua gelada. Algo lhe dava a volta, a embalava.
Viu os braos de Stefan, vermelhos onde tinham estados expostos ao sol e sangrando no lugar onde tinha arrancado das cordas. Viu seu rosto, viu o inquietante horror 
e aflio. Ento seus olhos se enublaram e no viu mais nada.
Meredith e Robert, que golpeavam focinhos empapados em sangue que apareciam pelo buraco da porta, se detiveram atordoados. Os dentes tinham deixado de morder e puxar. 
Um focinho deu uma sacudida e se esgueirou para fora. Se aproximando lentamente de costas para olhar o outro, Meredith viu que os olhos do cachorro estavam vidrados 
e leitosos. No se moviam. Olhou para Robert, que se levantou ofegante.
No escutava rudo no sto. Tudo estava em silncio. Mas no se atreveram a ter esperanas.
Os enlouquecidos uivos de Vickie cesaram como se os tivessem cortado com uma faca. O cachorro, que tinha afundado os dentes no msculo de Matt, ficou rgido e estremeceu 
violentamente; ento, as mandbulas o soltaram. Respirando com dificuldade Bonnie girou para olhar mais alm da moribunda fogueira e viu os corpos dos outros cachorros 
jazendo onde tinha cado.
Matt e ela se encostaram um ao outro, olhando ao seu redor, perplexos.


Pouco a pouco, Elena abriu os olhos.
Tudo estava muito limpo e tranquilo.
A alegrou que os uivos tivessem finalizado. Aquilo tinha sido horrvel; tinha dodo. Agora, nada doda. Sentia como se seu corpo voltasse a estar inundado de luz, 
mas agora no havia dor. Era como se flutuasse, muito alta e com facilidade, sobre rafdas de ar. Se sentia quase como se precisasse de corpo.
Sorriu.
Girar a cabea no produzia dor, ainda que aumentava a vaga sensao de flutuar. Viu, na longa luz plida do cho, os restos fumegantes de um vestido prateado. A 
mentira de Katherine de quinhentos anos atrs tinha se transformado em realidade.
Isso era tudo, ento. Elena afastou o olhar. J no desejava mal a ningum, e no queria perder tempo com Katherine. Haviam coisas muito mais importantes.
-Stefan - disse, e suspirou e sorriu. Ora, aquilo era agradvel... Assim devia ser se sentir como um pssaro.
-No era minha inteno que as coisas terminassem assim - disse docemente pesarosa.
Os olhos verdes de Stefan que estavam midos voltaram a se encher de lgrimas, mas lhe devolveu o sorriso.
-Eu sei - disse. - Eu sei, Elena.
Ele compreendia. Estava certo; isso era importante. Agora ficava fcil ver as coisas que eram realmente importantes. E a compreenso de Stefan significava muito 
mais para ela que o mundo inteiro.
Parecia que tinha trascorrido muito tempo desde que realmente o tinha visto. Desde que tinha tomado o tempo necessrio para aprecisar o quanto ele era lindo, com 
seu cabelo escuro e seus olhos to verdes como folhas de carvalho. Mas agora o via, e via sua alma brilhando atravs daqueles olhos. "Valia a pena", disse. "Eu no 
queria morrer, no quero morrer agora. Mas faria tudo de novo se fosse necessrio".
-Eu amo voc - murmurou.
-Eu amo voc - disse ele, apertando suas mos entrelaadas. A estranha e lnguida leveza a embalava com suavidade. Apenas sentia Stefan a segurando.
Tinha pensando que se sentiria aterrorizada; mas no estava, no enquanto Stefan estivesse ali.
-As pessoas do baile... Estaro bem agora, no ? - perguntou.
-Estaro bem - murmurou ele. - Voc as salvou.
-No pude dizer adeus a Bonnie e a Meredith. Nem a tia Judith. Ter que dizer que as amo.
-Eu direi - disse Stefan.
-Pode dizer voc mesma - disse outra voz rouca e que soava diferente.
Damon tinha se arrastado pelo cho at estar atrs de Stefan. O rosto estava destrudo, manchado de sangue, mas os olhos escuros a olhavam ardentemente.
-Use sua vontade, Elena. Aguente. Voc tem fora para isso...
Ela sorriu para ele vacilante. Sabia a verdade. O que acontecera s pusera fim ao que tinha comeado h duas semanas atrs. Tinha tido treze dias para arrumar as 
coisas, para se desculpar com Matt e dizer adeus a Margaret. Para dizer a Stefan que o amava. Mas o perodo de graa tinha acabado.
Contudo, no tinha porque ferir Damon. Tambm amava ele.
-Eu tentarei - prometeu.
-Vamos leva-la para casa - disse.
-Mas ainda no - disse com doura. - Esperemos um pouquinho mais,
Algo aconteceu nos insondveis olhos escuros, e a faca flamejante se apagou. Ento compreendeu que Damon tambm sabia.
-No tenho medo - disse. - Bom... s um pouco.
Comeava a notar uma sonolncia e se sentia muito confortvel, era simplesmente como se estivesse dormindo. As coisas afastavam dela.
Notoi uma dor no peito. Noe stava muito assustada, mas sentia pesar. Tinha tantas coisas sentiria falta, tantas coisas que queria ter feito...
-Ora - disse com a voz pausada. - Que engraado.
As paredes da cripta apreciam ter se derretido. Eram cinzas e nebulosas, e tinha algo parecido com uma entra ali, como a porta que dava acesso a habitao subterrnea. 
S que aquela era uma entrada de luz diferente.
-Que lindo - murmurou. - Stefan? Estou cansada...
-Agora pode descansar - musitou ele.
-No me soltar?
-No.
-Ento no terei medo.
Algo brilhava no rosto de Damon. Esticou a mo at ele, o tocou e afastou os dedos com assombro.
-No fique triste - disse, sentindo a fresca umidade nas pontas dos dedos.
Mas uma pulsada de preocupao a pertubou. Quem estava li para compreender Damon agora? Quem estaria ali para abraa-lo, para tentar ver o que havia realmente em 
seu interior?
-Temos que cuidar um do outro - disse, se dando cotna de que um pouco de energia voltava a ela, como vela flamejante ao vento. - Stefan, voc me promete? Voc me 
promete que cuidaremos um dos outros?
-Eu prometo - respondeu ele. - Elena...
Ondas de sono apoderaram dela.
-Est bem - disse. - Est bem, Stefan.
A entrada estava mais prxima, to prxima que podia toc-la. Se perguntou se seus pais estariam em algum lugar do outro lado. 
- hora de ir para casa - murmurou.
E ento a escurido e as sombras se desvaneceram e no houve outra coisa mais que luz.


Stefan a abraou enquanto os olhos dela se aproximavam. E ento simplesmente a segurou, enquanto as lgrimas que tinha contido caam livremente. Era uma dor diferente 
a que sentiu ao tir-la do rio. No havia raiva nele, e tampouco dio, mas sim um amor que parecia seguir e seguir eternamente.
Do mais ainda.
Olhou o retngulo de luz, apenas a um passo ou dois de distncia. Elena tinha penetrado na luz. O tinha deixado s.
"No por muito tempo", pensou.
Seu anel estava no cho. Nem sequer lhe dirigiu um olhar enquando se levantava, os olhos posto na luz solar descia at o cho.
Uma mo agarrou seu brao e o ps para trs.
Stefan olhou o rosto de seu irmo.
Os olhos de Damon eram escuros como a meia-noite, e segurava o anel de Stefan. Enquanto Stefan olhava, incapaz de se mover, lhe colocou a fora o anel no dedo e 
o soltou.
-Agora - disse, voltando a deixar cair com gesto de dor - pode ir aonde quiser - recolheu do cho o anel que Stefan tinha dado a Elena e o sustentou. - Isso  seu 
tambm. Pegue-o. Pegue-o e v - virou seu rosto para longe.
Stefan olhou durante um bom momento o aro de ouro que tinha na palma da mo.
Ento seus dedos se fecharam sobre ele e voltou a olhar Damon. Os olhos de seu irmo estavam fechados, a respirao trabalhosa. Parecia esgostado e dolorido.
E Stefan tinha feito uma promessa a Elena.
-Vamos - disse com suavidade, colocando o anel no bolso. - Levarei voc a algum lugar onde possa descansar.
Rodeou com um brao seu irmo para ajud-lo a se levantar. E ento, por um momento, ficou assim.











Capitulo 16


16 de dezembro, segunda

Stefan me deu isto. Ele arrumou a maioria das coisas do quarto dele. No princpio disse que no o queria, porque no sabia o que fazer com ele. Mas agora acho que 
tenho uma idia.
As pessoas j comearam a esquecer. Lembram dos detalhes incorretamente, e dizem coisas que simplesmente imaginaram. E, principalmente, inventam explicaes. Porque 
no foi realmente sobrenatural, porque existe um motivo racional para isso ou aquilo.  simplesmente estpido, mas no h um modo dedet-los, principalmente, os 
adultos.
Eles so os piores. Se dedicam a dizer que os cachorros tinham hidrofobia ou algo parecido. O veterinrio acredita que existe um nome novo para isso, um novo tipo 
de raiva que se propaga pelos morcegos. Meredith disse que  irnico, eu acho que  simplesmente idiota.
Os jovens so um pouco melhores, em especial os que estavam no baile. H alguns que acredito que possamos confiar, como Sue Carson e Vickie. Vickie mudou tanto nos 
ltimos dois dias que  como um milagre. No se comporta como tem se comportado nos ltimos dois meses e meio, mas tampouco est como antes. Era bem mais um tanto 
imbecil, andando por a com qualquer garoto. Mas agora acho que est legal.
Mesmo Caroline no esteve to mal hoje. No falou no outro servio, mas sim falou deste. Disse que Elena era a autntica rainha da neve, que foi algo assim como 
copiar o discurso anterior de Sue, mas provavelmente era o melhor que Caroline podia fazer. Foi um gesto bom.
Elena tinha um aspecto muiro plcido. No parecia uma boneca de cera, e sim, como se dormisse. Sei que todo mundo diz isso, mas  verdade. Desta vez  realmente 
verdade.
Mas ento as pessoas comearam a falar de "como escapou surpreendentemente de morrer afogada" e coisas parecidas. E dizer morreu de uma embolia ou algo assim. O 
que na verdade  ridculo. Mas isso  o que eu acho.
Vou pegar seu outro dirio de seu armario e ento pedirei a sra. Grimesby que os coloque na biblioteca, no em um estdio como o Honoria FM, mas sim onde as pessoas 
possam pega-lo e l-lo. Porque a verdade est l dentro.  l que est a verdadeira histria. E no que que ningum a esquea.
Acho que talvez os jovens se lembraro.
Suponho que deveria anotar o que aconteceu com os resto das pessoas por aqui. Elena queria.
Tia Judith est bem, mesmo sendo um dos adultos incapazes de lidar com a verdade. Precisa de uma explicao racional. Robert e ela vo se casar no natal. Isso deve 
ser bom para Margaret.
Margaret est correta. Ela me disse durante a escola que vai ver Elena e seus pais algum dia, mas no agora, porque h muitas coisas que ainda devia fazer aqui. 
No sei quem ps essa idia na cabea dela. Ela  esperta para ter s quatro anos. 
Alaric e Meredith tambm esto bem desde ento. Quando eles viram um ao outro naquela terrvel manh, depois de tudo est tranquilo e tentarmos voltar a normalidade, 
praticamente se jogaram um nos braos do outro. Acho que alguma coisa est acontecendo ali. Meredith disse que saberemos quando ela fizer dezoito anos e se graduar.
Tpico, totalmente tpico. Todas as outras ficam com os garotos. Eu estou pensando provar um dos rituais da minha av, s para averiguar se alguma dia me casarei. 
Por aqui nem sequer h algum com quem queira me casar.
Bom, tem o Matt. Matt  agradavel. Mas agora s pensa em uma garota. No sei se isso mudar algum dia.
Deu um soco no nariz de Tyler depois da escola de hoje, porque Tyler disse algo imprprio sobre ela. Tyler  uma pessoa que sei que jamais mudar; no importa o 
que acontea. Sempre ser o repugnante imbecil mesquinho que  agora.
Mas Matt... Bom, os olhos de Matt so terrivelmente azuis. E tm uma direita fabulosa.
Stefan no pde bater em Tyler porque no estava l. Ainda h muita gente na cidade que pensa que ele matou Elena. Deve ter feito, dizem, porque no tinha mais ningum 
l. As cinzas de Katherine estavam jogadas por todas as partes quando a equipe de resgate chegou na cripta. Stefan disse que queimou daquela forma porque era muito 
velha. Disse que deveria ter se dado conta da primeira vez, quando Katherine fingiu ter queimado, porque um vampiro jovem no virava cinzas desse jeito. Simplesmente 
morria, como Elena. Somente os velhos se desfazem.
Algumas pessoas - em especial os sr. Smallwood e seus amigos - provavelmente culpariam Damon se pudessem por as mos nele. Mas no podem. Ele no estava l quando 
chegaram a tumba, porque Stefan o ajudou a fugir. Stefan no quer dizer para onde, mas acho que para algum lugar do bosque. Os vampiros devem se curar rapidamente, 
porque hoje, quando me encontrei com ele depois do servio, Stefan disse que Damon tinha abandonado Fell's Church. No era algo que o deixasse feliz; acho que Damon 
no tinha lhe dito nada. Agora a questo parece ser esta: O que estar fazendo Damon? Anda por a mordendo garotas inocentes ou mudou? No apostaria em nenhuma das 
duas coisas. Damon era um cara estranho.
Mas lindo. Definitivamente, lindo.
Stefan tambm no quer dizer para onde iria, mas eu tenho a leve suspeita de que Damon pode ter uma surpresa se olhar paar trs. Ao que parece, Elena fez Stefan 
prometer que estaria pendente com ele ou algo assim. E Stefan leva as promessas muito, muito a srio
Ele desejo a ele sorte. Mas estar fazendo o que Elena queria que ele fizesse, o que acho que o far feliz. To feliz como estar aqui sem ela. Agora leva o anel 
de Elena pendurado no pescoo com uma corrente.
Se voc acha que qualquer destas coisas soam frvolas ou como se no me importasse com Elena, isso simplesmente demonstra o quanto errado voc est. Desafio qualquer 
um a me dizer isso. Meredith e eu choramos todo o sbado e grande parte do domingo. E eu estava to furiosa que queria des
Queria Elena. E vou sentir terrivelmente sua falta. Toda a escola permanece a mesma.  como uma luz que apagou. Robert diz que isso  o que seu nome significa em 
latim, "luz".
Agora sempre haver uma parte de mim onde foi a luz.
Quem dera eu pudesse ter me despedido dela, mas Stefan disse que me mandou seu amor para mim. Vou tentar pensar nisso como uma luz que levarei comigo.
Ser melhor que pare de escrever agora, Stefan vai embora, e Matt, Meredith, Alaric e eu vamos nos despedir dele. No era minha inteno falar tanto; eu nunca tinha 
escrito em um dirio. Mas quero que as pessoas conheam a verdade sorbe Elena. No era uma santa. No era sempre doce e boa e honesta e agradavel. Mas era forte 
e afetuosa e leal aos seus amigos, e no fim fez a coisa mais generosa que algum podia fazer. Meredith disse que significa que escolheu a luzno lugar da escurido. 
Quero que as pessoas saibam disso para que sempre se lembrem.
Eu sempre lembrarei.
BONNIE MCCULLOUGH 16/12/91


FIM!!!!



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Juliana Dias: http://www.orkut.com.br/Main#Profile.aspx?uid=2713339427589710285
